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domingo, 23 de junho de 2013

Uma nova matriz civilizatória é possível?

Gilson Lima. Esse texto foi escrito informalmente logo após o acontecimento de 11 de setembro de 2002. Reproduzi o fragmento - sem revisões de erros ortográficos ou os novos incrementos que recebeu no meu Livro: Nômades de Pedra, 2005 (esgotado).  

“Lá no coração da floresta, longe de tudo que se conhece, de tudo o que você aprendeu na vida em escolas, livros, música e rimas você encontra a paz, a afinidade, a harmonia e até segurança. Um dia em uma cidade grande é muito mais perigoso que qualquer outro nestas florestas. Da para você entender?”
(Roteiro do filme americano: Instinto).

Nada é mais selvagem do que a civilização moderna; na verdade, é mais perigoso se viver um dia em Nova York do que quinze na Selva Africana. Entendeu?


As grandes mudanças na história civilizatória ocorreram na união de duas questões: a primeira é a existência de grande(s) acontecimento(s) e a segunda é quando por causa desse(s) acontecimento(s) várias forças sociais e tecnológicas se juntaram para criar uma nova “matriz operacional” nessa mesma civilização.
Primeiro vamos a um pequeno esclarecimento, o que estamos entendendo por acontecimento. Foi Bruno Schultz que melhor tratou sobre isso, ele escreveu um livro chamado "Sanatório”, onde introduziu uma distinção primordial entre fato e acontecimento .
Os fatos são a velha maneira moderna de encapsular a realidade, mensurá-la pela coisificação estática, onde são ordenados no tempo e dispostos em seqüência como uma fila. Eles – os fatos - agrupam-se apertados e pisam uns nos calcanhares dos outros. Suas almas serão marcadas sempre pela continuidade e sucessão. Cada fato tem uma passagem, tem seu lugar reservado para sua viagem no trem da história.
Como todos bem sabem, para manter o trem no trilho da história é necessária uma meticulosa assistência disciplinar, um apurado e detalhado controle. Privado desta assistência controladora, a imersão na realidade vital fica propensa quase totalmente a transgressões, travessuras irresponsáveis, palhaçadas amorfas. Ao não exercermos vigilância nesse trem da história engatilhada por vagões factuais, ele – o trem - descarrila, vira turbulência, cria suas travessuras.
Os acontecimentos, ao contrário, são múltiplos fragmentos que chegam atrasados na estação desse trem factual, não foram encapsulados e perderam o trem da história. Os acontecimentos quando chegam na estação já ocorreu a distribuição das passagens não podem ser explicados como fatos ou apenas pela mensuração dos fatos, por isso, não possuem nenhum lugar no trem da história.
Os acontecimentos também não são contrabandos que encontram lugares clandestinos nos vagões. Na verdade, eles não cabem no trem, estão condenados a pairar errantemente sem lar, suspensos no ar. O tempo regular, cronológico é estreito demais para abrigá-los.
Podemos também nos perguntar: mas os acontecimentos se dão ou não no tempo? Como, se instalar no acontecimento? Para compreendermos esses dilemas, é necessário aderirmos a uma multiplicidade de planos, como se mergulhássemos na própria atualização de tudo que acontece, como somos muito limitados é como se mergulhássemos no vapor, no que escapa ao corpóreo, uma simulação imaginante. O acontecimento suga os fatos, é mais que a soma deles,  possui uma eterna juventude que não se situa no tempo cronológico, ou seja, é imemorial, não é localizável no tempo factualizado.
O acontecimento é como um vapor que se eleva. Mergulhar nele é como dar um salto numa piscina de vapor. Eles não são como um fato que é um estado ou capturas de registros sobre as coisas; é incorporal, da ordem do imemorial. No plano do acontecimento, não é possível mapearmos sua localização específica, pois ele não é localizável, não é apenas os fatos que aconteceram no fatídico dia 11 de setembro nos Estados Unidos da América.
Urge uma inovadora resignificação do entendimento do acontecimento, para que possamos nos tornar efetivamente contemporâneos no presente.
Comecemos então por verificar a partir do impacto com cinco fios principais que estão a compor a emergência de uma nova matriz operacional das sociedades multiculturais e simbióticas - (RIFKIN, 1999) . Juntos, eles (esses fios) estão a permitir tecermos uma estruturação complexa capaz de emergir – até mesmo – um novo tecido para uma nova era civilizatória.
Vejamos:

1. A desmaterialização da vida. A sociedade industrial concebia e concebe o corpo imerso no conceito da vida como uma energia indissociada desse mesmo corpo, ou seja, vida e matéria são uma unidade indissolúvel. Para a sociedade industrial foi o que envolveu e o que envolve a capacidade deste mesmo corpo de produzir trabalho. O corpo, neste sentido, também a vida, deveriam submetererem-se a um programa de disciplinamento capaz de revelar suas capacidades energéticas de ordem neuromuscular e de exercícios mentais disciplinados e objetivos ligados, sobretudo, à memória, tratando a informação, também como insumo material (estoque de dados a serem analisados) para a sua gestão organizacional. Hoje, entretanto, com a sociedade imersa na aceleração tecnológica e no domínio do técno-poder, as ações do corpo são ampliadas tanto pelas conquistas realizadas pelo domínio da informação digital como pelo domínio da informação genética. Do ponto de vista da informação digital, isto se dá perante a integração da vida a recursos de múltiplas máquinas cognitivas, ou seja, diferentes tipos de artefatos físicos e softwares numéricos que nos permitem, como telenômades, comunicarmo-nos acessarmos e produzirmos conhecimentos a distância na velocidade da luz. Assim, ampliamos enormemente nossas capacidade de memória física e gráfica, bem como, múltiplos processos interativos de suporte à produção de conhecimentos. Do ponto de vista da informação genética, isto se dá perante a capacidade que adquirimos, pela primeira vez na história da humanidade, de manipularmos um volumoso e poderoso estoque bruto de dados genéticos independentes da matéria viva (infogenes), tornando possível, posteriormente, isolarmos, identificarmos e recombinarmos esse estoque bruto de informações. Essas conquistas estão estabelecendo, cada vez mais, uma simbiose da vida e da mente humana com o ambiente inorgânico dominada, atualmente, por lascas de silício. Isso nos leva a uma profunda ruptura sobre o entendimento da vida e da morte, da sua criação e da sua reprodução. A vida desmaterializa-se; ela é manipulada fora da matéria e estocada fora do corpo material. O corpo passa a ser visto como suporte material da vida e não mais como parte intrínseca dela. Vivemos a ruptura com o paradigma societal que emergiu a partir da conquista ocidental moderna, sobretudo, a sociedade industrial e os sustentáculos de seus fios operacionais.

