PÁGINAS

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O DINHEIRO SUMIU

GILSON LIMA. Cientista em Reabilitação. Porto Alegre. RS.
"O que em mim sente está pensando" (Fernando pessoa)
Dr. Pesquisador - CNPQ - Porto Alegre.E-mail: gilima@gmail.com




Sinopse.
Título completo da obra: O Dinheiro Papel sumiu virou informação.
Direção Gilson Lima

Ano da produção/realização: 2008
Local (estado ou país) da produção: Porto Alegre. Rio Grande do Sul. Brasil.
Tempo de duração em minutos: 4 minutos e quarenta e cinco segundos.
Foi utilizado para essa edição somente de imagens indiretas extra´das de outros vídeos ou fragmentos de cenas de filmes.
Esse vídeo foi doado (sem fins lucrativos) para compor uma parte do material didático da disciplina de Sociologia da Informação.

Sinopse

Vídeo foi produzido por imagens indiretas e em ilha de edição totalmente digitalizada. O roteiro das imagens e da narração, a montagem, a escolha do material utilizado foi totalmente coordenado pelo diretor conforme indica os créditos finais. O texto é narrado usando recursos de estúdio de som e tem por base a ideia de mostrar que o dinheiro papel sumiu e virou um tipo específico de informação. Pretende mostrar também que o mundo não vive mais sob o domínio da civilização fordista, do automóvel, da energia fóssil, do Estado-Nação, mas de uma nova elite planetária que através de acesso dos sofisticados satélites planetários imprimem massivos fluxos eletrônicos informacionais para toda uma nova economia simbólica, inclusive, onde gerando a própria moeda e renda que tornou-se um sub-produto eletrônico simbólico da malha informacional.
O vídeo pretende mostrar também que nunca na história da humanidade fomos tão ricos, mas mesmo tendo tantas oportunidades científicas e tecnológicas nunca fomos também tão desiguais.

E.mail: gilima@gmail.com
Dados para contato: Gilson Lima
Endereço: Rua Seival, 380.
Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2009.

Texto da narração.

O dinheiro papel sumiu. Virou informação. Sem pátria a informação financeira move-se em velocidade crescente: cerca de 300.000 quilômetros por segundo. O fluxo massivo de moedas tornou-se eletrônico. Existem no mundo hoje cerca de milhares e milhares de telas por aí, ligadas, conectadas para gerenciar dia a dia, vinte e quatro horas um trilhão de dólares.
O volume das transações financeiras mundiais é tamanha que para termos uma ideia um trilhão de dólares era toda a riqueza produzida por todos os homens, todas as mulheres, todas as máquinas em interação com a natureza nos idos de 1950.
Hoje, as notas físicas de dinheiro são cada vez mais escassas. São encontradas somente em carteiras de "pobres" em pequenas quantidades ou em grande quantidade na economia clandestina no tráfico de drogas nas transações criminosas...
Um milhão de dólares é muito dinheiro para a maioria das pessoas. Medidos na forma de uma pilha de cédulas de cem dólares, teriam mais de vinte centímetros de altura. Um bilhão de dólares — em outras palavras, mil milhões — formariam uma pilha mais alta que a catedral de Saint Paul. A pilha de um trilhão de dólares — um milhão de milhões — teria mais de 193 quilômetros de altura, vinte vezes mais que o monte Everest – o mais alto do planeta.
Se nós devastássemos todas as formações florestais que nos restam, mesmo assim, não teríamos como imprimir fisicamente toda essa riqueza.
Nunca – enquanto humanidade – fomos tão ricos, porém nunca fomos também tão desiguais.

Referências:

IMAGENS
1. Fragmentos do filme didático: Simbiogênese - Gilson Lima.
2. Fragmentos do filme Comercial - EUA:  Phone Booth - por um fio. Joel Schumacher

MÚSICA. Fragmentos de Música:
1. Money - Pink Floyd
2. Sold Africans: Ladysmith - Black Manbazo

TEXTO:
1. Fragmentos de texto do Livro: O Mundo em Descontrole. A. Giddens.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

SOMOS MESMOS MUITO COMPLEXOS POR QUE SOMOS MUITO FRÁGEIS!

Gilson Lima [1]. Dr. Pesquisador - CNPQ - Porto Alegre. Cientista em reabilitação.
O que em mim sente está pensando (Fernando Pessoa).

Foto no maravilhoso Parque de Cape Town 
- Cidade do Cabo – África do Sul.
Geralmente, passarinhos “adultos” cuidam muito bem dos seus filhotes. São atentos e fraternos, mas só cuidam de seus filhotes, até que possam se virar sozinhos. O ninho para eles é uma morada provisória e terminal, pois, quando os filhotes voam rumo ao horizonte, o restante da família passarinho, também abandona o ninho, não olhando para trás. Nunca mais retornam, apenas vão. Vão acontecer no mundo voando.

Assim, como todos os mamíferos humanos não sou passarinho, por isso quero sempre voltar ao ninho. Um lugar para ficar, pousar, fechar os olhos sem receio, estar ao lado de quem confio, poder dar colo, debater, brigar, crescer, morrer, renascer e desassossegar-se no sossego. O “meu” ninho não é, portanto, uma estada terminal. Sou eu quem termino, o ninho fica.
Somos seres que acontecemos, e acontecemos no mundo e, por isso, somos também nossos medos, nossas esperanças e nossos cálculos. Porém, o que nos torna mais fascinantes como seres vivos é o que geralmente a razão quer mais esconder, que é a nossa incompletude, a nossa fragilidade. Somos complexos porque somos frágeis. A fragilidade humana está presente até nas escolhas filogenéticas e ontogenéticas que fazemos ao longo da evolução. Querem ver?

Os animais, segundo a biologia, podem ser artrópodos (exoesqueleto) ou vertebrados (endoesqueletos). A diferença aqui é entre ter esqueleto externo e esqueleto interno. Isso é importante, pois implicará na capacidade de como animais nos mobilizarmos e nos movermos diante da sustentação de nossos próprios corpos. Imaginem um caracol. Tudo que se encontra dentro do caracol está protegido pelo seu exoesqueleto (aquela casca dura que achamos ser a casinha dele). O complexo estado de mentitude (quando a mente acontece no mundo), só se encontra em animais que precisam se locomover.[2]

