PÁGINAS

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O CÉREBRO COM A MENTE NA EDUCAÇÃO: Reflexões e apresentações de uma longa pesquisa empírica!

REDESCOBERTA DA MENTE NA EDUCAÇÃO: Ensino-Aprendizagem ó Ciência da Mente e Educação.

Pesquisador e Coordenador da pesquisa:
Dr. Gilson Lima.
Pesquisadores auxiliares:
Bolsista de Iniciação científica: César Alexandre Rau. Estudante de graduação de História.
Bolsista de Iniciação científica: Vanessa Maria Rampelotto. Estudante de graduação de Terapia Ocupacional.

Apresentação do que foram os objetivos iniciais da pesquisa.

1 - Objetivo(s) geral(is) e específico(s) da proposta;

·         O objetivos Gerais:.

·         O objetivo principal da pesquisa foi o de identificar, caracterizar e explicitar os novos desafios e os novos dilemas impostos pelas conquistas das novas descobertas da mente para a teoria e pratica na produção do saber e na educação nas sociedades contemporâneas.
·         Estabelecer conexões e religar conhecimentos entre os avanços empíricos, analíticos e teóricos dos avanços objetivos nos últimos anos das ciências da mente com as práticas educacionais para a aprendizagem  na educação em suas dimensões macro físicas, sociais e comportamentais com as dimensões físico-biológicas.

·         Objetivo Específico.

Nosso objetivo específico foi o de realizar verificações empíricas e analíticas sobre as implicações das novas descobertas científicas e tecnológicas da mente para a teoria e práticas na educação nas sociedades contemporâneas, envolvendo principalmente práticas educacionais no ensino superior envolvendo os conceitos de memória, inteligência e cognição.


DIAGRAMA BÁSICO DO ENFOQUE!

2 - PRESSUPOSTOS:

2.1 Por que Ciências da mente?

Ciências da mente no plural. Pressupõe que os estados de mentitude operam nas singularidades microcerebral, macroindiviidual e comportamental e na dimensão macrosocial em simultaneidade:


Assim dialogamos com os diferentes enfoques. 