1. Desmaterialização da economia e a emergência do biopoder. A vida desmaterializada passou a ter donos. A vida pela primeira vez na história humana é um instrumento patententeável. Proliferam-se práticas de patentes de genes, de linhas de células, de tecidos geneticamente desenvolvidos, de órgãos e organismos, bem como, de processos e metodologias utilizadas para alterá-los. Isso implica na criação de um novo e produtivo insumo para o mercado: a vida.
Esse processo iniciou-se em 1971, quando Ananda Chakrabarty, um microbiologista indiano, na época um funcionário da General Eletric (G.E.), solicitou concessão de patente, junto ao PTO (U.S. Patents and Trademark Office - Instituto Nacional da Propriedade Industrial dos Estados Unidos), para um microrganismo geneticamente construído, projetado para devorar derramamentos de óleo nos oceanos. O PTO recusou a concessão, alegando que seres vivos não são patententeáveis, de acordo com a Lei de Patentes norte-americana. Chakrabarty e a General Eletric apelaram a decisão ao Court of Customs and Patent Appeals (Tribunal de Tributos Alfandegários e Patentes), onde, para surpresa de muitos observadores, ganharam por uma estrita diferença de três a dois. Na opinião da maioria desse Tribunal, o fato de microrganismos serem seres vivos não era algo legalmente significativo, eles defendiam que os microrganismos patenteados eram mais semelhantes a composições químicas inanimadas do que a cavalos, abelhas, framboesas ou rosas, ou seja, consideravam o microrganismo mais próximo de um produto químico do que um cavalo. Esse processo ainda vaguearia pela Suprema Corte Norte-americana onde recurso impetrado pelo PTO sobre a decisão do Tribunal tocou no âmago da questão, ou seja, do valor intrínseco da vida e do seu significado. Os defensores desse recurso defendiam que a vida em qualquer nível deveria ser entendida como vida e não como um produto. Entretanto, em 1980, pela primeira vez da história humana, por uma estrita margem de cinco votos a favor para quatro contras, os juízes da Suprema Corte Norte-americana decidiram a favor de Chakrabarty, concedendo patente à primeira forma de vida geneticamente construída. Falando em nome da maioria, o juiz William Brennan, o juiz-presidente, argumentou que a decisão teve por fundamento, não a distinção entre seres vivos e objetos inanimados, que para eles não era relevante, mas, a consideração se os microrganismos de Chakrabarty eram ou não uma invenção humana. Essa decisão deu embasamento legal à marcha que se acelera cada vez mais em ritmos alucinantes para a privatização e comercialização do domínio da eugenia frente ao ecossistema e as derivações de seus sistemas sociais. A comunidade financeira, acostumada a tirar proveito da exploração da matéria manufaturando-a industrialmente, imediatamente reagiu ao que podemos considerar o batismo legal da biotecnologia, transferindo e migrando enormes volumes de recursos financeiros para a aquisição de nanicas experiências genéticas escondidas em porões. Os analistas de Wall Street chegaram a comparar o nascimento da biotecnologia como um evento tão importante para a humanidade como foi a descoberta do fogo (RIFKIN, 1999) .
Assim, por mais de uma década, a luta pelo controle dos recursos naturais da biodiversidade tem dominado a pauta das reuniões da United Nations Foot and Agriculture Organization (Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas). A agenda de debates tem girado principalmente sobre a possibilidade de os países industrializados do hemisfério norte acessar e manipular os biorrecursos naturais localizados em países ou nações de baixa capacidade de domínios tecnológicos, sobretudo e, principalmente, os localizados no hemisfério sul, onde ainda existem escassas populações indígenas, mas com ricas características genéticas, bem como, uma qualitativa biodiversidade, que ainda insiste em sobreviver ao genocídio desenvolvimentista da industrialização, as quais podem ser encontradas, principalmente, nas ainda densas formações florestais como a Floresta Amazônia. É o início da maratona global visando demarcar  e patentear o patrimônio genético do planeta, ou seja, da odisséia para delimitar e privatizar, para fins de mercado, todos os grandes ecossistemas que compõem a biosfera terrestre.
Isso implica, sobretudo, aos cientistas, tecnólogos e às empresas biotecnológicas a localização, manipulação e exploração de recursos genéticos para fins econômicos. Apenas para citarmos algumas, basta lembrarmos das pioneiras e muito conhecidas empresas de biotecnologia como as: Amgem, Organogenesis, Genzyme, Calgene, Mycogen e Myriad. Só nos Estados Unidos já existem 1,3 mil empresas de biotecnologias, com um total de 13 bilhões dólares de rendimentos anuais e 100 mil empregados. Para termos uma idéia, já existem no início deste século dezenas de megaempresas que possuem a biotécnica como sua atividade fim, entre elas as conhecidas: Du Pont, Novartis, Upjohn, Monsanto, Eli Lilly Rohom e Hass, Dow Chemical etc.
A mundialização do comércio, a flexibilização das fronteiras para a circulação de informações, conhecimentos e integração tecnológica em tempo real dos mercados tornaram-se possíveis, gerando o nascimento de uma nova gênese vital. A biosfera natural da Terra passa a conviver com uma outra gênese vital, biotransformada, concebida em laboratórios e artificialmente desenhada para substituir o esquema revolucionário da vida natural. Uma economia global de ciência da vida começa a dominar, sem precedentes, os vastos recursos biológicos do planeta. Áreas de ciências da vida que vão da agricultura à medicina estão se consolidando sob a proteção de gigantescas empresas da “vida” nos mercados biotecnológicos emergentes. É interessante verificar que a defesa de populações nativas, florestas tropicais como a Amazônia, por exemplo, são defendidas tanto pelas empresas biotecnológicas como por ecologistas. Entretanto, enquanto as primeiras defendem taticamente sua preservação até a finalização do seu mapeamento genético visando identificar e isolar as ricas e específicas características genéticas para realizarem futuras manipulações, simbioses e, até mesmo, como estoque informacional de reserva defensiva diante das experimentações genéticas que já estão sendo realizadas; enfim, os biotecnólogos defendem, na verdade, a captura e o encapsulamento do estoque informativo genético. Os ecologistas, diferentemente, defendem a bioesfera natural, os nativos indígenas com suas culturas e conhecimentos específicos, as formações florestais e a preservasão física da biodiversidade natural sobrevivente do genocídio industrial. Os megaempreendimentos e os empreendedores da bioeconomia, após completarem os levantamentos bioinformacionais, após conquistarem seus banco de dados genéticos, muito certamente, não se interessarão mais pelo discurso preservacionista, bem ao contrário, a destruição da camada bruta da natureza vital poderá significar, até mesmo, um poderoso domínio privativo dos biorrecursoss com grande potencial inventivo sobre os que poderão vir a necessitar desses biorrecursos no futuro.


3. A emergência da civilização da eugenia . O mapeamento de aproximadamente 37 mil genes que compõem o genoma humano implica em novas descobertas sobre seleção genéticas, incluindo, como vimos, a intensificação de criação de chips de DNA e simbioses entre sistemas orgânicos e inorgânicos. Viveremos ainda mais a aceleração das experiências como a da terapia genética, a engenharia de ovos humanos, de espermas e de células embrionárias. O projeto genoma prepara o terreno para a explosão da alteração da espécie humana e o nascimento de uma civilização eugênica. Enfrentamento de distúrbios genéticos, personalização de bebês, melhoramento genético da herança hereditária visando o aperfeiçoamento do nosso código genético, são algumas das inúmeras variáveis que compõem o cardápio da emergente civilização eugênica, sobretudo, a preocupante possibilidade da criação de uma aristocracia geneticamente melhorada diante de um massivo conjunto de seres humanos geneticamente precarizados.