Nós seres humanos acabamos, de um jeito ou de outro, ao longo da nossa evolução, levando os ossos para dentro do corpo e criamos uma complexa massa externa de frágeis fibras que permitem muita flexibilidade, excitação de sensibilidade. Porém, para que isso aconteça ficamos muito frágeis. Sem precisar sequer sair de casa, expomos nossa fragilidade corpórea aos perigos da aventura do viver.
Agora imaginem: nós ficamos de pé, eretos, nos equilibramos e nos movimentamos levando por aí toda essa nossa frágil cobertura exposta, dia a dia, a essa aventura de viver no mundo. Olhando, por exemplo, apenas para nossa pele que nos protege e a tudo que está lá fora para feri-la quando saímos de casa, é quase um milagre voltarmos intactos para casa.
Somos mesmo muito corajosos e complexos. Apenas para ficarmos eretos (uma atividade vital para nossa qualidade humana) precisamos orquestrar um complexo conjunto de conexões que prevêem posições, intensidades e cálculos. Isso se considerarmos apenas as conexões que incidem sobre as fibras musculares e que nos permitem indicar inúmeros monitoramentos de elasticidades, movimentos diversos de intenso volume e complexidade realizada por nossas pernas, braços e pescoço.
E para caminharmos, então? Definirmos os movimentos, curvas, destinos, desvios de obstáculos. São processos tão complexos e tão rápidos, que só com ajuda de potentes aparelhos podemos identificar seus trajetos e operações visíveis. Estamos falando apenas de processos mais rudimentares da mobilidade para que não tenhamos movimentos desastrosos, e só eles nos indicam a necessidade de um constante plexo mental que nos dote de muita precisão e simulação.
Somos mesmos muito complexos. Para operarmos nossos dedos polegares opositores – que são ferramentas muito úteis e que, como pinças, permitem conexões e ligações finas com múltiplos objetos – precisamos interagir muitas vezes em simbiose com outras complexas habilidades como a representação abstrata do mundo em imagens e dominar linguagens que permitirão estratégias individuais e grupais. Tudo isso torna o ser humano extremamente hábil e dotado de complexidade para pensar em abstrações complexas.
Não estou aqui nem sequer falando de estado de mentidude mais complexo, pois quase tudo que não é físico-eletrônico na nossa mente, ainda é indecifrável para nós e até para a ciência.
Mas quando “optamos” pela fragilidade corpórea para flexibilizar nossas movimentações e pinceladas de precisões sobre o acontecer no mundo, na evolução, os humanos, que não são bobos, resolveram proteger muito bem aquilo que eles têm de mais complexo: a mente. Nossa mente, diferente de nosso corpo endoesqueleto é protegida por uma caixa craniana, quase um exoesqueleto, assim como é a “casinha” dos caracóis.
Nossa mente é uma frágil gosma cinzenta, fibrótica e enrugada que está protegida por uma caixa óssea potente. O cérebro produz as sensações de dores, mas ele mesmo não tem dor. Quando, devido a um acidente, o ser humano, por ventura, quebra a sua caixa craniana e se mantém vivo, e, com uma frieza cirúrgica, imaginássemos, então, colocarmos a mão neste seu cérebro exposto, esse vivente não sentiria nada. Esse vivente só sentiu dor quando quebrou o seu crânio, mas quando manuseamos a geléia do cérebro com nossas mãos, não.
É claro que não foi por nada que protegemos essa nossa potente e complexa fabricação de simbioses mentais que possuímos. Não conhecemos nada mais complexo no mundo de que a mente humana. Nem sequer sabemos ainda lidar com toda a sua potência com que nos brindou.
Nossos estados de mentitude são realizados de modo tão espetacular que não temos nem como descrever. Ali como pixels de bits, nossos reflexos biosinápticos de células nervosas são conectadas numa velocidade impensável por uns conectores chamados de axônios. Os neurocientistas calculam que existem em nossa mente, somente células neuronais cerca de 83 bilhões [3] (neurônios) e algo em torno de 1 trilhão de células gliais.[4]
As ciências da mente que reduziram o cérebro como um modesto computador, deram muita importância aos neurônios e suas conectividades informacionais e pouca atenção a outras linguagens, químicas e emocionais.
Os próprios neurônios são também redes de moléculas ligadas por reações bioeletroquímicas. Nossa mente em atividade brilha numa intensa coreografia piscante como se pós de areia tingidos por néon escorregassem entre bilhões de fibras leves, enrugadas numa geléia dentro de uma dura caixa encefálica. Infelizmente, toda essa maravilha funcional e espetacular que nos contam os neurologistas, mostra, apenas, que nossa mente é um complexo mecanismo bioquímico-eletrônico, mas não mostra sua “alma”. A mente humana, para o bem e para o mal, não se resume a um mecanismo e não comporta um programa exógeno de bits em forma de pixels.

NOTAS.

[1] Fragmento de um texto, aqui com pequenas modificações, publicado originalmente no livro Nômades de Pedra: teoria da sociedade simbiogênica contada em prosas, Porto Alegre, 2005, p. 407-4 12.
[2] É praticamente certo de que os primeiros seres vivos não tinham os ossos que tanto ajudam a preservar os fósseis que são detalhadamente estudados como os dos dinossauros, por exemplo.
[3] De acordo com os estudos recentes (como o de Robert Lentz – entre outros), temos cerca de 83 bilhões de neurônios em nosso cérebro. Até então a ciência achava que tínhamos 100 bilhões, mas era um número aproximado, sem comprovação científica. Na publicação original de meu livro onde esse fragmento é parte do capítulo final escrevi 100 bilhões e não cerca de 83 billhões como aqui refiz.
[4] Durante décadas, fisiologistas concentravam suas pesquisas nos neurônios como os principais comunicadores do cérebro. Achava-se que as células gliais, apesar de superarem os neurônios na proporção de nove para um, tinham somente papel de manutenção: levar nutrientes dos vasos sanguíneos para os neurônios, manter um equilíbrio saudável de íons no cérebro e afugentar patógenos que tivessem escapado do sistema imunológico. Nos últimos anos, técnicas mais sensíveis de imagem mostraram que neurônios e células gliais dialogam entre si, do desenvolvimento embrionário até a velhice. As células gliais influenciam a formação de sinapses e ajudam a determinar quais as conexões neurais se fortalecerão com o tempo. Essas alterações são essenciais para o aprendizado e o armazenamento de memórias duradouras. Trabalhos mais recentes mostram que as células gliais também se comunicam entre si numa rede independente, mas paralela à neural, influenciando o desempenho do cérebro. Os neurologistas ainda estão cautelosos e evitam atribuir importância à glia, rápido demais. Apesar disso, estão entusiasmados com a perspectiva de que mais da metade do cérebro permanece inexplorado e pode representar uma mina de ouro em informações sobre o funcionamento da mente.