A pesquisa se operou com uma sociologia multidisciplinar das Ciências ó Ciências da Mente e dialogando com as concepções na história do cérebro (e cerebelo) e da mente; enfrentando a redução do dualismo x materialismo. Enfatizamos uma síntese complexa entre: RAZÃO COGNITIVA, EMOÇÃO E MEMÓRIA.
Nossa linguagem é repleta de dicotomias: natureza versus nutrição; genes versus ambiente; masculino versus feminino; hardware versus software; conhecimento versus afeto; alma versus corpo; mente Versus cérebro. Mas será que essas divisões em nossa forma de pensar refletem diferenças reais no mundo externo, ou seriam o produto da história intelectual de nossa sociedade? Ou seja, são ontológicas ou epistemológicas? E perceba que também esta distinção é dicotômica.
Uma maneira de responder essa pergunta é verificar se sociedades de culturas diferentes fazem o mesmo tipo de separação. No caso mente versus cérebro, com certeza não: de acordo com o historiador de ciência Joseph Needham, a ciência e a tecnologia chinesas, por exemplo, não faziam essa distinção. Embora a separação entre mente e cérebro seja profetizada na maior parte das tradições greco-judaico-cristãs, só tomou vulto a partir do século XVII, com o nascimento da ciência ocidental moderna. Foi então que o filósofo e matemático católico René Descartes dividiu o universo em dois campos, o material e o mental. Todos os elementos vivos e o mundo natural que nos cerca, juntamente com a tecnologia criada pelo ser humano, foram considerados materiais, assim como o corpo humano. Mas a cada corpo humano foi atribuída uma mente ou alma, assoprada para dentro dele por Deus, e ligada a ele por meio de um órgão localizado no fundo do cérebro, a glândula pineal.
A separação foi útil de numerosas maneiras. Justificava a exploração de outros animais pelos homens, pois aqueles eram meros mecanismos, não sendo dignos de mais consideração do que a dispensada a qualquer outro tipo de máquina; exaltava o lugar de destaque da humanidade dentro do universo, mas apenas no que dizia respeito à alma; os corpos humanos também podiam ser explorados, e o eram de forma crescente, através da compra e venda de escravos na América e à medida que surgia a Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX; as almas podiam ser deixadas para o culto pastoral dos domingos.
O dualismo cartesiano deixou suas marcas na medicina, especialmente na parte dela que lidava com a mente. As desordens e perturbações mentais foram dicotomizadas em orgânicas/neurológicas- quando o problema era no cérebro - ou funcionais/psicológicas - quando houvesse algo de errado com a mente. Essas dicotomias persistem ainda hoje em boa partir da prática psiquiátrica, resultando na divisão da terapêutica em medicamentos para tratar do cérebro e conversa para tratar da mente. As causas dessas perturbações são normalmente atribuídas aos domínios da mente (chamadas "exógenas", como no caso das depressões seguidas de tragédia pessoal) ou do corpo ("endógenas", provocadas por genes defeituosos ou desequilíbrios bioquímicos).
Entretanto, conforme se expandiram a escala e o poder da ciência moderna desde o século XVII, o desconfortável acerto de Descartes foi posto à prova cada vez mais freqüentemente. A física de Newton ordenava a movimentação dos planetas e a queda das maçãs. Antoine-Laurent Lavoisier demonstrou que a respiração humana era um processo de combustão química, em nada diferente da queima de carvão numa fornalha. Os nervos e músculos dançavam sob a aplicação das cargas elétricas de Luigi Galvani, e não pela ação de algum tipo de vontade autônoma. E a evolução darwiniana colocou os seres humanos lado a lado com outros animais. O reducionismo militante do materialismo mecânico tornaram-se a ordem do dia.
Em 1845 quatro fisiologistas em ascensão - os alemães Hermann Helmholtz, Carl Ludwig, Ernst Brücke, e o francês Emil du Bois-Reymond - fizeram o juramento mútuo de levar em consideração todos os processos corporais em termos físico-químicos; na Holanda, Jacob Moleschott foi ainda mais longe, afirmando que o cérebro secretava os pensamentos assim como os rins secretavam a urina, e que a personalidade era uma questão de fosfato. Para o campeão do darwinismo, o inglês Thomas Huxley, a mente estava para o cérebro assim como os apitos estavam para as locomotivas a vapor.
Mais de um século depois, esse reducionismo constitui o conhecimento convencional de quase toda a ciência. Muitos acreditam que a ciência mais fundamental é a física, seguida da química, bioquímica e fisiologia; um pouco mais acima nessa hierarquia estão as ciências mais "maleáveis" como a psicologia e a sociologia, sendo que o objetivo das ciências unificadas parece ser transformar todas as ciências de hierarquia elevada em fundamentais.
Os cientistas com formação em estudos moleculares são abertamente desdenhosos em relação às pretensões dos assuntos mais "maleáveis". Em 1975, E. O. Wilson lançou seu famoso (ou notório, dependendo da perspectiva) texto Sociobiology, the New Synthesis, no qual afirmava que a biologia evolutiva, juntamente com a neurobiologia, estava prestes a tornar a psicologia, a sociologia e a economia irrelevantes; dez anos depois, o decano da biologia molecular, Jim Watson, estarreceu sua platéia no London Institute of Contemporary Arts com a afirmação de que em última análise existem apenas átomos. Existe apenas uma ciência, a física; tudo o mais é serviço social.
John Ecles, vencedor do prêmio Nobel por seu trabalho na fisiologia das sinapses (as junções entre as células nervosas), e assim como Descartes um compenetrado dualista e católico, certamente acreditava nisso, pois veio a argumentar que existia um "cérebro de ligação" no hemisfério esquerdo, através do qual a alma pode cutucar as sinapses. Ou será que nos aliamos a Watson, Wilson e outros precursores do século XIX, tomamos partido dos genes e descartamos o resto? Como disse um colega bioquímico durante uma conferência para pais de crianças "com distúrbios de aprendizado", seria nossa tarefa demonstrar "como desordens moleculares levam a desordens mentais"?
Bem, deixe-me dar minha própria opinião. Em primeiro lugar, existe apenas um mundo, uma unidade material ontológica. A alegação de que existem dois tipos de coisas incomensuráveis no mundo, o material e o mental, induz todo tipo de paradoxo e é insustentável. Sem entrar em longos debates filosóficos, a simples observação de que manipular a bioquímica cerebral (com drogas psicoativas, por exemplo) altera as percepções mentais ou de que o sistema de imagem tomográfica indica que regiões específicas do cérebro usam mais oxigênio e glicose quando uma pessoa está concentrada, tentando resolver um problema matemático "mentalmente", mostra que, enquanto a personalidade é mais do que uma simples questão de fosfato, os processos que denominamos mentais e cerebrais devem estar ligados de alguma forma. Portanto o monismo dita as regras, e não o dualismo.
Mas isso não me coloca ao lado de Watson e Wilson. Há mais o que fazer para compreender o mundo do que simplesmente enumerar os átomos que o compõem. Para começar, existem as relações de organização entre os átomos.
Por exemplo, vamos verificar a ideia de uma sequência de palavras combinadas de modo a formar frases e parágrafos. Uma análise reducionista poderia decompor o mundo nas letras individuais, e estas nos componentes químicos da tinta preta sobre o papel. Tal análise seria abrangente; lhe diria a composição exata desta página; mas nada diria sobre o significado das letras organizadas em palavras, frases e parágrafos. Esse significado é aparente apenas em um nível mais elevado de análise, nível este que consideraria a distribuição espacial da tinta preta sobre o papel, o padrão existente na ordem espacial das palavras que aparecem na página e a relação sequencial de cada frase com a próxima do parágrafo. Interpretar esses padrões requer conhecimento linguístico, e não uma química específica. Portanto, esse novo nível mais elevado de análise requer sua própria ciência.
