sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sr. Foucault! Ok, mas mesmo o biopoder manterá a sua máxima anterior a de que: poder é efetivamente o que eu posso fazer como o corpo do outro.


O SUPLÍCIO DE DAMIENS


GILSON LIMA.
"O que em mim sente está pensando" (Fernando pessoa)
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Damiens fora condenado, a 2 de março de 1757. Michel Foucault nos descreve em seu livro Vigiar e Punir (Editora Vozes), o suplício de que Damiens fora submetido.

Dizia a sentença, o réu Damiens devia:

"... pedir perdão publicamente diante da porta principal da Igreja de paris, seria levado nu, de camisola, carregando uma tocha de cera acesa, atenazado nos mamilos, braços, coxas e nas barrigas das pernas, na sua mão direita segurará a faca com que cometeu o parricídio, queimada com fogo de enxofre. Será aplicado chumbo derretido, óleo fervente, piche em fogo, cera de enxofre derretidos conjuntamente, e a seguir seu corpo será puxado e desmembrado por quatro cavalos e seus membros e corpo consumidos ao fogo, reduzido as cinzas, e suas cinzas lançada ao vento.
Esta é a sentença.

Vejamos agora segundo Foucault, o relato da aplicação da execução das sentença. É importante destacar que quase sempre o planejamento difere da execução. Planejar e executar não é a mesma coisa. Vejamos o relato de feito pelo comissário de polícia Bouton sobre a execução da sentença:

"Acendeu-se o enxofre, mas o fogo era tão fraco que a pele das costas da mão de Damiens mal e mal sofreu. Depois, o executor, de mangas arregaçadas acima dos cotovelos, tomou umas tenazes de aço, medindo cerca de um pé e meio de comprimento, atenazou-lhe primeiro a barriga da perna direita, depois a coxa, foi passando às duas partes da barriga do braço direito; em seguida os mamilos. Este executor, ainda que forte e robusto, teve grande dificuldade em arrancar os pedaços de carne que tirava em suas tenazes duas ou três vezes do mesmo lado ao torcer, e o que ele arrancava formava em cada parte uma chaga do tamanho de um escudo de seis libras.
Depois destes suplícios, Damiens, que gritava muito sem contudo blasfemar, levantava a cabeça e se olhava; o mesmo carrasco tirou uma colher de ferro do calderão daquela droga fervente e derramou-a fartamente sobre cada ferida.
Em seguida com cordas menores se ataram as cordas destinadas a atrelar os cavalos, sendo estes atrelados a seguir a cada membro ao longo das coxas, das pernas e dos braços.

Vez que outra apresentavam um crucifixo para que o beijasse e que pudesse pedir perdão ao Senhor.

Continuemos com o relato de Bouton:

"Os cavalos deram uma arrancada, puxando cada qual um membro em linha reta, cada cavalo era segurado por um carrasco. Um quarto de hora mais tarde na mesma cerimônia pública - 15 minutos depois de muitas puxadas - e enfim, após várias tentativas, foi necessário fazer os cavalos puxarem da seguinte forma: os do braço direito em direção à cabeça, os das coxas voltando-se para o lado dos braços nas juntas. Estes arrancos foram repetidos várias vezes, sem resultado. Ele levantava a cabeça e se olhava.
Foi necessário colocar dois cavalos, diante dos atrelados às coxas, totalizando seis cavalos. (esquecendo cada vez mais o que determinava a sentença).  Mas tudo isso sem resultado algum.
...Depois de duas ou três tentativas - o carrasco Samson e o que lhe havia atenazado – tirou do bolso uma faca e foi cortando as coxas na junção com o tronco. Os quatro cavalos, colocando toda a força, levaram então as duas coxas de arrasto, isto é: a do lado direito por primeiro, e depois a outra. A seguir foi feito o mesmo com os braços, cortando nas axilas as partes. Diferente do que dizia a sentença foi preciso cortar tudo das carnes até quase os ossos. Os cavalos, então puxaram com toda força, arrebataram-lhe o braço direito primeiro e depois o outro.

...Um dos carrascos chegou mesmo a dizer pouco depois que assim que eles levantaram o tronco para lançar na fogueira, que Damiens ainda estava vivo.
Os quatro membros, uma vez soltos das cordas dos cavalos, foram também lançados na fogueira preparada no local,... depois o tronco e o resto foram cobertos de achas e gravetos de lenha, e se pôs fogo à palha ajuntada à essa lenha.
  ...Em cumprimento da sentença, tudo foi reduzido a cinza. O último pedaço encontrado nas brasas só acabou de se consumir às dez e meia da noite. Os pedaços de carne e o tronco permaneceram cerca de quatro horas ardendo.
Os oficiais, entre os quais encontrava eu e meu filho, com alguns arqueiros formados em destacamento, permanecemos no local até mais ou menos onze horas".

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