sábado, 11 de maio de 2013

NOVA POLÍTICA DE DROGAS E A CONTRA REFORMA MORAL


Gilson Lima


A tentativa de implementar decisões em bases moralistas sobre as drogas transforma-os em sócios de uma indústria mundial de armas e atividades de um desastroso estopim de violência. A economia auto organizada do crime impuro torna-se lenha de signos morais e certezas de milícias de Deus e de forças repressoras armadas em favor do povo, pelo povo e para o povo. O terror religioso, o terror político e o moralismo no trato de uma temática tão complexa deslocam os operadores atuais da economia auto organizada das drogas ilícitas no jogo da clandestinidade muito útil aos corruptores de caráter duvidoso. Também transformam milhares de jovens vendedores e consumidores de algumas substâncias ativas em prisioneiros condenados de porões insalubres gradeados, lotados e que são efetivamente, verdadeiras escolas do crime.
Enquanto isso, assassinos que sequestram, matam e tiram a vida humana estão soltos ou - como mestres - encontram-se em presídios lotados recrutando suas milícias e novos recrutas.
A população planetária envelhece e a maioria de nossas elites políticas e religiosas continua presa em suas cadeias morais.
Princípios ativos presentes em plantas que consumimos legalmente ou não são específicos e cada um derivam seus sistemas organizacionais de mercados (sejam legais ou tornados criminosos).
Existem venenos produzidos como crack ou o pó colorido e fino de dioxina que penetraram nas peles humanas dos inimigos de guerra. Essas substâncias devem ser perseguidas desde a sua produção e comercialização, mas o combate deve ser feito na legalidade, como estamos fazendo com o crack que transformam almas livres em sombras de si mesmo sem alma. O álcool (do árabe-kohul) é uma classe de compostos orgânicos que possui na sua estrutura um ou mais grupos de hidroxilas - OH, ligados a carbonos saturados. O álcool implica em alterações motoras graves a canabbis sativa, por exemplo, não. A cocaína acelera como a cafeína, a canabbis sativa não. Aliás! nossos avós não consumiam canabbis no século passado? Era possível compra-la no comércio livre. Claro que os moderníssimos republicanos mobilizados pelo moralismo racional proibiram o comércio da canabbis em quase todo o século XX e até hoje a tratam como droga do diabo. Claro que maconha era coisa de negros escravos foram eles trouxeram a planta da África para esses trópicos.
Não é de espantar que os mesmos moralistas perseguissem a capoeira. Essa mesma capoeira que gestou no Brasil a imensa habilidade que herdamos dos negros de jogarem tão criativamente bola com os pés. Bem diferente do futebol americano que se joga até hoje com as mãos. Claro que com as mãos é mais fácil.
Muitos consumidores de drogas não legais são trabalhadores consumidores, apenas isso. Muitos “bandidos” são meros atores que exercitam atividades comerciais de mercado jogados pela moralidade na escuridão do crime e da violência. Até quando?
O excesso de morfina mata. O da cocaína também. Tomar alvejante industrial encontrado nas prateleiras dos supermercados também é fatal. A divulgação massiva e a motivação para fazermos exercícios físicos é vida pura.
A poesia não é nem verdadeira, nem falsa. Os conservadores em tratar o comércio e o consumo de argumentos morais também não. A insistência de muitos e por anos a fio em criminalizar algumas drogas e tratá-las como um problema moral tem levado ao desastre incalculável para milhares de vidas. São séculos e séculos febris de defesas morais encarnadas no verbo da verdade moral.  A contra reforma moralista torna os conservadores devoradores de suas próprias mensagens, prisioneiros de suas ciladas e o diálogo do tema um delírio de paixão coletiva.

Pesquisador, professor.
Ps. Esse artigo foi enviado para a grande imprensa, mas não surtiu efeito. Sem grande publicação!


GILSON LIMA.
"O que em mim sente está pensando" (Fernando pessoa)
Dr. Pesquisador - CNPQ - Porto Alegre.E-mail: gilima@gmail.com

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Sociologia e informática: http://www6.ufrgs.br/cedcis/arquivos_ladcis/informatica-sociedade/.index.htm
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sexta-feira, 3 de maio de 2013

A SOCIEDADE SIMBIÓTICA ATUAL É UMA SOCIEDADE QUÂNTICA

Gilson Lima

BLOG: http://glolima.blogspot.com/
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Esse artigo é devedor de muitos diálogos com pensadores, mas principalmente, tenho uma dívida impagável com Danah Zohar, uma física quase setentona que me ensinou muito de ciências humanas e teoria social.

Observação importante: Não tive tempo de revisar detidamente esse texto. Meu intuito aqui é disponibilizar gratuitamente um longo texto que está guardado a anos em meus arquivos. Trata-se então de um rascunho escrito ha oito anos. Vocês encontrarão um texto científico, revisado e de modo mais reduzido na biblioteca online do Scielo é apenas buscar o meu nome e encontrarão gratuitamente o artigo lá em duas línguas: português e inglês. Veja en:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222006000100006&lang=pt


SUMÁRIO

RESUMO.........................................................................................................................
APRESENTAÇÃO............................................................................................................
INTRODUÇÃO: Pensando o mundo no mundo....................................................................
CIÊNCIAS HUMANAS E A FÍSICA: um elogio aos pensadores sociais..................................
FÍSICA QUÂNTICA E CIÊNCIAS HUMANAS: um elogio à física.......................................

A SOCIEDADE SIMBIOGÊNICA ATUAL É UMA SOCIEDADE QUÂNTICA....................

A sociedade simbiogênica também tem que ser holística...................................
A sociedade simbiogênica também tem de dar respostas...................................
A sociedade simbiogênica também tem de ser também emergente.....................
A sociedade simbiogênica também tem que ser ecológica, mas produtivista........
A sociedade simbiogênica também tem de ser espiritual....................................
A sociedade simbiogênica também tem de dialogar com a ciência......................

PALAVRAS FINAIS........................................................................................................

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E INCORPORADA EM FRAGMENTOS COOPERATIVOS!...........................................................................................................

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RESUMO

O presente artigo pretende demonstrar que a emergente teoria da sociedade simbiogênica que se encontra integrada em diferentes ingredientes da sopa paradigmática da complexidade, tem como caldo incandescente, à física quântica.
Não há nada há de novo em propor uma ligação mais direta entre a nossa compreensão do mundo físico e as idéias que temos sobre os padrões sociais e as relações políticas. Essa ligação esteve sempre presente no pensamento social dos antigos gregos, por exemplo, em Heráclito, nas das teorias do vórtice de Demócrito e de Leucipo, como também Epicuro. A física sempre esteve presente implícita ou implicitamente com as ciências sociais antes mesmo da emergência da sociologia moderna com Thomas Hobbes, em John Stuart Mill, Adam Smith e, inclusive, o filósofo liberal John Locke.
Na sociologia moderna, encontramos essa ligação mais ou menos explícita desde o pioneiro Augusto Comte e sua intrigante física social, em Herbert Spencer, em Durkheim que, inclusive, integrou a emergente sociologia moderna numa modesta incursão precoce com a termodinâmica, a bioquímica e a eletricidade e até mesmo em Karl Marx.
Por fim, defendemos a integração profunda da sociologia com uma abordagem complexidade da física e apontamos alguns elementos da emergente sociedade também física e complexa cuja analogia e modelagens complexas para a explicação de seus novos fenômenos necessitam urgentemente de uma aproximação parceira e comprometedora da sociologia com a física quântica.