Outro exemplo, o estudo da mecânica dos fluidos requer o uso de propriedades tais como coesão e incompressibilidade para explicarmos fluxo, vórtice e formação de ondas, sendo que nenhum desses fenômenos é propriedade das moléculas que formam os líquidos. Semelhantemente, o cérebro possui propriedades tais como armazenamento e resgate de memória, que não são encontradas em uma célula individualmente. Esses aspectos qualitativamente variáveis de um sistema, em níveis diferentes, são propriedades emergentes, e a biologia está repleta delas.
Além disso, para que a ordem espacial das palavras na folha de papel tenha sentido, é preciso que também haja uma ordem temporal. Em escritas derivadas do latim, começa-se a ler a partir do canto esquerdo superior da folha, seguindo-se até o canto direito inferior da mesma. Inverter a ordem resultaria em puro absurdo. A ordem temporal e de desenvolvimento é uma característica vital em organizações e processos de nível elevado, o que não é necessariamente o caso dos sistemas de níveis mais simples, não podendo, portanto, ser vista através de um quadro reducionista. Digo mais: apenas os símbolos numa página não são suficientes; para entendermos algo em uma página de prosa, precisamos saber um pouco da língua e da cultura com as quais essa página foi elaborada, e dos propósitos para os quais foi escrita. (O que está nessa folha seria a taxonomia de um peixe, uma receita que estimule uma ode aos prazeres culinários mediterrâneos?) Um princípio importantíssimo da organização biológica é indicado por essa simples analogia. Nada em biologia faz sentido a não ser que esteja dentro de um contexto histórico, da história de um organismo individual (isto é, seu desenvolvimento) e da história da espécie da qual ele faz parte (isto é, a evolução).
De fato, a evolução pode ser considerada, sob alguns aspectos, a história dos eventos emergentes que deram origem a uma diversidade de organismos, de diferentes formas e comportamentos, que é uma característica tão evidente do mundo em que vivemos.
Explicar os rabiscos pretos sobre a página de um livro em termos químicos nos ajuda a entender sua composição; no entanto, não nos diz nada sobre seu significado como um conjunto de símbolos ordenados sobre a folha. Explicar não é o mesmo que esclarecer e nenhuma sofisticação química pode eliminar a necessidade de uma ciência mais elaborada que esclareça o sentido procurado. Além disso, o programa reducionista ingênuo oferecido por Watson e Wilson simplesmente não funciona na prática. Existem muito poucas moléculas elementares mais simples do que aquelas que compõem a água - dois átomos de hidrogênio combinados com um átomo de oxigênio formando uma molécula de água. Ainda assim, nem todos os recursos da física seriam suficientes para prever as propriedades dessa molécula através do conhecimento das frações dos elementos hidrogênio e oxigênio. A química nunca caberá por completo dentro da física, apesar de o conhecimento dos princípios físicos iluminar profundamente a química. E ainda menos caberiam a sociologia e a psicologia dentro da bioquímica e da genética.
Portanto, a despeito da unidade ontológica do mundo, nos resta, e sempre restará, uma profunda diversidade epistemológica. Na analogia bastante conhecida dos cegos descrevendo o elefante, existem muitas coisas, a saber, e muitos modos de aprendê-las. E temos muitos tipos de linguagem para descrever o que sabemos.
Vejamos um fato biológico simples, como a contração que ocorre nos músculos da pata de um sapo quando um choque elétrico é aplicado sobre eles ou sobre as fibras de um nervo motor. Para os fisiologistas, essa contração pode ser explicada em termos das propriedades estruturais e elétricas das fibrilas musculares, tal como observadas num microscópio e registradas por um eletrodo fixado na superfície do músculo. Para os bioquímicos, a célula muscular é composta basicamente por dois tipos de proteínas, actina e miosina, que formam moléculas interdigitadas e filamentosas; durante a contração muscular, os filamentos de actina e miosina deslizam uns sobre os outros. Numa linguagem mais simples, somos tentados a dizer que o deslizamento de actina sobre mio sina "causa" a contração muscular. Mas essa é uma maneira imprecisa e confusa de dizer. O termo "causa" implica que algo acontece antes (a causa) e a seguir desencadeia outra coisa (o efeito). Mas não é verdade que os filamentos de actina e miosina deslizam primeiro para depois ocorrer à contração muscular. Em vez disso, o deslizamento dos filamentos é o mesmo que a contração muscular, só que descrito em linguagem diferente.
E onde fica a dicotomia entre cérebro e mente sobre a qual comecei a discutir? O cérebro não "causa" a mente, como sugeriria o tolo materialismo mecânico (como o apito está para o trem a vapor), nem mente e cérebro são duas coisas diferentes, como afirmaria o dualismo cartesiano. Em vez disso, temos uma coisa, cérebro/mente, da qual podemos falar usando duas linguagens diferentes.
Um exemplo: uma das desordens mentais mais corriqueiras nos EUA e na Europa, hoje em dia, é a depressão. Por muitos anos, psiquiatras de orientação biológica, psiquiatras sociais e psicólogos têm estado em palpos de aranhas tentando encontrar as causas da depressão e sua cura. Ela é causada por desordens no metabolismo de neurotransmissores, como afirmariam os psiquiatras biológicos, ou pelas pressões intoleráveis do dia-a-dia? (Um dos segmentos com maiores predisposições para a depressão são as mães solteiras de baixa renda, vivendo em regiões urbanas, em condições de insegurança financeira e pessoal). No primeiro caso, a depressão deveria ser tratada com drogas que afetem o metabolismo de neurotransmissores; no segundo caso, o tratamento consistiria em atenuar as más condições sociais e pessoais que causam o distúrbio, ou preparar a pessoa para lidar com elas. Este é o tratamento indicado pela psicoterapia. Mas, a meu ver, estas formas de diagnóstico ou tratamento não são incompatíveis.
Se a psiquiatria biológica está correta, as pessoas deprimidas têm desordens nos neurotransmissores, e se a psicoterapia funciona, então à medida que alguém se submetesse a um tratamento psicológico e apresentasse melhoras na depressão a desordem nos neurotransmissores se autocorrigiria.
Uma pesquisa realizada num instituto psicoterápico de Londres, onde pesquisadores acompanharam pacientes durante um ano de tratamento indicaram resultados interessantes e muito bem delineados contra a grande hostilidade da parte dos psiquiatras e dos psicólogos. Essas pesquisas mediram tanto a classificação ou avaliação psiquiátrica quanto os níveis de um dado sistema neurotransmissor/enzima no sangue de pacientes com depressão por todo um ano. Os pacientes que davam entrada no instituto sentindo-se deprimidos (e eram classificados como tal no escore psiquiátrico) apresentavam níveis mais baixos do neurotransmissor do que os indivíduos do grupo de controle. Após alguns meses de tratamento psicológico, o escore depressivo havia melhorado e o neurotransmissor voltara a níveis normais. A mudança bioquímica e a psicoterapia caminharam lado a lado.
A linguagem mental não causa a linguagem cerebral, ou vice-versa, assim como uma sentença em francês não causa uma sentença em inglês, embora você possa traduzi-las de uma língua para a outra. E assim como há regras em uma tradução do francês para o inglês, existem regras numa tradução do neurologês para o sociologuês ou o psicologuês. O problema enfrentado pelos cientistas da mente/ cérebro seria então decifrar essas regras.