3. A emergência da bioinformática: computando o DNA. Trata-se da união das ciências da informação com as ciências da vida: o computador e o gene. Não se trata apenas de uma mescla de saberes complexos, mas, sobretudo, da migração do predomínio da informação digital para a informação genética. Assim, não apenas o suporte das experimentações genéticas que são agilizados, mas os próprios artefatos digitais começam a sofrer radicais e profundas alterações (como já demonstram as experiências de computadores utilizando chips vivos ou de computadores com arquiteturas baseadas em DNA e com processamento de algoritmos quânticos). É importante lembrarmos que, graças ao surgimento da informação digital, foi possível a descoberta da manipulação informacional da vida, ou seja, a informação genética. Entretanto, o predomínio da informação digital está se transferindo para a informação genética. Se, após a segunda guerra mundial a aceleração tecnológica foi movida pelo predomínio da informação digital, ou seja, na relação entre informação digital e informação genética, o predomínio foi quase absoluto da informação digital. Nos próximos anos, esse predomínio será invertido. O computador e a informática fornecem para a emergente economia biotecnológica a comunicação e a organização para administrar a informação genética. Isto implica que artefatos digitais e softwares facilitam: decifrar, catalogar e trocar o estoque e o capital genético que é e será utilizado pela bioeconomia. As tecnologias de informática e as tecnologias genéticas estão se fundindo (sob o predomínio das segundas) numa nova e poderosa realidade tecnológica.

5. A emergência da nova evolução simbiótica. Estamos a iniciar uma nova evolução neodarwinista, onde emerge uma espécie simbiótica entre econatureza e redes biotecnológicas. Segundo um outro fascinante cientista chamado Rosnai em seu livro: ”O Homem Simbiótico”  uma nova espécie pós-biológica está emergindo no planeta. Ela é produto deste novo ecossistema composto da simbiose entre vida e artefatos sensório-cognitivos integrados a complexas redes de processos orgânicos e não orgânicos, sejam eles de máquinas lógicas e redes cada vez mais sofisticadas; sejam de complexos ambientes orgânicos e inorgânicos. Esta simbiose esta proporcionando a emergência de um novo tipo de humanidade; ela está dando início ao lançamento de novas bases para se repensar a evolução biológica e as teorias socias. Estamos a presenciar o surgimento de uma nova natureza radicalmente revista, uma perspectiva simbiótica que será produzida de um novo ambiente holístico entre mente e matéria, de sistemas de autopoiese  orgânica com suportes artificiais e inorgânicos auto-organizativos, constituindo uma condição pós-biológica imbricada numa cultura de complexidade criativa. A teoria darwinista provou ser uma companhia muito compatível com a era industrial. A emergência da nova bioeconomia, com seus interesses desmaterializados, implicará na revisão não só das teorias da evolução natural como das teorias sociais frente as complexas questões colocadas pela emergência da simbiogênese são profundas e levam-nos a um confrontro com nossos valores mais íntimos que tratam, antes de mais nada, de ponderarmos sobre a questão máxima da finalidade e do sentido de nossa existência.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

AS LIÇÕES INTEMPESTIVAS DOS JOVENS SIMBIÓTICOS


Gilson Lima. Doutor CNPQ-UNISC e cientista em reabilitação.

Uma análise informal e inicial. Acho que para quem está realmente interessado em fazer esse país avançar as manifestações de rua organizada pelas redes sociais foi um acontecimento. O país voltou a colocar na agenda a política. Não a velha política: eleitoral, partidos, movimentos sindicais e lobistas tradicionais,... De sempre. Mas uma nova política ampliada que acontece nas redes e nas ruas em simultaneidade – muito além do modelo moderno de representação eleitoral e dos partidos como centros dirigistas e até detentores do monopólio da representação política.

A grande mídia teve que alterar seus padrões standards de programação e integrar a dinâmica dos acontecimentos das redes em suas telas. Estamos apreendendo muito com tudo isso.
Claro que temos os poucos gatunos, ladrões e oportunistas que tendem a desmoralizar esse acontecimento. Também a velha guarda com suas crises de explicações e ações. Também parece que aos poucos estamos vendo uma parcela da velha guarda da política tentando entender esse novo modo de fazer o poder público dinamizado em tempo real entre telas e ruas pela garotada.

Pelo que percebi os simbióticos das redes estão nos ensinando coletivamente muitas coisas. Por exemplo:

• Que vivemos num país de cidades e que podemos nos ligar todo o país no mundo pelas cidades. Que o automóvel não necessita ter o monopólio de quase todo o espaço público. Que transportar milhares de pessoas diariamente com ônibus é algo muito primário. Que as cidades são as que menos detêm os recursos dos impostos que pagamos. Tudo se centraliza para retornar minguado em favores e interesses publicamente duvidosos.
• Descobrimos que nos Transportes somos nós que pagamos as contas para deslocar, ficamos presos em gargalos perdendo tempo precioso de nossas vidas, temos um péssimo serviço de transporte e não sabemos nem sequer como eles calculam o custo de tudo isso e continuamos a investir nosso futuro em energias poluidoras e que desconsideram o nosso ecossistema. Claro que não podemos pensar numa alternativa de transportes nas grandes cidades tendo por base a municipalização dos recursos, mas como continuar viver em cidades que dependem de migalhas e sem o nosso controle diário do que estão fazendo com nossos recursos?
• Que não dá para ficar produzindo manifestações todos os dias, mas podemos conquistar espaços diários para circular em grupo e interagir nas ruas e praças de modo livre e seguro. De que podemos Limpar as ruas aos poucos e vamos livrando as ruas dos outros quem nos ameaçam, dos que estão ali só para prejudicar, destruir, machucar, os egocêntricos do mal. Quem sabe vamos conquistando grandes vias apenas para pedestres e continuarmos a caminhar em grandes espaços públicos e conviverem em segurança, sem grades e até sem automóveis para deslocamentos curtos.
• Descobrimos que é possível uma nova cultura política diferente da atual cultura dominante da política operada pelos mercenários, saqueadores da esfera pública, dos moralistas de tutela que decidem o que é certo ou errado em nossos comportamentos como se fôssemos bestas incapazes (com intenções não reveladas, escondidos em instituições dirigistas ou nos argumentos moralistas ou meramente instrumentais).
A questão agora é torcer pelos jovens continuar a usar a sagacidade e criatividade para irem adiante e continuarem suas conquistas de curto e longo prazo. Algumas dicas de quem já errou muito:

Sejam criativos. Inventem novos modos de manifestar. Decentralizem. Usem os espaços públicos. Mas não criem conflitos, sejam múltiplos e respeitadores das divergências. Tenham paciência com os velhos. Cuidem bem das crianças e dos fracos. Sejam lúdicos não usem bandeiras ou palavras de ordem dirigistas (usem a cultura, a música, a arte). Não sejam como os velhos sacerdotes da política que só respiram o poder pelo poder. Política também é vida, diversão, prazer, a alegria do convívio público. Não sejam rancorosos. Divirtam-se, torçam pelo Brasil. Vamos ganhar da Espanha. Adelante rizomaticamente. Não é sonho. É uma nova realidade que está sendo fabricada coletivamente.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A SOCIEDADE ESPELHADA


Gilson Lima. Esse texto é um fragmento inicial que publiquei na Internet em 2001.