APRESENTAÇÃO

A sociedade mudou, está na hora de mudarmos radicalmente o próprio modo de pensá-la.

Pensar a sociedade a partir da física não é nenhuma novidade para os intelectuais. Precisamos estar atentos apenas de que quando pensamos em física restrita a mecânica. Nem sequer quando pensamos apenas em matéria devemos pensar apenas com a ideia mecânica de matéria ou de matéria mecânica. Matéria também é energia e mesmo a vida é uma matéria encapsulada em energia vital.
Hoje não podemos pensar nas sociedades contemporâneas também como uma coletiva rede complexa de energias múltiplas.
Heráclito (c. 544 - c. 480 a.c.), filósofo grego da cidade de Éfeso defendeu em seu tratado Sobre a Natureza, a tese de que o universo é uma eterna transformação - um fogo eterno que se acende e se apaga com medida -, na qual se equilibram os contrários. Quem não se lembra da expressão de Heráclito das aulas de sociologia indicando a ideia de movimento: “um homem não banha duas vezes no mesmo rio”. Para esse filósofo, a harmonia dos contrários seria a razão universal (logos), lei que rege os planos cósmico e humano. O princípio de Heráclito da tensão oposta no reino físico aplicou-se às relações entre as pessoas na sociedade.
As teorias do vórtice de Demócrito (Abdera, 460-370 a.c.), filósofo grego, criador do atomismo, juntamente com Leucipo. considerava que todas as coisas são constituídas por átomos (partículas indivisíveis fisicamente) que se movem no vazio. Coube aos orientais discordarem de que não haveria nada no nada ou de que o nada seria apenas um zero formal.
Também podemos lembrar de Epicuro (c. 341 a.C.-270 a.c.), filósofo grego que influenciou em muito a  formação de Karl Marx. Epicuro foi o fundador de uma escola filosófica que adotou o atomismo e o materialismo como concepção geral do universo, deles extraindo uma ética hedonista presente até hoje nos seguidores do marxismo.
É pouco lembrado de que Epicuro que introduziu na teoria atomista a noção de clínamen (palavra grega que significa desvio, inclinação), segundo a qual os átomos que compõem o universo, embora rigorosamente determinados, podem, no entanto, desviar-se de suas rotas sem que nenhuma causa exterior os obrigue a isso; estaria aí a raiz da liberdade humana. Esses pensadores viam a Terra no centro de um vasto redemoinho de éter que mantinha as estrelas e os planetas em movimento. Esse se tornou também o princípio explicativo central de toda mudança social presente até hoje em muitas tradições de espiritualidades religiosas e sociais.
Se dermos um salto até a gênese das modernas sociedades ocidentais racionais veremos, por exemplo, presente na principal obra de Thomas Hobbes (Leviatã em 1651), em torno de trinta anos antes da publicação dos Principia, de Newton, muitas das idéias mecânicas formuladas até hoje pelo cognitivismo. O livro de Hobbes - como de todos os pensadores da emergente modernidade - era influenciado pelas obras de Kepler, Galileu e outros do período.
Até mesmo os liberais - também modernos racionalistas tanto e quanto -  porém, mais indutivos e empiristas como John Stuart Mill e, inclusive, o filósofo liberal John Locke - voltaram-se para a nova física mecânica em busca de inspiração e exemplo em seus escritos sobre o Estado e a sociedades.  Locke certa vez descreveu-se como um "mero servente" do "incomparável sr. Newton".
Também Adam Smith deixou-se - como muitos de sua época -  impressionar pela nova ciência mecanicista e tomou os métodos de Newton como modelo de sua economia de mercado livre e da divisão do trabalho.
Anos mais tarde, mais precisamente na França, surge a Sociologia. A sociologia é, sobretudo, produto da modernidade industrial. Sua gênese alimenta-se do novo pensar moderno, que cria uma “narrativa” voltada à busca da explicação precisa desta nova formação societal. A sociologia surge então presa à pretensão de um novo saber que possibilite descrever, analisar e entender esta nova expressão societal e que impõe um “conhecimento positivo” donde sua positividade prática, investigativa e de reflexão científica suponha também uma “positividade metodológica” que pode ser encontrada em máximas, leis científicas ou enunciados compreensivos complexos, que regem e permitem novas integrações, reformulações e mudanças ou inovações.
O primeiro pensador a se destacar neste esforço foi Saint- Simon, muito conhecido por ter fundado a vertente do socialismo utópico de perfil mais tecnocrático. Ele cria a ideia de um novo saber chamado de fisiologia social. Entretanto é seu discípulo, Augusto Comte (1798-1857) que depois de romper com seu mestre em 1824, pode de fato ser considerado o mais importante pioneiro da sociologia. Foi esse próprio homem que inventou a palavra "sociologia", no entanto, Auguste Comte, cunhou primeiramente essa recém-criada ciência interessantemente com o nome de "física social".
Outro importante autor pioneiro das Ciências Sociais que também dialogou com a física e muito mais precisamente com o mecanicismo biológico foi Herbert Spancer (1820-1903). Ele foi o criador de um pensamento social que muito influenciou a sociologia, que é conhecido de organicismo. Para Spencer, a sociedade se assemelha a um organismo biológico. Ele desenvolve uma Lei Geral que diz que as sociedades passam ou passarão por um estado primitivo, caracterizado pela simplicidade e pela estrutura homogênea, para um estado de complexidade crescente, caracterizado pela heterogeneidade progressiva das partes como novos modos de integração. Suas obras mais importantes são: “Estudo da Sociedade” (1873) e “Princípios de sociologia” (1876).
Também Karl Marx e Émile Durkheim, dois dos mais importantes fundacionistas das ciências sociais também viajaram com Newton na esteira da física clássica, esperavam descobrir os axiomas e princípios básicos da vida social. O universal maquinismo de relógio converteu-se em modelo a partir do qual comparava-se o Estado com um mecanismo preciso, sujeito a leis, e retratavam-se os seres humanos qual máquinas viventes com conexões funcionais de peritagens ou força de trabalho. As leis deterministas da História, de Marx, a teoria da evolução genial porém pouco simbiótica e mecanicista em demasia de Darwin, assim como o modelo "científico", de Freud, que apresentava o ego como um sistema hidráulico, provêm da mesma fonte. A genialidade de Freud e depois de seus seguidores e dialogadores nos brindou com o inconsciente que começou sendo uma tímida região do imaginário humano para se tornar hoje como um acelerado oceano cósmico onde flutuam lentas ilhas da consciência.
Também entre os antigos pioneiros da sociologia moderna encontramos Vilfredo Pareto que apoiou-se abertamente em metáforas mecânicas e térmicas para descrever a dinâmica da sociedade.
Enfim, desde a gênese da sociologia, no mínimo, podemos certamente afirmar de modo consensual que a ligação entre a sociologia e a física, de modo explícito ou implícito, encontra-se presente, desde o pioneiro Augusto Comte propositor da física social com sua pedante e prepotente ideia politécnica de constituir uma ciência localizada no topo do complexo edifício da hierarquia científica moderna (a física social/sociologia), que seria responsável por uma síntese superiora da racionalidade acima, inclusive, de todas as outras ciências, de Durkheim e até mesmo em Karl Marx e suas leis.
Sabemos, no entanto que a ligação da sociologia com a física não é consensual, e esse artigo também trata indiretamente sobre essa polêmica aludindo a posição de Max Weber e outros autores mais contemporâneos como Jeffrey Alexander que mantêm a posição weberiana original sobre a dualidade ciências do espírito e ciências da natureza e a de Edgar Morin, Boaventura de Sousa Santos, Zygmunt, Ulrich Beck (esses dois último de modo muito pouco explicitado) entre outros, os quais, postulam juntamente com a ideia desse artigo, de que todas as ciências são sociais e físicas. Apenas o reducionismo disciplinar consegue crer que não.
Por fim, defendemos uma integração profunda da sociologia com uma abordagem, no mínimo leve sem ser superficial, com a física quântica e apontamos alguns elementos da emergente sociedade complexa cuja analogia e modelagens complexas, para a explicação de seus novos fenômenos necessitam urgentemente de uma aproximação parceira e comprometedora da sociologia com a física quântica.