2.2 - Educação: Ênfase no Ensino/aprendizagem.

Nos processos do ensino aprendizagem os estados de mentitude são condicionados, potencialidos e despontencialidados de acordo com as mobilizações, de recursos humanos e físicos, estímulos ou desestímulos estéticos para a realização das diferentes praticas de agenciamento sistemático dos ato de aprender: seja pela reprodução de conteúdos, de sistematização de informações, de produção de análises, da criação e desenvolvimento de raciocínios, do bloqueamento e da potencialização das emoções, do bloqueamento e controle da movimentação e mobilidade corpórea, da ação do tato, da audição, da atenção, da memória de curto médio e de longo prazo, da criação e da criatividade aplicada....

São basicamente três grandes modalidade existentes no ensino aprendizagem e cada ma dispara e reprime potencialidades situacionais de Estados de mentitude:

1. Modalidade de Aulas Teóricas (Conexão de sentidos, Mobilização do Corpo: Estados de Mentitude: oralidade, escrita, corpo, atenção, sentidos)
2. Modalidade de Aulas Experimentais: (Conexão de sentidos, Mobilização do Corpo: Estados de Mentitude: oralidade, escrita, corpo, atenção, sentidos)
3. Modalidade de Aulas Demonstrativas (Conexão de sentidos, Mobilização do Corpo: Estados de Mentitude: oralidade, escrita, corpo, atenção, sentidos)

A pesquisa de campo visou destacar, identificar e analisar as singularidades de cada uma das mobilizações de estímulos e bloqueios de habilidades que condicionam um determinado cenário dominante de Estado de mentitude no ensino-aprendizagem nos processos singulares de aprendizagem nas diferentes modalidades: teóricas, experimentais e demonstrativas.
Para isso fizemos registros etnográficos sobre práticas e recursos utilizados e em diálogo com as recentes descobertas das ciências da mente, sobretudo, no que tange a memória, a cognição e a emoção, cada uma das modalidades.

2.3       - COMPLEXIDADE DOS ESTADOS DE MENTITUDE PARA A APRENDIZAGEM: Ênfase na singularidade em simultaneidade dos planos da realidade  micro e macro.

Ensino aprendizagem e os diferentes planos da realidade (unicidade do plano macro comportamental: visível, palpável, mobilizável.  Verificáveis no plano da realidade macro física.
 





Unicidade do plano micro cerebral – o célebro como uma entidade física bio-eletro-química altamente complexa em níveis diferentes de organização: 1m – sistema nervoso central do cérebro aos receptores; 0,1 m – sistemas de neurônios 0,01 m – mapas; 0,001m – redes 0,0001 m – neurônios; 0,000001 m - sinapses 1 A (Angstron) – moléculas [neurônios, gliais, localização das redes neuronais, localização memória, mapeamento do tráfico das emoções, mapeamento das habilidades sensórias, movimentações corpóreas, linguagens informacionais e químicas, redes comunicacionais, individuação neuronal,...].

Com uma simultaneidade complexa (dialogamos em simultaneidade com o plano macro e micro da realidade atento as singularidades em simultaneidade), diferenciação e complementação de cada plano da realidade observada.
Para isso foi preciso mesclar temáticas na simbiose dos planos da realidade micro e macro no ensino aprendizagem. Procuramos potencialidades de diálogos significativos entre os planos macro e micro nos Estados de Mentitude para a educação na atualidade.
Então do ensino-aprendizagem no plano da macro realidade comportamental (individual e social, corpo, comportamento,...) e do plano do micro comportamento inconsciente da ocorrência das  implicações na macro realidade. Nosso foco se deu:

  1. Sobre os sentidos nos estados da mentitude: São apenas 5? Quais os limites, o que onde e quando se potencializa e ou despotencializa a amplificação sensorial? Amplificação sensorial pela simbiose entre os sentidos? Qual o lugar da emoção no ensino formal?

  1. A problemática da memória e do esquecimento: A complexidade reside no esquecimento, no aprender a esquecer e não no aprender a lembrar; os tipos de memória (operacional, de médio e de longo prazo); sobre a significância da emoção para a memória;

  1. O problema do reducionismo informacional; da redução da abordagem computacional da mente; a complexidade da linguagem mental, o reducionismo da modelização material absoluta dos conteúdos; a mente computacional e a síndrome de Frankenstein;

  1. O problema da padronização e a importância diversificação procedimental para a ação coletiva na individuação (individualizar versus individualismo); da padronização em busca de médias comportamentais para o detalhamento heterogêneo dos procedimentos, dos estímulos estéticos, inclusive os ambientais;

  1. A necessidade de potencializar a heterogeneidade e a diversidade dos diferentes estados de mentitude individuais e coletivos nos processos de ensino-aprendizagem; a importância dos detalhes, do planejamento estético; a valorização da incidência das insignificâncias no aprender; os limites e potencialidades da sala de aula, os limites e potencialidades dos déficits de presença nas modalidades de ensino à distância; a significação da vivência presencial para a complexa maturação emocional;

  1. A problemática do aprender pelo espelhamento (reprodução) e a criação, quando o novo é novo? Produção de insigths e racionalizações; criação e criatividade aplicada. A significância da experimentação reflexiva.