...os espelhos, sendo um objeto de uso corrente desde há muitos séculos, são usados de modo diferente pelos homens e pelas mulheres e essa diferença é uma das marcas da dominação masculina. Enquanto os homens usam o espelho por razões utilitárias, fazem-no pouco freqüentemente e não confundem a imagem do que vêem com aquilo que são, as mulheres têm de si próprias uma imagem mais visual, mais dependente do espelho, e usam-no mais freqüentemente, para construir uma identidade que lhes permita funcionar numa sociedade em que não ser narcisístico é considerado não feminino (Sontag, 1972: 34). Como diz Susan Sontag, “as mulheres não têm apenas faces como os homens” (1972: 35), e La Belle acrescenta: “todos os homens têm faces; muitas mulheres são as suas faces” (1988: 24). Esta diferença, que é uma marca da discriminação sexual, tem vindo a ser reconstruída pelas feministas como ponto de partida para afirmação de uma identidade feminina libertada que reivindique o espelho como uma forma própria de conhecer e, aceitar o corpo (La Belle, 1988: 173 e ss.). Citado em Boaventura, Crítica a Razão indolente.

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Hoje somos bombardeados por uma tal quantidade de imagens a ponto de não podermos distinguir mais a experiência direta daquilo que vimos há poucos segundos nas mídias. Em nossa memória se depositam quotidianamente milhares de sucessivos estilhaços de imagens.
Esta questão suscita de imediato uma outra: que futuro estará reservado à imaginação criativa numa "civilização da imagem"? Somos cada vez mais seres simbólicos inundados quotidianamente por um dilúvio das imagens pré-fabricadas. Antigamente a memória visiva de um indivíduo estava limitada ao patrimônio de suas experiências diretas e a um reduzido repertório de imagens refletidas pela cultura; a possibilidade de dar forma a mitos pessoais nascia do modo pelo qual os fragmentos dessa memória se combinavam entre si em abordagens inesperadas e sugestivas.
Tornamo-nos uma civilização que é cada vez mais uma civilizazão da imagem, uma sociedade espelhada e isto me faz lembrar de uma das belas lições de Ítalo Calvino, no caso sobre a importância da leveza da escrita no próximo milênio quando ele nos diz: que as vezes ele parecia transformado em pedra: mais ou menos avançada segundo as pessoas e os lugares. Uma lenta petrificação não poupava nenhum  aspecto da vida. Como se ninguém  pudesse escapar ao olhar inexorável da Medusa. (Personagem feminina da mitologia grega, trata-se de uma terrível mulher que tinha serpentes pelos cabelos e transformava em pedra quem as encarava).
Calvino descreve que o único herói capaz de decepar a cabeça da Medusa é Perseu, que voa com sandálias aladas; Perseu, que não volta jamais o olhar para a face da Górgona (do grego gorgós = rápida, impetuosa, terrível),  mas apenas para a imagem que vê refletida em seu escudo de bronze. Eis que Perseu vem ao nosso socorro até mesmo agora, quando já me sentíamos capturados pela mordaça de pedra.
Para decepar a cabeça da Medusa sem se deixar petrificar, Perseu se sustenta sobre o que há de mais leve, as nuvens e o vento; e dirige o olhar para aquilo que só pode se revelar por uma visão indireta, por uma imagem capturada no espelho. Calvino diz que podemos de repente a encontrar nesse mito uma alegoria da relação do criativo, da imaginação criativa com o mundo, uma lição do processo de continuar criando. Entretanto, Calvino nos alerta que toda interpretação empobrece o mito e o sufoca e que não devemos ser apressados com os mitos; é melhor deixar que eles se depositem na memória, examinar pacientemente cada detalhe, meditar sobre seu significado sem nunca sair de sua linguagem. A lição que se pode tirar de um mito reside na literalidade da narrativa, não nos acréscimos que lhe impomos.
Voltando ao mito, Calvino nos lembra que a relação entre Perseu e a Gógona é complexa: não termina com a decapitação do monstro. Do sangue da Medusa nasce um cavalo alado, Pégaso; o peso da pedra pode reverter o seu contrário; de uma patada, Pégaso faz jorrar no monte Hélicon a fonte em que as Musas irão beber. Lembremos aqui que Pégasus é o nosso software de e-mails, onde a partir dele, nossas mensagens voam na velocidade da luz sob os impulsos eletromagnéticos chegando aos múltiplos tubos catódicos plugados e espalhados em nosso pequeno planeta.
Em algumas versões do mito, será Perseu quem irá cavalgar esse maravilhoso Pégaso, caro às Musas, nascido do sangue maldito da Medusa. (Mesmo as sandálias aladas, por sua vez , provinham de um mundo monstruoso: Perseu as havia recebido das irmãs de Medusa, as Graias de um só olho ). Quanto à cabeça cortada da apavorante Medusa, longe de abandoná-la, Perseu a levava consigo, escondida num saco; quando os inimigos o ameaçavam subjulgá-lo, bastava ao herói mostrá-la, erguendo-a pelos cabelos de serpentes, e esse despojo sanguinoso se torna uma arma invencível em suas mãos, uma arma que utiliza apenas em casos extremos e só contra quem merece o castigo de ser transformado em estátua de si mesmo.
Diz a lenda que Perseu venceu uma nova batalha, onde derrotou um monstro e libertou Andrômeda. Após uma batalha deste porte, Perseu tratou de fazer o que faria qualquer um de nós: foi lavar as mãos. Neste caso, o problema estava onde deixar a cabeça de Medusa.
                   Neste momento Calvino cita os extraordinários versos de Ovídio ( IV, 740-752), para expressar a delicadeza de alma necessária para ser um Perseu, dominador de monstros:

“Para que a areia áspera não melindre a angüícomo cabeça, (Perseu) ameniza a dureza do solo com um ninho de folhas, recobre-o com algas que cresciam sob as águas, e nele deposita a cabeça da medusa, de face voltada para baixo”. (Calvino:1996:18).

A leveza de Perseu não poderia ser melhor representada do que por esse gesto de refrescante cortesia para com um ser monstruoso e tremendo, mas mesmo assim de certa forma perecível, frágil. Mas inesperado, contudo, é o milagre que se seguiu. Após o contato da Medusa em contato com os râmulos aquáticos, estes se transformam em coral, e as ninfas, para se enfeitarem com ele, acorrem com râmulos e vergônteas, que se aproximam da hórrida cabeça.
Depois da perspicaz lição de Calvino sobre a leveza, poderíamos continuar suas indagações voltando agora aos dias de hoje. Imaginemos o velho Perseu tenha morrido e que a cabeça da poderosa Medusa rolando no decorrer da história tenha passado por diferentes mutações, e que, hoje na beirada do novo milênio, ela se encontra viva em nossa sociedade contemporânea.
Imaginemos que a Medusa agora transfigurada, transformada, não esteja mais tão acessível aos olhos nus como o visível monstro lendário. Imaginemos que sua mutação a tenha recomposto seus tentáculos, mas que em fragmentos inacessíveis ao olho nu, fazendo com que sua força seja ainda mais poderosa que a do antigo monstro visível.
Vivemos atualmente uma crise, a agonia sem precedentes da moderna sociedade industrial, vemos a ascenção da importância da subjetividade, dessa matéria prima impalpável, incontornável e que tanto chamou atenção dos humanistas perante o império da matéria, da objetividade, da objetiva, do olho, do físico de tudo que era “superior” no ato de conhecer da modernidade manufatureira e industrial. A ganância da objetiva racional, do olhar o tudo com precisão mecânica, só se efetivou pela modernidade quando se deixou um infinito de vida e sensações de fora da objetiva órbita gananciosa. O vazio, o nada, acabou por se formalizar em zero pelos árabes, como se ali “nada” ocorresse, “nada” existisse, como não se ali não houvesse visa sensível, porque não tem matéria a observar.
Hoje forças poderosas e estratégias inusitadas redesenham nosso rosto no espelho do mundo. Sim! o mundo vive de espelhos, na maioria em formato de tubos catódicos, que do mesmo estilo de Perseu, de reflexo indireto, que herdamos de seu escudo vitorioso sobre a monstruosa Medusa, a quem a todos condenava em pedra quem simplesmente a encarava.