INTRODUÇÃO: Pensando o mundo no mundo

A resposta ”certa” vem apenas depois que cometemos todos os erros possíveis.

É de amplo conhecimento que tanto o racionalismo como o positivismo experimentalista nas ciências sociais, seguindo a concepção dualista tomou posição de que ou as ciências sociais tinha o papel de coletar, reunir e analisar dados “objetivos” e submetê-los à análise científica, ou numa outra perspectiva mais humanista, renunciar a objetividade física e aceitar a subjetividade inerente aos estudos da vida em sociedade.
A primeira vista, apenas a primeira vista, parece que os humanistas oferecem uma alternativa clara à abordagem positivista assentada n uma epistemologia “totalmente” diferente. Uma análise mais profunda mostra que não é assim. Ambos os grupos – humanistas e ou racionalistas e os positivistas experimentalistas partilham uma assunção epistemológica fundamental: a oposição entre sujeito e objeto.
O fundamento da abordagem positivista experimental consiste em acentuar o lado do objeto nessa oposição. Os positivistas experimentais pretendem que o fito da investigação científica se constitua pela acumulação do “conhecimento objetivo” livre de qualquer mancha de subjetividade. Os humanistas mais racionalistas, por outro lado, salientam a vertente do sujeito nessa dicotomia. Na terminologia contemporânea o que os humanistas realizaram foi a “desconstrução” material do objeto no processo de conhecimento e defendem que a matéria prima  das ciências sociais tem como fonte ações significativas produzidas nas relações intra-humanas, que são evidentemente subjetivas.
Em ambos, falta uma profunda simbiose entre o mundo do saber e o mundo físico, que a complexidade quântica permite realizar. Pensar o mundo no mundo, sem o falso dualismo. Isso tem implicações profundas também para a nosso conhecimento da vida em sociedade. Imaginemos apenas o impacto de uma abordagem fractal e ou holográfica no nosso entendimento sobre a ideia moderna de indivíduo, essa unidade matemática separadas ou de uma organização institucional ou social entendida como pedaços de partículas sólidas da sociedade. Imaginemos agora uma individuação como uma parte que contém não apenas o todo da sociedade, mas a universalidade do mundo físico e cósmico, partes que somadas seriam maiores do que o todo, uma parte que tanto quanto seu todo é dotado de história no tempo, de liberdade e é indeterminada em seu processo estruturante. Parte ou partes de um mundo cuja ordem não está dada objetivamente, nem subjetivamente, dependerá sempre das incertezas, das interações tanto/quanto e não o ou/ou da escolha absoluta. Partes que são verdades circunstanciais, visto que coerentemente com o que postula a física quântica nos disse Merleau-Ponty de que “quando falamos em verdade só podemos defini-la dentro de uma situação”.  A física quântica nos mostrou que a verdade só é verdade numa situação onde o observador do mundo, com suas escolhas, inventa junto o mundo que observa.
A teoria da sociedade simbiogênica é um esforço que se soma à obra de outros vários cientistas sociais. Muitos são físicos, cientistas da moderna informação computacional, cientistas da vida e da mente, que já descobriram que todas as ciências, diferentemente do que legisla oficialmente o macroparadigma moderno da ciência, são sociais. Ou seja, cada pensamento, por mais “não humano” que possa parecer, é uma parte endógena integrado a uma complexa simbiose também na vida social.
A sociedade mudou, está na hora de mudarmos radicalmente o próprio modo de pensá-la. Podemos pensar a sociedade como a roda de um moinho, milhões de indivíduos, cada um seguindo o seu caminho e, às vezes, conseguindo coordenar-se de algum modo. É a visão ocidental.
Podemos pensar a sociedade como um exército disciplinado, sendo cada membro um soldado a marchar no mesmo passo rígido e bem ordenado. As diferenças individuais ficam suprimidas em nome da aparência uniforme. É a visão coletivista, fordista, atualmente desacreditada.
Ou podemos pensar a sociedade como uma companhia de dança moderna ou um conjunto de jazz, no qual cada membro é um solista a sua maneira, mas que evolui criativamente e em harmonia com os demais. É a nova visão que vou descrever neste artigo, alicerçado no paradigma da complexidade. Como já relatei acima, terei como referência principal as integrantes proposições da física e socióloga Danah Zohar, presente, principalmente no seu livro: A Sociedade Quântica.