3 – Sistematização Final

Atualmente existem nas falas e nos silêncios das ciências da mente e neurociência sobre a possibilidade de cooperação e busca de soluções para as questões dos dualistas que separam o corpo da mente e maior diálogos com os monistas que não admitem sua separação e, até os trialistas, – não muitos infelizmente - que além do corpo e da mente criaram a esfera do mundo da cultura (ecossistema).
Na própria ciência, há muito que o mecanicismo é coisa do passado. As leis rigorosamente deterministas de Newton ainda se aplicam a uma faixa estreita da realidade física, mas já não estão no centro do pensamento físico. Também como modelo mais geral da realidade, o mecanicismo revela-se hoje extremamente limitado. Nas palavras do escritor dominicano Thomas Berry, atualmente julgamos que, sob a sua influência que  “a mente humana viveu nos limites mais estreitos que já experimentou”.[1]
Freud é monista como Golgi, Pavlov, Cajal,  Golgi (profeta do conceito de sinapse), Bralemberg, o espanhol Furter e tantos outros.
Os dualistas como Descartes (mais conhecido deles), Sherrigton (que demonstrou o conceito de sinapse); Eccles prêmio nobel, Popper... Muitas vezes o silêncio serve para identificar os neurocientistas como dualistas (cérebro -físico x mente -alma).
As teorias da mente se dividem em três diferentes formulações: 1) holistas – que acreditam que a mente é um problema não demonstrável; 2) Pessimistas – ainda estamos num momento muito difícil que falta saber elementos significativos e claros; 3) Realistas que afirmam que já existem soluções importantes sobre o problema da mente e que o problema é compreendê-la.
Hoje muitos neurocientistas conhecidos que estão recuperando o Freud fisiologista, principalmente, o Freud do fim da vida. Famoso monista, mas que nos blindou com a descoberta do imenso inconsciente qe nos governa. Um dos mais conhecidos teóricos neurofreudianos é o português Antônio Damásio. Esses teóricos acreditam que é possível recuperar muitas idéias de Freud ainda que não se possa explicá-las ainda cientificamente[2].
Pensamos não apenas que é possível estudar, conhecer e demonstrar nossos conhecimentos sobre a mente, como também é necessário envolver o estudo da mente numa abordagem mais ampla da ecosfera educacional nas sociedades contemporâneas para também sugerir novas perspectivas e caminhos para a produção social e a produção do própria de conhecimento.

4 - Conhecimento contexto histórico e verdade:

Mesmo uma pretensa análise da realidade infinita que uma mente humana finita pode realizar repousa na presunção tácita de que somente uma porção finita dessa realidade constitui objeto de investigação científica.

Sorrimos complacentes para Aristóteles quando ele propõe uma causa eficiente e uma causa final para os terremotos; Troveja o céu por ser preciso que haja silvos e bramidos quando o fogo (interno da Terra) é extinto, e também (como sustentam os pitagóricos) para ameaçar as almas no Tártaro e enchê-las de medo.[3]
Aristóteles é apenas mais uma vítima da influência do tempo e da história sobre o conhecimento. Esse é um dos papeis da Educação, colocar em contato a exposição do conhecimento coma vida social.
Francis Bacon. Empirista britânico, que nos primórdios da ciência moderna no Século XVII foi um dos primeiros a sistematizar o método científico por inferência indutiva demonstrou logicamente a existência de sete planetas no cosmos a partir de várias aparições do número sete no cenário epistemológico da cultura européia do Século XVII.

A verdade depende dos sentidos ou apenas da razão? Quantos sentidos possuímos? Como eles operam quando acontecemos no mundo juntos e ou separados? Antes da dissecação do corpo para estudos empíricos só o visível é real. Depois acreditamos que só o que víamos dissecados era real. Nada de energia, muito menos elétrica. Nada era visível. Os cientistas dissecavam o corpo abrindo um motor. Só poderiam mesmo ver as peças, as amarras, as juntas, o líquido parado. A película dessa energia misteriosa que opera em simbiose o corpo não era detectável aos olhos curiosos. Sentidos era apenas a interação física entre os buracos que conectavam o mundo interno da máquina corpórea ao mundo externo visível. Vejamos um ilustre e muito importante cientista inglês defensor da verdade empírica Francis Bacon:

“Há sete janelas dadas aos animais no domicílio da cabeça, através dos quais o ar é admitido no tabernáculo do corpo, para aquecê-lo e nutri-lo.
Quais são essas partes do microcosmos? Duas narinas, dois olhos, dois ouvidos e uma boca. Da mesma forma, nos céus, como num macrocosmos, há duas estrelas favoráveis, duas desfavoráveis, dois luminares e Mercúrio, indeciso e indiferente. A partir dessas e muitas outras similaridades na natureza, tais como os sete metais, etc. que seria cansativo enumerar, concluímos que o número de planetas é necessariamente sete”.[4]