[1] Tubo catódico (CRT - Cathode ray tube). É o tubo de imagens que foi o mais utilizado na fabricação de tubos de Tv’s e, principalmente, em monitores de computadores antes das telas planas. Nesse tubo, uma máscara de fósforo é bombardeada pelo feixe de elétrons proveniente dos canhões que se  encontra na parte oposta de onde a imagem é formada. Após esse bombardeio de elétrons, o fósforo se acende formando a imagem.

Entretanto a mutação da Medusa se efetivou. Sua resistência ao reflexo indireto se fortaleceu, agora ela convive ternamente com o espelhamento. Pensemos então nos nossos satélites espaciais com suas garras de invisíveis râmulos de ondas eletrônicas viajando na velocidade da luz. Eles sobrevoam o planeta quotidianamente construindo uma captura imensa de uma malha informacional de imagens e textos em fluxos. Unificados, os satélites compõe a uma nova faceta do monstro mutante e ressuscitado, é a Medusa agora fortalecida em fragmentos que nos impede de vermos sua natureza holística. São pedaços de sua face górgona, condenando a todos a petrificação diária no consumo imagens de glórias, erotismo e tragédias. A partir de um êxtase produzido nesta tele participação planetária vamos nos transformando em estátuas de nós mesmos.
A atual sociedade em transição, se encontra ainda amarrada a um imaginário social que se realiza repetindo e copiando a mesma idéia de valor criada para a reprodução da mercadoria manufaturada pela velha sociedade industrial, assim vemos diariamente um assalto a subjetividade, onde máquinas de modulagem da subjetividade pasteurizam-na desfazendo o mito da subjetividade dada e a transformam como algo auto-modulável. Inaugura-se a fabricação social da subjetividade. O corpo torna-se um alvo preferido das máquinas de modulagem subjetiva. Docilizar o corpo, exitá-lo, erotizá-lo torná-lo emissor de signo e significações. Aumenta o nosso estranhamento com as novas maneiras emergentes de sentir, de pensar, de fantasiar, de sonhar, etc. Estamos sitiados pela monstruosa Medusa com seu olhar inexorável. Em todos os lados que olhamos encontramos máquinas que capturam o real e o processa em codificação, determinando pela captura as constituintes de novas espessuras vitais. Nossos territórios existenciais são plugados nestas ondas precárias, surfamos em ondas eletrônicas de uma mobilidade generalizada, nas músicas, nas modas, nos slogans publicitários, nos filmes, no circuito informático e telecomunicacional. O que não é captado pela malha virtual é como não existisse para o mundo, é o novo tudo. A realidade vital é o novo zero formal sem vida, a vida, ao contrário, passa ser o mundo da coisificação e o espetáculo virtual assume como a nova realidade. Nós habitamos ondas e velocidades em vez de lugares. O escritor, Ítalo Calvino, que também escreveu em suas lições sobre a importância do valor da rapidez para a narrativa literária no próximo milênio, nos alertou que a velocidade reduz as distâncias, abole as perspectivas e a profundidade da nossa moderna experiência sensorial que era baseada na cognição existencial. Vivemos uma espécie de instantaneidade “hipnótica” chupada inteiramente sob tubos catódicos das Tvs e dos vídeos dos computadores.
São quase dois bilhões de receptores de rádio no planeta e quase um bilhão de receptores de tvs, que juntamente com redes terrestres de comunicação telefônica e de múltiplas infovias óticas constituem um trânsito intenso de imagens, sons e textos na velocidade da luz, durante 24 horas por dia, compondo uma espécie de telecomando universal ondulatório, que vai substituindo as físicas instituições estáticas da modernidade. Caducam os seus processos modernos de representação e dominação política racional, caducam seus processos normativos de regras fixas e estatutárias de antigos territórios funcionais de competências, caduca o processo de fabricação delegada de pactos e leis. Ficam praticamente impotentes os partidos políticos com sua fome insaciável de possuir o monopólio de representação política; geram-se escleroses nos clássicos movimentos sindicais e nos múltiplos movimentos sociais. Não sobra nem mesmo o poder local, onde progressivamente se desmantela seus processos e suas ordenações diretas e éticas locais.
Por fim, temos o novo mundo do poder, o biopoder, que certamente será o maior responsável pelas transformações na vida social no futuro, mas que já se encontra cada vez mais presente. Os homens invocam para si o poder da manipulação das múltiplas forças, que habitam tanto a vida como a morte. De um lado, surge a biotecnologia, com suas clonagens vegetais, e até mesmo o projeto Genoma, que está dilacerando a vida humana em cerca de 37.000 micro pedaços. De outro, a existência de estudiosos e cientistas especializados na extensão da vida e na decifração e enfrentamento dos mecanismos da sua negação, ou seja, da morte. Isso quer dizer que, ao mesmo tempo em que vivemos paralelamente o esvaziamento da idéia de vida centrada na matéria, no corpo humano, reforçamos, contraditoriamente, como vemos diariamente nas mídias comunicacionais, uma nova retomada do culto a esse mesmo corpo, o qual pretendemos cada vez mais ser duravelmente mais belo e conservado seja através de exercícios constantes ou até mesmo das múltiplas intervenções de técnicas regenerativas, como as cirurgias plásticas de correções estéticas ou genéticas. Os cientistas criaram um novo campo de saber para darem conta desses dilemas. Trata-se da gerontologia, um novo saber científico que por princípio partilha o não aceite natural da morte. A gerontologia é a área de saber da ciência responsável pelas investigações acerca do envelhecimento. Os cientistas perguntam: Por que envelhecemos? Por que morremos? [1] A morte deixa de ser considerada uma condenação natural, podemos enfrentá-la, esticá-la e até mesmo eliminá-la.
Esta diferença não tem nada de essencial. Expressa tendências diferentes, cuja diferença, aliás, talvez venha a esbater-se à medida que progride a esteticização do consumo e do corpo tanto da mulher como do homem. Menciono estes padrões de utilização de espelhos porque penso que as sociedades, tal como os indivíduos, usam espelhos e fazem-no de um modo mais feminino do que masculino. Ou seja, as sociedades são a imagem que têm de si vistas nos espelhos que constroem para reproduzir as identificações dominantes num dado momento histórico. São os espelhos que, ao criar sistemas e práticas de semelhança, correspondência e identidade, asseguram as rotinas que sustentam a vida em sociedade. Uma sociedade sem espelhos é uma sociedade aterrorizada pelo seu próprio terror.