Como todos sabem, a sociologia brasileira e quase todas as ciências humanas ainda são muito tímidas e resistentes para a produção pós-disciplinar e frente a modelagem de uma aplicação e produção integrada ao paradigma da complexidade. Nós que navegamos por esse imenso infomar, ainda somos muito mal vistos pela forte abordagem disciplinar e da intensa valorização da teoria clássica fundada nas explicações das sociedades mecanicistas nas ciências humanas.
Também a marca do racionalismo nas teorias sociais é muito forte, tudo isso coopera para ter tornado os sociólogos, pensadores e cientistas meio exóticos e até mesmo muito solitários. Certamente que nossas redes de conexões entre estudantes e colegas, apesar de ainda serem de pouca monta, são muito intensas e é isso que me dá coragem de continuar essa grande viagem por um terreno ainda tomado por muito deserto de compreensão.
Como escrevi i recentemente no meu último livro Nômades de Pedra de que vivemos numa era de profundas mudanças. A sociedade científica e tecnológica já mudou a vida, a nossa inserção na natureza e no próprio processo de nossa evolução tanto filognética como ontogenética, mas o modo de pensarmos a vida em sociedade, ao que tudo indica ainda não. Nossas instituições, nossas escolas, nossas universidades, o nosso falido Estado, o nosso velho mercado, a nossa economia e a nossa arcaica forma de acessarmos a renda social pelo trabalho, continuam quase intactas e sólidas a gemer em crise, como se nada tivesse de muito novo acontecido desde o Renascimento que gerou a moderna vida em sociedade.
Trata-se em primeiro lugar de uma mudança na própria maneira de pensarmos o que pensamos, de nos recolocar no mundo para além da visão moderna, industrial, do velho e mecânico Estado Racional, do desintegrador mercado utilitarista e assimbiogênico do mundo físico e natural.
O nascimento da sociedade moderna marcou a humanidade com a consciência de que vivemos num pequeno lar planetário inquieto. A terra girou para nos aproximar. Não gira como nos indicou a “revolução copernicana”,  que nos revelou estranhamente, que nosso planeta gira, mas que o homem não. Muitos e muitos cientistas do mundo ocidental centraram-se nessa crença, na qual renascia um potente, ainda que imóvel, e poderoso homem decifrador moderno. Agora, o moderno homem imóvel - ao centro, muitas vezes acima e, quase sempre, ausente - construiu um sistema de mundo já dado como estruturado, sem diferenciação de espaço e sem tempo. Portador de uma linguagem geral - da ciência moderna - descreve e traça as linhas de particularidades do cosmos, revelando as leis da natureza e a funcionalidade dos objetos e das coisas. Surgem massas inanimadas atravessadas por forças de interação gravitacional em movimentos e trajetórias circulares e elípticas, que vão até ao infinito do finito.
Ao mesmo tempo, os fascinantes modernos desconsideraram as diferenciações do espaço, a presença perturbadora do tempo e os efetivos limites constitutivos do mundo natural. Junto com a prepotência racional dos modernos e a cada grande explicação do mundo, revelávamos seus segredos mecânicos de funcionamento e desnudávamos pequenas e grandes descobertas, mas deixávamos de ver-nos juntos e dentro desse mesmo mundo. A ampliação de nossa prepotente visão do mundo era proporcional ao tempo do longo sono que dormimos tranquilamente junto com os modernos cientistas e, assim, éramos também incapazes de junto com eles, pensarmos acordados, ou seja, estávamos acima e, ao mesmo tempo, ausentes desse mesmo mundo que pensávamos estar revelando.
No entanto, uma perturbação ronda o tranquilo sono da ciência. Descobrimos, agora, que estamos imersos simbioticamente nesse giro copernicano, que fazemos parte dele e giramos juntos com a Terra, dentro de um iô-iô cósmico em expansão e dispersão, em complexa auto-organização. A Terra gira ao redor de si mesma e também dentro de nós, unindo-nos, finalmente, nesse fantástico sonho de vivermos a vida numa dança cósmica.
Precisamos de uma nova visão sobre a reestruturação dos costumes, das instituições e organizações sociais e, sobretudo, de uma nova abordagem do poder na vida em sociedade.
Todavia, essa simbiose só pode ser profunda se ela romper com nossa concepção clássica do mundo físico, objetivo e material, como se ele fosse um grande mecanismos tomado por mecânicas explicações causais geradas por diagnósticos fotográficos da realidade.
Infelizmente ainda vivemos muito a reprodução de uma percepção da realidade social e política mecanicista, praticamente toda a nossa percepção que foi nos legada da "modernidade" é mecanicista. Como nos diz Danah Zohar, a modernidade plasmou-se como reação direta à revolução filosófica e científica do século XVII, que deu origem à ciência moderna, e se reforça diariamente com a nossa exposição constante à tecnologia que nos rodeia. O próprio Isaac Newton, a grande figura dessa nova ciência mecânica, acreditava que os fundamentos de sua obra podiam aplicar-se automaticamente aos problemas da filosofia moral. Os poli técnicos franceses do século XVIII tentaram estender suas idéias às questões da História e do espírito. Como expressou o filósofo norte-americano Giorgio de Santillana, "esses homens tentaram construir uma religião do mesmo modo como tinham aprendido a construir uma ponte".
Foi assim que muitos pensadores partilharam essa visão mecânica abrangente. O poder absoluto e a simplicidade das três leis mecânicas do movimento de Newton, assim como a força aparente do novo método empírico, levaram quase todos os pensadores sociais, políticos e econômicos influentes dos séculos XVII, XVIII e XIX a usá-las como modelo.