O conhecimento envolvido apenas em práticas educativas escolares implicou numa rigorosa separação entre o mundo da vida social e do sujeito que investiga e aprende de um lado e o objeto ou objetos dos conhecimento de outro, bem como, implicou numa divisão rigorosa e seriada entre campos do saber da ciência, da filosofia e da arte impedindo uma adequada aprendizagem que envolvem os processos integrativos desses campos no conhecimento.
Existem genericamente duas maneiras de tratar o conhecimento para os que separaram o sujeito do objeto. A primeira é o idealismo e a segunda o empirismo.
No idealismo o conhecimento é produzido a partir das condições a priori existentes no sujeito cognoscente, que vai indagar o objeto, para nomeá-lo, classificá-lo, enfim, para conhecê-lo, adaptando-o às suas condições inatas. Há uma longa trajetória do pensamento ocidental de Platão, Hegel e Descartes, onde a razão é entendida como “a faculdade essencialmente humana”.
No empirismo, o objeto produz no sujeito o conhecimento a partir das exigências que eles estabelece no seu meio. Nesse sentido, não há condições a priori para que haja conhecimento, mas sim, que a razão forma-se pelo conjunto do sujeito com a realidade exterior. (John Locke, George Berkeley e David Hume).
Como se a mente fosse um papel em branco, desprovido de qualquer caractere, sem nenhuma ideia ou vida interna, não consciente e muito menos visível. Pela prática da experiência que a mente seria preenchida, através de um estoque de variedades de informações e conhecimentos.
Essa visão dualista, racionalismo e empirismo, sujeito e objeto, natureza e cultura ajudou a difundir por especializações uma produtividade intensa do conhecimento, mas trouxe muitos problemas para nosso entendimento do mundo.
Tanto idealismo pode estar correto quando afirma que há condições a priori que caracterizam o pensamento como o empirismo pode também estar correto ao afirmar que o conhecimento só acontece nas experiências ocorridas no meio externo.
O importante discutir aqui não é se uma concepção sobrepuja a outra, mas analisar os problemas nessas formulações epistemológicas dualistas. Seja no idealismo, seja no empirismo, permanece a separação entre sujeito e o objeto do conhecimento.
O processo de conhecimento é dinâmico e de certa forma tautológico. Só é possível se conhecer o conhecido, isto é, o homem só conhece o que ele próprio pode entender o mundo que ele acontece, e não um homem reduzido em si mesmo e fora de um mundo que está fora dele. Nesse processo, porém, o conhecimento vai recebendo as influências da cultura que o homem cria e onde também é criado, formando uma circularidade de mútua dependência. A história da cultura depende do conhecimento que o homem constrói sobre ela, da mesma forma que sua razão de ser humano decorre do fato de ter nascido no meio social que vai marcar sua condição de humanidade.
Ao separar o sujeito do objeto, estabelecemos uma concepção de universo que só é possível existir ou realizar nas deferentes ações que nasçam do sujeito ou que sejam impregnadas pelas experiências acontecidas o seu meio. É como seno Universo não existisse conhecimento sem o pensamento humano.
Uma visão antropocêntrica que denunciei, muito antes mesmo de iniciar minhas pesquisas com cérebro, aprendizagem, reabilitação: 

... A terra girou para nos aproximar. Não gira como nos indicou a “revolução copernicana”,* que nos revelou estranhamente, que nosso planeta gira, mas que o homem não. Muitos e muitos cientistas do mundo ocidental centraram-se nessa crença, na qual renascia um potente, ainda que imóvel, e poderoso homem decifrador moderno.
Agora, o moderno homem imóvel - ao centro, muitas vezes acima e, quase sempre, ausente - construiu um sistema de mundo já dado como estruturado, sem diferenciação de espaço e sem tempo. Portador de uma linguagem geral – da ciência moderna – descreve e traça as linhas de particularidades do cosmos, revelando as leis da natureza e a funcionalidade dos objetos e das coisas.
Surgem massas inanimadas atravessadas por forças de interação gravitacional em movimentos e trajetórias circulares e elípticas, que vão até ao infinito do finito. Ao mesmo tempo, desconsidera as diferenciações do espaço, a presença perturbadora do tempo e os efetivos limites constitutivos do mundo natural.
Junto com a prepotência racional dos modernos e a cada grande explicação do mundo, revelávamos seus segredos mecânicos de funcionamento e desnudávamos pequenas e grandes descobertas, mas deixávamos de ver-nos juntos e dentro desse mesmo mundo.
A ampliação de nossa prepotente visão do mundo era proporcional ao tempo do longo sono que dormimos tranqüilamente junto com os modernos cientistas e, assim, éramos também incapazes de junto com eles, pensarmos acordados, ou seja, estávamos acima e, ao mesmo tempo, ausentes desse mesmo mundo que pensávamos estar revelando.
No entanto, uma perturbação ronda o tranqüilo sono da ciência. Descobrimos, agora, que estamos imersos simbioticamente nesse giro copernicano, que fazemos parte dele e giramos juntos com a Terra, dentro de um iô-iô cósmico em expansão e dispersão, em complexa auto-organização. A Terra gira ao redor de si mesma e também dentro de nós, unindo-nos, finalmente, nesse fantástico sonho de vivermos a vida numa dança cósmica. (Gilson Lima, 2005: 05). [5]