Há duas diferenças fundamentais entre o uso dos espelhos pelos indivíduos e o uso dos espelhos pela sociedade. A primeira diferença é, obviamente, que os espelhos da sociedade não são físicos, de vidro. São conjuntos de instituições, normatividades, ideologias que estabelecem correspondências e hierarquias entre campos infinitamente vastos de práticas sociais. São essas correspondências e hierarquias que permitem reiterar identificações até ao ponto de estas se transformarem em identidades. A ciência, o direito, a educação, a informação, a religião e a tradição estão entre os mais Importantes espelhos das sociedades contemporâneas. O que eles refletem é o que as sociedades são. Por detrás ou para além deles, não há nada.
A segunda diferença é que os espelhos sociais, porque são eles próprios processos sociais, têm vida própria e as contingências dessa vida podem alterar profundamente a sua funcionalidade enquanto espelhos. Acontece com eles o que aconteceu com o espelho da personagem da peça Happy Days de Samuel Beckett: “Leva o meu espelho, ele não precisa de mim”. Quanto maior é o uso de um dado espelho e quanto mais importante é esse uso, maior é a probabilidade de que ele adquira vida própria. Quando isto acontece, em vez de a sociedade se ver refletida no espelho, é o espelho a pretender que a sociedade o reflita. De objeto do olhar, passa a ser, ele próprio, olhar. Um olhar imperial e imperscrutável, porque se, por um lado, a sociedade deixa de se reconhecer nele, por outro não entende sequer o que o espelho pretende reconhecer nela. E como se o espelho passasse de objeto trivial a enigmático super-sujeito, de espelho passasse a estátua. Perante a estátua, a sociedade pode, quando muito, imaginar-se como foi ou, pelo contrário, como nunca foi. Deixa, no entanto, de ver nela uma imagem credível do que imagina ser quando olha. A atualidade do olhar deixa de corresponder à atualidade da imagem.
Quando isto acontece, a sociedade entra numa crise que podemos designar como crise da consciência especular: de um lado, o olhar da sociedade à beira do terror de não ver refletida nenhuma imagem que reconheça como sua; do outro lado, o olhar monumental, tão fixo quanto opaco, do espelho tornado estátua que parece atrair o olhar da sociedade, não para que este veja, mas para que seja vigiado.
Entre os muitos espelhos das sociedades modernas, dois deles, pela importância que adquiriram, parecem ter passado de espelhos a estátuas: a ciência e
Como podemos tomar de assalto os ruídos do mundo se nem ao menos sabemos que mundo é esse? Para capturar os ruídos do mundo é necessário uma certa fragilidade, é preciso uma certa surdez. A pedância do tagarela, do auto-suficiente, do redondo e perfeito saber em nada possibilita capturá-los. Para capturar os ruídos do mundo precisamos fugir da auto-suficiência. É necessário até mesmo um certo estado de insônia e sonolência, que nos torna mais suscetível ao mundo.
Num rápido encontro com o professor húngaro, Peter Pál Pelbart, onde estávamos tratando sobre essa fragilidade necessária para o escritor, ele lembrou de  uma passagem  do diário de Kafka nos diz: “a noite nada se opõe para que eu seja dilacerado”. Novamente me veio a imagem de fragilidade, a necessária qualidade de uma fraqueza para que possamos ser invadidos pelos ruídos do mundo.
A insônia altera nossos estados de alerta natural, favorece as invasões, somos como que cercados por todos os lados sem força para combater o cerco. Quando não resistimos mais, deixamos o corpo ser invadido de assalto pelo entorno. É como abrir a janela no inverno deixando ser arrebatado pelo frio e com insônia estarmos expostos ao mundo, como se estivéssemos nu ao mundo numa nevasca, essa é uma sensação clara de fragilidade. Trata-se de um elogio a porosidade, a permeabilidade frente ao excesso do mundo, alguém que se sente atravessado demais pelo mundo.
Entretanto, isso não significa que aos sermos tomados pelo mundo não saibamos selecionar. Não queremos ser arrastados pela gorda saúde dominante, que devoradora todos os atravessamentos que o mundo nos demonstra. Não se trata de deglutir tudo, pois deglutir tudo é vomitar. A relação com o mundo é como nossa relação com o paladar. Tudo o que nutre o paladar vem de fora, tudo pode convir grosseiramente aos interesses do estômago, mas podemos ficar doentes pelo que comemos. Quem tem um paladar saudável não engole tudo que se apresenta diante do estômago. A saúde dominante diz que tudo que entra pelo estômago saí. Seu intuito é preservar a forma pela forma, essa é sua constante referência. Numa relação saudável, e por isso uma frágil relação do paladar com a vida, nem tudo que entra sai, e muito menos sai da mesma forma, será sempre uma relação de metamorfose/metamorfose.
Entretanto, para que não nos tornamos surdos e insensíveis aos excessos do mundo é preciso encontrarmos com o desforme, com a imperfeição, como amantes da imaturidade por ser um estado de incompletude e aberta. O homem adulto é supostamente um homem acabado, fechado, construído. Entretanto a admiração do outro pode preencher o vazio, desde que não seja preenchido pelo gozo do prazer de controlá-lo.
Os adultos são tentados pelos jovens pelas suas imperfeições, pela suas irresponsabilidade e capacidades de aventurar-se frente ao novo, a até mesmo ao leviano. Nesse encontro com o professor Peter ele me alertou para uma questão que nunca tinha me dado conta, a de que é no estado embrionário que deforma a forma que a vida encontra sua plenitude ativa, ou seja, uma forma que se forma pela disforma, que cresce se deformando. Os seres vivos nascem não para serem ainda congelados pelo processo de molduração, pela admiração que formata e enclausura.
A inocência particular do embrião lembra-nos a fragilidade novamente, a leveza. Isto não deixa de ser um elogio a juventude. Não a juventude saudável e atlética adoradora de uma forma determinada que se fortalece para essa mesma forma. Ao contrário, mas o elogio do inacabamento, o jovem quer e procura tornar-se acabado e o adulto que quer ser frágil projeta no jovem inacabado, que ainda esta para nascer para a forma acabada, construída uma possibilidade de “harmonia recíproca”.
É na metamorfose da forma, que tenciona o manter e o mudar a própria forma que encontramos o segredo da escuta do sensível. Ao estarmos colado à nossa própria forma, o mundo se reduz, submetemos nosso viver a uma constante escassez do mundo. É necessário estarmos atendo ao que nos lembra Nietzsche de que o novo também assume máscaras para se camuflar. Por que então uma forma se esconde? Se camufla? O que a forma aprisiona? Aqui se encontra um dos maiores desafios da imaginação criativa a de liberar a vida onde ela está aprisionada, ensurdecida e cega. Devolver a criação na estética da existência, não apenas enclausurar a arte ao museu, mas integrá-la à vida. Lembremos que os povos pré-modernos não separavam vida e arte.
Hoje os artista acimentados pela indústria cultural fragmentam a vida do mundo, são devidamente mumificados. Para sua glória pública devem matar a vida no mundo. As celebrações artísticas não são nada mais nada menos do que formas disfarçadas de velório. Para o gozo da glória pública precisam passar pelo processo de monumentalização, tornarem-se monumentos referenciados, mas o preço que pagam é muito caro, eles perdem a vida.