Assim homem moderno descobriu que o mundo em que ele acontece gira. Porém, esqueceu que ele gira junto em symbios com esse mesmo mundo para a evolução da nossa espécie viva ou para sua degradação.
Para os modernos, todo o conhecimento par ser verdadeiro, deve ser reproduzido em diversas instâncias e em diversas formas que compõem a realidade e, se possível, repetido universalmente, garantindo seu nome, sua classe e sua série. Somente a ciência poderia realizar essa tarefa, procurando e demonstrando hipóteses operadas por um rigoroso raciocínio lógico, utilizando, sobretudo, o poder da matemática que se tornou praticamente a linguagem da natureza.
Hoje, podemos verificar um encéfalo em plena vitalidade através de sofisticados métodos que permitem ao mesmo tempo verificar a dimensão complexa singularidade da dimensão microfísica da realidade cerebral em simultaneidades com uma complexa ação macro física comportamental. Isso tem implicações de vulto para a ciência da mente.
Entrar o cenário epistemológico da complexidade implica em compreender que o conhecimento, qualquer que seja ele, é limitado e não oferece garantia absoluta de compreensão completa e definitiva da realidade.
O que concluímos é que precisamos de um novo pensar profundo sobre viver em sociedade e como educar numa sociedade complexa. Também precisamos de novas práticas educativas para a produção de conhecimentos borrados em diferentes saberes e com integração potencial da arte e da ciência.
A sociedade do conhecimento, que vive cada vez mais da economia do conhecimento necessita de novas práticas contaminadas de compreensão profunda das singularidades e diversidades do humano e do não humano, do aprofundamento das limitações de nossa existência viva através de nossa cultura e crenças.
O futuro pertencerá sempre aos sonhadores. Aqueles que teimam em querer ser mais do que a realidade presente nos apresenta.

Palavras Finais

Nosso complexo encéfalo[6] está – quase todo - em formação sempre.
Nosso encéfalo então nasce, cresce, desenvolve e degrada-se como qualquer órgão corporal, mas sua plasticidade é surpreendente. Mesmo quando fisicamente para de crescer, não para de complexificar-se.[7]

Nosso encéfalo é uma estrutura física complexa. É uma realidade biofísica que é orgânica, molhada, úmida, não é uma realidade seca e morta. Quando está vivo e em plena atividade (vitalidade) nosso encéfalo é também envolvido por uma sofisticada rede elétrica de circuitos e de comunicação informacional e de pensamentos que fluem numa velocidade impensável para nossos medidores atuais, apesar de operar em baixa frequência medida em hertz, mas é também uma rede de comunicação química e, o mais interessante não é um órgão estático.

Assim como no Universo, muito do ingrediente básico da vitalidade de nosso encéfalo é a energia, uma energia em constante movimento, gerando atividade elétrica. No entanto, mesmo sendo a velocidade do pensamento atualmente imensurável, nosso encéfalo produz um sinal eletromagnético razoavelmente de baixa frequência medida em hertz num eletroencefalograma. O mais forte dos sinais eletromagnéticos do corpo humano é gerado pelo coração. A intensidade do sinal do coração é 40 a 60 vezes mais intensa do que a do cérebro. O entanto a simbiose energética em nossos estados de mentitude é bem complexa. Emoções negativas como medo, frustração, raiva ou tensão diminuem intensamente a coerências das ondas eletromagnéticas do coração.

Isso faz com que o sistema mente-corpo perca energia. Emoções positivas como amor, cuidado, compaixão e estima, ao contrário, aumentam a coerência dessas ondas. O equilíbrio e o desequilíbrio entre apenas esses dois subsistemas (encéfalo e coração) é extremamente significante também para a geração das memórias de longo prazo.

Acontecemos no mundo em symbios, ou seja, juntos e no mesmo momento com nossas emoções, nossos medos, motivações e desejos. Não existe nessa simbiose viva separação entre o real e o virtual, entre o tempo real e o tempo histórico. Tudo é real sempre quando acontecemos no mundo. Existem diferenças significativas entre os cérebros singulares e entre o mundo dos cérebros de crianças, jovens adolescentes aos adultos e suas neogêneses e limitações de reprogramações hormonais. Porém, a mente, os estados de mentitude estão envolvidos numa simbiose complexa com o mundo que acontecemos e no momento em que acontecemos.

Viver em estado permanente de embrião é termos sempre presente a deformação do nosso próprio embrião. Isso nos torna, ao mesmo tempo, fragilizados e potentes na escuta do sensível diante dos atravessamentos do mundo. Os adultos são supostamente pessoas acabadas, fechadas, construídas. Os adultos são tentados pelos jovens com as suas imperfeições, com as suas irresponsabilidades e com as suas capacidades de se aventurarem frente ao novo – até mesmo ao leviano.[8]
É na metamorfose da forma – que tenciona mudar a própria forma – que encontramos o segredo da escuta do sensível. Ao estarmos colados à nossa própria forma, o mundo reduz-se e submetemos nosso viver a uma constante escassez de mundo.
A abordagem da mente é indissociável e inseparável da sua dimensão física é fundamental para entendermos os estados de consciência e a imensidão do inconsciente em complexidade. Nenhuma variável é separada da outra. Como nos diz, Roger Penrose (físico, matemático, filósofo da ciência), nossos cérebros não são computadores. Nossos bio fótons se encontram em esboroamento de sistemas e não se reduzem a variáveis isoladas. O pensamento é um sistema complexo não separado da auto-organização da matéria, ou seja, a imaginação pensante não se reduz à energia mental elétrica e mecânica produzida por seus processos de ligações e religações ondulatórias subjacentes. Pensar é exercitar trocas e lutas em auto-organização produtiva do pensamento também integrado no mundo e na natureza.
As ondas captadas e radiadas pela matéria cerebral permitem interpretar e auto-organizar a realidade pela consciência, isto implica que o vir a ser da auto-organização não é separado da matéria cerebral. A linguagem não pode ser separada das partículas e corpúsculos de ondas e bio fótons geradores de consciência. O cérebro é matéria formada por ondas que pela complexidade auto-organizada dessa mesma matéria e espírito torna-se consciência. O cérebro permite a matéria se auto organizar em consciência é uma gênese complexa do processo organizacional (sociologia, ecologia, física,...).

Todavia, é necessário estarmos atentos ao que nos lembra Baudrillard que o novo também assume máscaras para se camuflar, de que vivemos num mundo onde cada vez mais existe informação disponível e cada vez menos sentido[9]. Por que então uma forma se esconde? Camufla-se? O que a forma aprisiona?

Aqui se encontra um dos maiores desafios da imaginação criativa: liberar a vida e não deixá-la ser novamente aprisionada, ensurdecida e cega – onde ela se encontra escravizada; devolver a criação estética da existência e não apenas enclausurar aprisionar a arte de viver em locais que expressam muito bem o que nos lembrou o falecido músico e poeta Cazuza: “num museu de grandes novidades”. Clausuras que querem nos retiram do espaço público efetivo e nos impõe a convivermos em novas ou em velhas instituições de prisões, como shopping centers, condomínios fechados, guetos e novas tribalizações plastificadas onde multidões enchem “templos” de consumo em ajuntamentos protegidos dos reais e efetivos ruídos e choros de um mundo industrial que ao mesmo tempo em que se decompõe e precariza seu tecido social permite que de sua crise de realização complexa não emerja o novo e que apenas nos impele a aderir e emoldurar o “novo” em novas  petrificadas subjetividades que são muito artificialmente fabricadas.[10]

Enfim, para preservar um estado de inacabamento embrionário, temos que romper a segurança das fortalezas que nos aprisionam e reencontrarmos a significância da fraqueza reveladora da força criadora. É preciso enfrentar, para isso um tipo específico de gorda saúde cognitivista, conteudista, auto-suficiente, pronta, construída que é uma doença que nos deixa anestesiados e reducionistas, ou seja, nos torna em seres escassos dos ruídos do mundo.[11]





[1] BERRY, Thomas. The Dream of the Earth. São Francisco: Sierra Club Books, 1990, p. 134.
[2] Saiu uma matéria sobre essa recuperação do pai da psicanálise Freud, como neurologista. o para a neurologista, na American Scientific número 25, junho de 2004. O interessante é que a matéria foi seguida de uma outra produzida por J. Allan Hobson afirmando taxativamente de que continua bastante suspeito para a neurologia. O que demonstra o grande receio que Freud ainda provoca na comunidade científica acadêmica.
[3] GOULD, Stephen. Jay. Seta do Tempo, ciclo do tempo: mito e metáfora na descoberta do tempo geológico. São Paulo: Companhia das Letras, 1991: 81.
[4] Francis Bacon: Selection of his Works. Citado in: ALVES, Rubem. São Paulo: Edições Loyola, 10ª Edição. 2005: 16.
* Relativo a Nicolau Copérnico, astrônomo polonês que publicou sua obra maior "Das revoluções dos corpos celestes". Nessa obra, diferentemente da tese adotada pela Igreja Católica durante toda a Idade Média, de que a Terra era o centro do Universo e era fixa, Copérnico, defendeu a teoria de que a Terra se move em torno do Sol e não o contrário.
[5] LIMA, Gilson. Nômades de Pedra: teoria da sociedade simbiogênica, 2005: 05. Porto Alegre: Escritos, 2005. P. 05.
[6] Importante: Falar em encéfalo em vez de cérebro aqui é proposital, pois por um problema de tradução para o português o encéfalo foi reduzido ao cérebro, deixando de lado assim a pequena medula espinhal e quase um terço do encéfalo que é composto também pelo cerebelo.
[7] Alguns neurocientistas defendem e demonstram também o fenômeno da neurogênese. Trata-se da possibilidade de mesmo quando adulto o encéfalo criar até mesmo novas células neuronais. Já sabemos que os caminhos e os trajetos de conectividade especialista que envolvem as intrincadas conexões neuronais podem ser alteradas, mas trata-se, nesse caso, de uma ideia onde neurônios que padecem, possam ser também substituídos por novos, o que dotaria o encéfalo de ainda mais complexidade e os estados de mentitude de um elevado e permanente estado embrionário.
[8] LIMA, Gilson. Nômades de Pedra: teoria da sociedade simbiogênica, 2005: 05. Porto Alegre: Escritos, 2005. P. 329.
[9] BAUDRILARD, Jean. Simulacro e Simulação. Lisboa: Relógio d’ Água. 1991, p. 104.
[10] LIMA, Gilson. Nômades de Pedra: teoria da sociedade simbiogênica, 2005: 05. Porto Alegre: Escritos, 2005. P. 308-309.
[11] PALBEART, Peter Pál. A Vertigem por um fio: políticas da subjetividade contemporânea. São Paulo: Iluminuras, 2000, p. 63-65.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

MACACÃO Kowalsky


Meu novo canal do YouTube como músico (cantor, compositor). Se gostarem compartilhe com seus amigos. https://youtu.be/NAv6PpLA8lM via @YouTube