São inúmeros relatos de artistas, escritores, cineastas, músicos e até mesmo cientistas sobre a fragilidade experimental sofrida depois da monumentalização. Tomam o mundo como um pequeno circuito, ganham uma forma fechada que os aprisiona e aborta sua condição de mutante, a mesma que os possibilitavam ser viajantes da imaginação criativa.
Para preservar este estado de inacabamento embrionário, que pela sua fraqueza significa, ao contrário, uma força criadora, é preciso enfrentar a gorda saúde auto suficiente, pronta, construída que, ao contrário, é uma doença que nos deixa cegos e surdos, ou seja, escassos dos ruídos do mundo.
A ciência moderna formou-se com um pensamento dominante na linha do racionalismo ativo, ou seja, existe uma crescente relação entre racionalismo e ciência contemporânea. Nenhum de seus métodos e muito pouco de seu ferramental podem ser considerados válidos para estudarmos a imaginação criativa.
Precisamos para isso ultrapassar as imposições de métodos que intelectualizam a imagem e atentarmos para as ressonâncias sensíveis que brotam e se dispersam em diferentes planos da nossa vida no mundo. A repercussão da audição dessas ressonâncias sensíveis, implicará certamente num convite para um novo aprofundamento de nossa própria existência.
Para estarmos abertos a imaginação criativa é necessário estarmos presente à imagem no minuto da imagem, no próprio êxtase da novidade da imagem. A velha noção de princípio, a noção de “base” através do qual progride acumulativamente uma verdade racionalizada seria desastrosa neste caso.
Quando de uma imaginação criativa nova, verificamos facilmente que sua relação com um arquétipo adormecido no fundo do inconsciente não é propriamente causal. Não se trata de um eco passado. A novidade na sua atividade tem um dinamismo próprio.
Dizer que a imaginação criativa foge à causalidade é sem dúvida, uma declaração grave, entretanto percebemos facilmente que a transubjetividade das imagens, das idéias criativas não podem ser compreendidas, em sua essência, apenas pelos hábitos das referências objetivas.
Tomando idéias e invenções preciosas apenas como exemplos, ficamos incapacitados da tradução de sua arqueologia imaginária com o referencial metódico da ciência moderna.
A imaginação criativa requer insigths, ou seja, a participação de uma luz interior que não é um mero reflexo de uma luz provinda do mundo exterior acumulativamente realizada pela razão moderna, razão essa, que prioriza traduzir esse mundo exterior objetivamente. Podemos citar o exemplo de um criativo pintor que é antes de mais nada um produtor de luzes em telas. Ele sabe claramente nos movimentos de seu pincel de que foco parte uma iluminação.
Por si só o prazeroso devaneio criativo é uma instância psíquica que muitas vezes se confunde com sonhos e desejos. Mas quando se trata de um devaneio que flui não somente de si próprio, mas que prepara gozos imaginantes para outras almas, sabemos com certeza de que não estamos mais no caminho fácil das sonolências.
O italiano Ítalo Calvino escreveu lembrando que há um verso de Dante no "Purgatório" (XVII, 25) que diz:
"Poi piovve dentro a l'alta fantasia'' [Chove dentro da alta fantasia].
                    Calvino constata a partir de então que: a fantasia, o sonho, a imaginação é um lugar dentro do qual chove. A alta fantasia'', é para Dante a mais elevada imaginação, diversa da imaginação corpórea, como a que se manifesta no caos dos sonhos. A imaginação que tem o poder de impor sobre nossas faculdades e nossa vontade, extasiando-nos num mundo interior e nos arrebatando ao mundo externo, de modo que mesmo se mil trombetas estivessem tocando não nos aperceberíamos.
Podemos concluir que a imagem atinge as profundezas antes de emocionar a superfície. Isso é verdade em uma experiência de criação, ou até mesmo numa simples leitura de um texto. A imagem que a leitura nos oferece torna-se realmente nossa. Enraíza-se em nós mesmos. Aqui a expressão cria o ser. Por essa criatividade, a consciência imaginante se revela, simplesmente, mas muito puramente, como uma origem. Isolar esse valor de origem de diversas imagens deve ser o sentido de quem quer penetrar num estudo da imaginação criativa.
Não nos interessa ser alguém que destrói a primitividade da imaginação, não nos interessa ser um típico crítico que, na verdade, geralmente trata-se apenas e necessariamente de um simples observador ou leitor severo. Nós devemos nos acostumarmos a nos concentrarmos num fazer-feliz, como o de leitores que só lêem aquilo que os agrada, devemos mesclar nosso fazer cotidiano de orgulho com entusiasmo, de prazer com gozo.
Calvino referindo-se ao futuro da imaginação criativa na literatura para o próximo milênio, afirma que a visibilidade se impõe como um dos valores que compõe sua famosa lista de seis propostas vitais que serão imprescindíveis no futuro da imaginação literária. Entretanto, ele nos adverte que estamos correndo o perigo de perder uma faculdade humana fundamental: a capacidade de por em foco visões de olhos fechados, de fazer brotar cores e formas de um alinhamento de caracteres alfabéticos negros sobre uma página branca, ou seja, de pensar por imagens.
Diante disso Calvino sugere numa possível pedagogia da imaginação que nos habitue a controlar a própria visão interior sem sufocá-la e sem, por outro lado, deixá-la cair num confuso e passageiro fantasiar, mas permitindo que as imagens se cristalizem numa forma bem definida, memorável, auto-suficiente, "icástica". É claro que se trata de uma pedagogia que só podemos aplicar a nós mesmos, seguindo métodos a serem inventados a cada instante e com resultados imprevisíveis.
Enfim, somos hoje filhos da ''civilização da imagem'', ainda que para muitos de nós até a pouco ela recém estivesse em seu início, muito distante da inflação simbólica atual. Muitos somos ainda filhos de uma época intermediária, em que se concedia bastante importância às ilustrações coloridas de quadrinhos que acompanhavam a infância e de brincadeiras artesanalmente criadas sem o atual impacto da exposição diante de tubos catódicos.
Na imaginação criativa, o insigth se realiza pelas idéias, as idéias brotam fervilhantes como água límpida e cristalina jorrando de sua fonte. A racionalização aprisiona a criação, castra, hierarquiza, discipliniza, impede o gozo criativo da ebulição de insigths. Que cada vez mais possamos ultrapassar as barreiras e armadilhas da racionalidade moderna e quebrar as grades curriculares que nos aprisionam e que organizam o saber como se estivéssemos condenados a uma eterna reprodução do conhecimento estruturada numa linha de montagem, e ao contrário que chova dentro de nossas altas fantasias, e que venham novos insigths iluminados pela imaginação criativa capaz de romper o domínio desencantador da resistente armadura racional.

Esse texto era usado em aulas nos anos de 2000 => Referências principais utilizadas na época: 

SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da expeeriência. São Paulo: Cortez. 2000.
CALVINO, Ítalo. Seis Propostas para o próximo milênio. São Paulo: Cia das letras, 1990
PALBEART, Peter Pál. A Vertigem por um fio: políticas da subjetividade contemporânea. São Paulo: Iluminuras, 2000.

NOTA:


A ciência reconhece, atualmente, seis teorias principais do envelhecimento, que são consideradas promissoras. Em termos gerais, as seis principais podem ser divididas em dois grupos. O primeiro  pode ser chamado de teorias das avarias, o que sugere que o envelhecimento é o resultado de defeitos nos sistemas restauradores dentro das células ou entre os órgãos. O segundo grupo de teorias do envelhecimento é conhecido como teorias de programas, segundo as quais a natureza de fato programou o processo de envelhecimento nos seres vivos. Para muitos cientistas existe um pedacinho no nosso ADN que literalmente força o envelhecimento de nossos corpos. Isso implica que, um dia, poderemos controlar o processo. A cada dia que se passa, novas técnicas de manipulação genéticas são criadas por bioquímicos e biólogos. Transplantes de núcleos de células de pele, por exemplo, já demonstraram que podem, no mínimo, reverter o processo do “programa” de envelhecimento do ADN.  Outra teoria de programa propõe que o acontecimento que inicia o envelhecimento pode ser a liberação de algum agente destrutivo, como o fluxo maciço de um hormônio deletério. Numa mesma linha, outra teoria do programa postula que o envelhecimento pode ser devido ao lento desenvolvimento de um desequilíbrio hormonal. Alguns cientistas acreditam que o “relógio” de envelhecimento se oculte no hipotálamo, uma área do tamanho de uma ervilha, no cérebro, que controla outras atividades, como a fome, a raiva, o sono e o desejo sexual. Para maiores esclarecimentos ver o importante livro do gerontololista da UCLA [Universidade da Califórnia em Los Angeles] WALFORD, Roy. “Maximum Life Span” [Longevidade maximal] W. W. Norton, Nova York, 1983. Para quem desejar uma visão mais sucinta e em português, veja o livro do comentarista científico BROCKMAN, John. Einstein, Gertrude stein, Wittgenstein e Frankfenstein”, Companhia das Letras, São Paulo, 1989, principalmente as páginas 171-176.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Por que o novo é novo?

DENUNCIANDO O VELHO:


Encontramos muito de novo nos grandes eventos de manifestações organizada pelas redes sociais. Ocupam vazio humano das ruas caminhando (expulsando automóveis, destroem, roubam e nos agridem como velhos bárbaros,...). O novo reafirma que a rua, as praças, os espaços públicos é vida, é paz, é nossa. Será que não é isso que queremos, liberdade, decência,... Vejam que em São Paulo mais de um terço do espaço físico (as ruas) não é para humanos transitar... Não se trata apenas de tarifa, mas como é possível que milhões de pessoas circulem por cidades com equipamentos tão rudimentares (ônibus, automóveis individuais) ou queimando combustível tão como fazemos desde o Século XIX? As pessoas agora podem conviver de modo cooperativo entre telas e ruas. Isso é muito novo.


Enfim a sociedade está viva e pulsa, mas meus caros. Desculpem-me, mas não me parece que a grande mídia - incluindo a Globo tão citada pelos cacoetes ideológicos que ainda pensam estar lutando contra a guerra fira - está manipulando a cobertura das manifestações. Estou achando bem coerente a cobertura. Pelo menos para quem não compartilha com "os de sempre" aqueles que acreditam no pior melhor para liderar uma futura revolução e suas babaquices de sempre. O mundo mudou. Não temos mais guerras frias, temos heterogeneidades e nem mais existe uma ditadura que manipula a mídia. Temos múltiplas mídias e muitas delas interativas - como essa aqui. Uma lição também para quem acha que depois da queda do Muro de Berlim tivemos apenas um lado vitorioso da guerra fria. Não entenderam que foi uma época que ruiu. Não foi um lado que ganhou liberalismo individualista, fim da esfera pública, emergência apenas de uma sociedade de indivíduos egocêntricos,...

A velharia são os profissionais que ainda lutam na guerra fria do velho dirigismo entre direita e esquerda. Chegaram a pé depois da queda do muro de Berlim e ainda não entenderam nada. Eles são profissionais de manifestações (não são apenas as grandes manifestações,...) querem ser profissionais permanentes as palavras de ordem fordistas: povo unido jamais será vencido, para eles tudo é ou deve se tornar padrão para poder melhor controlar e manipular. Os menos covardes mostram suas caras com bandeiras de partidos e seus tradicionais símbolos de organizações e métodos da guerra de movimentos. Também tem os lobistas e profissionais do controle, de demandas sindicais particularistas ou dirigistas e lobistas de categorias e profissões. O pior do velho são os violentos. Querem que a rua continue sendo um ESPAÇO DO MEDO vem para destruir, agredir, chegam - na maioria das vezes – mascarados, vem para destruir, agredir, armados de artefatos, pneus, ateiam fogo em veículos, derrubam lixo, quebram vitrines, ameaçam pessoas,... para o trânsito sem avisar, .. Querem colocar a população contra o novo. 

Sobre a Copa. Os velhos não querem que tenhamos orgulhos de nós mesmos. É a velha ideia da geração dos bestializados. Só existem bestas na vida social. Precisam sempre de uma elite organizada para civilizar o país. Os “revolucionários de ontem” pensam que ainda viemos numa ditadura querendo manipular os pobres com circo. De novo, eles não entenderam que o Muro de Berlim caiu e temos agora uma sociedade mundial muito mais complexa tomadas por satélites onde vivemos diariamente a tele participação planetária. Nós - brasileiros - somos bons em futebol e sempre gostamos disso. Aprendemos com os negros ex-escravos que tão bem sabiam manipular os pés com a capoeira- que foi perseguida e desconsiderada pela elite civilizada e positivista assim como foi todos os hábitos e crenças africanas que herdamos – como o riso, as festas, as danças, a diversão,... Até hoje a elite Universitária não considera a atividade física e motora como parte da inteligência. Talvez por isso não tenhamos esportes de modo intenso nas grades de ensino das escolas e nem Educação Física em todas as disciplinas nas Universidades. Ainda pensam que educação física é coisa apenas de militares e não algo vinculado à inteligência. Uma inteligência divertida. É preciso separar a corrupção dos empreendimentos da copa, os desvios de recursos e a nossa alma futebolística. É nossa alma, independente das autoridades. Conseguir sediar um evento global (satélites do mundo inteiro estão mirados aqui) é algo muito significativo e pode ser um momento muito importante para acontecermos no mundo mudando a nós mesmos. Vide a repercussão no mundo das manifestações de ontem.
Isso é velho. Velharias que espero que também sejam varridos das ruas pelos novos jovens das redes sociais.


Gilson Lima. Passagem extraída de meu livro: Nômades de pedra: Teoria da Sociedade simbiogênica (esgotado).
Uma ou outra vez na história, ao serem tomadas por pulgas, submergem pouco a pouco na água para concentrar todas as suas pulgas nos seus focinhos e; com um rápido mergulho, livrarem-se delas. Assim, devemos diminuir nossa estranheza de que de tempos em tempos tenhamos que sacudir nossa própria cultura e ficarmos desnudos dela. (Ortega Y Gasset).



domingo, 9 de junho de 2013

Ortobras apresenta o Kit de Inclusão digital e social.

NOTÍCIA. Ortobras apresenta o Kit de Inclusão digital e social. Esse esforço é o resultado de uma parceira vitoriosa entre pesquisa CNPQ, com parceria da Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento - AGDI, Escola Estadual Cônego de Nadal, UNISC - RS, Grupo de Robótica Social de Lleida e a Ortobras. Tenho certeza que esse novo conceito de inclusão será muito importante para muitos pacientes e alunos que poderão potencializar cotidianamente suas potencialidades e plasticidades de aprendizagem diárias. Parabéns para todos envolvidos e grato pelo apoio fundamental da Ortobras para levar adiante essa ideia.
Gilson Lima. Doutor CNPQ- UNISC e cientista em reabilitação.
Vejam o video de 3 minutos no yutube. Vale a pensa!
LINK: Kit de inclusão digital e social