CIÊNCIAS HUMANAS E A FÍSICA: um elogio aos modernos pensadores sociais

A heresia de uma era torna-se a ortodoxia da era seguinte. Helen Kepller


Na fase atual de transição paradigmática em que nos encontramos são já visíveis fortes sinais de um processo de fusão de estilos, de interpenetrações entre cânones e a necessidade de revisitarmos os velhos cânones verificarmos o que está oculto sob a ótica de novas percepções em emergência. É assim que é possível então dotarmos os velhos clássicos e fundacionistas das ciências sociais de importância. Durkheim, inclusive, integrou a emergente sociologia moderna numa modesta incursão precoce com a termodinâmica, a bioquímica e a eletricidade, na sua visão de teoria social e de sociedade que era muito interessante. É o que vemos quando nos deparamos com seu conceito de anomalia nas esferas orgânicas e críticas.
Assim, trabalhando as pistas deixadas por Durkheim, com seu conceito de anomalia, podemos compreendê-lo e compartilhá-lo hoje com a física quântica que as leis também se integram a esse vir a ser e deixar de ser. O vir a ser tem suas leis que dependem também do deixar de ser.  Encontramos na natureza a flecha ascendente do tempo, mas tem também a descendente, temos entropia.  Tudo se organiza e se desorganiza. Podemos inclusive chegar ao fim do Universo (pensam alguns diante da entropia final). Os evolucionistas potencializam a flecha ascendente, só que ela valia apenas para os seres vivos, para os sistemas vivos e não físicos. A anomalia de Durkheim e a entropia é a flecha descendente do tempo e que foi mais precisamente demonstrada pelas estruturas dissipativas pelo ganhador do Prêmio Nobel Ilya Prigogine.
As descobertas e investigações do bioquímico Ilya Prigogine foram um grande choque no paradigma cartesiano-newtoniano. A teoria das estruturas dissipativas indica o princípio da “ordem através de flutuações” que se estabelecem em sistemas abertos, ou seja, em sistemas que operam nas margens da estabilidade. Assim, a evolução se explica por flutuações de energia que em determinados momentos, nunca inteiramente previsíveis, desencadeiam espontaneamente reações que, por via de mecanismos não lineares, pressionam o sistema para além de um limite máximo de instabilidade e o conduzem a um novo estado macroscópico.
O entendimento agora é que os sistemas vivos caminham em direção contrária à entropia, tendo-se auto-ordenado a partir da matéria inorgânica e de um estado caótico num estado de ordem não-linear, bem como, preservam seu estado ordenado a despeito da entropia.
O argumento favorável à entropia diz que esta se aplica unicamente a sistemas fechados, e os sistemas vivos são sistemas abertos, pois continuamente trocam energia com o ambiente externo. Alguém poderia contra-argumentar em favor da entropia, imaginando-se um exemplo de sistema fechado perfeito como uma esfera hermeticamente fechada e intocável por vibrações, som, luz, campos magnéticos, raios X, ou qualquer outra forma de transmissão de energia - uma espécie de corpo negro fechado e imperial. O surpreendente é que no mundo físico e da vida também não existem sistemas exclusivamente fechados ou exclusivamente abertos no universo conhecido. O próprio universo como um todo é simultaneamente um sistema aberto-e-fechado.
A teoria das estruturas dissipativas indica que os sistemas vivos são sistemas simultaneamente estáveis e instáveis. Mesmo individualizados e com formas limitadas e características, que lhes conferem a aparência de sistemas fechados, sabe-se que eles, continuamente trocam energia e matéria com o meio circundante, o que os caracteriza como sistemas semi-abertos.
Por causa de seus estudos em bioquímica, o russo Ilya Prigogine recebeu o Prêmio Nobel de 1977 por seu trabalho relacionado a uma nova visão acerca dos sistemas vivos. O Prêmio Nobel foi concedido a Prigogine, sobretudo, por sua teoria dos sistemas vivos como estruturas dissipativas (ou dispersivas), que lançou uma ponte entre os sistemas vivos e os não-vivos. Nas palavras da comissão de premiação do Premio Nobel: “Prigogine transformou fundamentalmente a ciência da termodinâmica irreversível, revisando-a; deu-lhe nova relevância, criando teorias que estreitaram o abismo entre os campos biológico e físico da pesquisa científica”.
Einstein também nos mostrou que não vivemos mais a metáfora da flecha determinística, ou sobre a flecha do tempo. Hoje, nos deparamos com múltiplas flechas arremessadas em múltiplas direções, geradoras de tempo relativo em simultaneidades. Trata-se de uma idéia aparentemente caótica, de um tempo sem direção definida, não mais submetido a uma lógica diacrônica.
Não se trata de posicionar-nos como mais um coveiro da história ou como magos autoritários que decretam o seu fim.  Pensamos que o tempo não acabou. O que acabou foi o predomínio de um certo tipo de hegemonia de concepção de tempo e história.
A questão é compreendermos o tempo de modo relativo e múltiplo onde a busca de universalizações abertas não significa mais a busca por totalidade fechada, pois está implicada agora no compartilhamento da ideia da estruturação complexa. Prigogine enfrentou desde o inicio de suas pesquisas, revitalizando para a ciência o importante interesse pelo conceito de tempo e enfrentando a negligência por parte da física clássica a essa questão. Prigonine empenhou seus esforços para relacionar a questão do tempo à sua estrutura e significação. Foi isso que o conduziu ao empenho de toda uma vida pelos processos dinâmicos da natureza, englobando áreas muito diversas, desde a física molecular quanto a biologia até à cosmologia.
Então, compreendemos agora que a matéria se expande (vir a ser), o tempo da matéria física está ao mesmo momento se organizando (tempo da organização) e se desagregando (tempo de desagregação) e ao mesmo momento evolui a consciência civilizadora cultural e social é no tempo em movimento e em constante luta pela auto-organização complexa que organizamos e medimos a complexidade orgânica e inorgânica no mundo. Evolução é mais complexa é a luta da evolução contra a involução. Aqui temos a noção de tempo, que é simultaneamente relativo. No universo cartesiano não tem tempo.
O universo em estruturação complexa está em expansão (a matéria agora tem história diferentemente da matéria cartesiana e newtoniana), em evolução e também em dissipação e o mesmo deve ser integrado a evolução humana e a cultura civilizadora. Para isso se faz necessário ter a compreensão da gênese e não se submeter ao velho determinismo da casualidade e do destino finalista:

x => Y         (x determina y)

A física quântica, por exemplo, desencadeia o colapso do Universo e o dogma determinista e o esboroamento de toda ideia de que haveria uma unidade simples na base do universo e introduz a incerteza no conhecimento científico. Não é mais suficiente a para produzirmos ciência isolarmos variáveis seja dependente seja independente e identificar a causa do efeito, linearidade do determinismo causal. No paradigma cartesiano a gênese não é discutida, não tem tempo nem história, pode até ter fatos, mas analiticamente isolados do tempo.
A importância desta teoria está na nova concepção da matéria e da natureza que propõe, uma concepção dificilmente comparável com a que herdamos da física clássica. Como nos diz Boaventura de Sousa Santos: “Em vez da eternidade, temos a história; em vez do determinismo, a imprevisibilidade; em vez do mecanicismo, a interpenetração, a espontaneidade e a auto-organização; em vez da reversibilidade, a irreversibilidade e a evolução; em vez da ordem, a desordem; em vez da necessidade, a criatividade e o acidente”.
Na teoria de Prigogine, o tempo está submetido à imersão relativa da provisoriedade dissipativa e mantém padrões circunscritos que repõem a ideia do tempo flecha. Esses padrões são, na verdade, um campo de reprodução, e neste sentido, são padrões bem mais flexíveis que o mecanicismo newtoniano. Porém, sem eles não seria possível à memória, a história, etc. Para Prigogine, a vida bioquímica e social não pode ser vista como algo estático - moléculas, partículas ou instituições inertes governadas por puxões e empurrões.
Os sistemas vivos escapam à entropia devido a uma capacidade inata de auto-organização. Para Prigogine, os sistemas vivos são abertos, complexos organizacionais sem equilíbrio ou quase sem equilíbrio, aos quais Prigogine denomina estruturas dissipativas. São estados que refletem sua interação com o ambiente, com o qual as estruturas dissipativas estão constantemente trocando energia, mantendo-se graças a um infindável fluxo dinâmico. Outro fator importante são as flutuações ou perturbações, mudanças súbitas que permitem o surgimento de inovações, mesmo quando a entropia as impede. Nesse sentido, diferentemente das abordagens lineares, progressistas ou desenvolvimentistas da organização temos agora a seguinte situação:

Organização x dissipação = auto-organização

A novidade aqui é a minha insistência em não apenas enfatizar as idéias de Prigogine para a vida bioquímica, mas também nas simbioses da vida em sociedade. Nós associamos essa visão também na modelagem das trocas simbióticas entre vida humana e suas organizações sociais em nossas inserções no mundo, mas um mundo socialmente vivo numa durée.  Afirmamos também de que as ações humanas ocorrem integradas numa durée, simultaneamente estáveis e instáveis. A reflexividade dos agentes humanos está muito profundamente envolvida na ordenação recursiva das suas práticas. É na durée ou em seus nódulos mais específicos que as práticas recursivas dos agentes situacionais fluem em contínuas condutas, hábitos ou mudanças de hábitos e condutas mobilizadas pela reflexividade. Podemos começar agora a imaginar o impacto dessa abordagem na velha compreensão linear, etapista ou dialética do desenvolvimento ou da evolução social da velha sociologia.
Assim, nessa abordagem rompe-se com o velho funcionalismo e o estruturalismo que se inclinaram fortemente para o naturalístico e o objetivismo determinado pelo tempo flecha cuja entropia é apenas episódica e não integrante da estruturação. No entanto, é importante registrar de que o pensamento funcionalista e o estruturalismo possuem diferenças apesar da forte identidade racionalista e neopositivista.
O funcionalismo, de Comte em diante, via particularmente a biologia como a ciência que fornece o modelo mais próximo e mais compatível para a ciência social. Entretanto, o pensamento estruturalista, especialmente nos escritos de Lévi-Strauss, foi hostil ao evolucionismo e isento de analogias biológicas. Porém, tanto o estruturalismo e o funcionalismo enfatizam fortemente a preeminência do todo social sobre suas partes individuais (isto é, sobre os atores constituintes, os sujeitos humanos).
A noção de estrutura (ou “estrutura social”), é claro, goza de grande destaque nos escritos da maioria dos autores funcionalistas e emprestou seu nome às tradições do “estruturalismo”. A principal diferença dos funcionalistas para os estruturalistas, é que os autores funcionalistas e seus críticos, deram muito mais atenção à idéia de “função” do que à de “estrutura” e, consequentemente, esta última tendeu a ser usada como uma noção dada.
O modo como “estrutura” é usualmente entendida pelos funcionalistas é uma espécie de “padronização” das relações sociais ou dos fenômenos sociais. Com freqüência, isso é ingenuamente concebido em termos de imagens visuais, análogas ao esqueleto ou morfologia de um organismo ou às vigas-mestras de um edifício ou eixos edificantes de estruturas mecânicas.
Tais concepções, entretanto, estão intimamente ligadas ao dualismo de sujeito e objeto social: “estrutura” apresenta-se nesse caso como “externa” à ação humana, como urna fonte de restrição à livre iniciativa do sujeito independentemente constituído.
A noção de estrutura no pensamento estruturalista e pós-estruturalista, como foi construída, é um pouco mais interessante. Ela é caracteristicamente concebida, não como uma padronização de presenças, mas como uma interseção de presença e ausência; os códigos subjacentes têm de ser inferidos de manifestações superficiais.
Como já nos indicou Giddens, trata-se, para nós, de identificar na estruturação as práticas sociais ordenadas no espaço e no tempo onde às atividades sociais humanas, são recursivas e continuamente recriadas por atores e agentes sociais integrando subjetividades e exterioridades objetiváveis, de recursos orgânicos e inorgânicos, uma “cognoscitividade e reflexividade complexa em estruturação.”
Enfim, a estruturação não pressupõe uma estrutura em si, mas de convergência de verificar os padrões regulares que são construídos e reconstruídos em todos os níveis, mas para o pensamento contemporâneo a dimensão simbólica assume um papel significativo para reflexividade onde não existe mais estrutura, mas estruturação em complexidade.
Vamos destacar mais uma importante conexão de Durkheim com a física. Numa passagem num dos capítulos do seu livro das Formas Elementares da Vida Religiosa, encontramos uma outra ligação de Durkheim com a física eletromagnética dos elétrons muito claramente presente. É quando Durkheim está tratando das festas coletivas e as compara como uma revolução dos elétrons para expressar a sua explicação de sinergia festiva (baseada em concentração e dispersão), que é uma ideia central do paradigma da complexidade. A crise da anomalia pode ser entendida então como a preponderância da dispersão sobre a capacidade de auto organização.
No entanto, hoje, diferentemente de Durkheim, já sabemos que o mundo não tem mais uma estrutura implícita. É uma estruturação sem estrutura. É organizado, mas não é dado como organizado.
Dos principais fundadores das ciências sociais apenas Weber desconfiava explicitamente do trilho mecanicista da velha física. Max Weber teve uma formação acadêmica muito ampla concentrada em estudos de Direito e com profundas incursões pela história, economia, filosofia e mesmo teologia. O que mais nos importa aqui é a idéia de que, para Weber, era necessário descobrir um método que permitisse estabelecer com referência aos fenômenos das atividades humanas, o que o método experimental permitia realizar em relação aos fenômenos da natureza.
Weber defendeu que em lugar do método experimental, que teria escassa aplicação nos conhecimentos baseados na percepção sensorial, os cientistas sociais ao lidarem mais claramente com fenômenos subjetivos e da compreensão, tinham necessidade de um novo tipo metódico de mensuração e construção teórica. Weber criou o método que permite lidar com fenômenos de sentido,  o método de compreensão, realizado através do tipo ideal.
Analisando o método compreensivo de Weber, encontramos uma grande sintonia em Weber integrada com as preocupações atuais da física quântica que esboça uma reinvenção e uma ênfase numa nova e profunda espiritualidade. Weber estudou também fenômenos como erotismo, teologia e expressou, reflexões que dão um amplo significado aos valores. Integrou na ciência preocupações espirituais de modo complexo. Deixou suas lições nos seus estudos orientais de que a dimensão espiritual na sociedade não precisa e não deveria se identificar com nenhum grupo particular ou organização particular, tinha que ser pluralista e os ocidentais deveriam aprender a conviver com  multiplicidade das expressões culturais e espirituais.
Com o método compreensivo, Weber aceita as concepções do maior inimigo do Kantismo (Dilthey, considerado o representante máximo do romantismo alemão), ou seja, ele considera no processo de investigação a compreensão de comportamento humano não racionais e tomado por "causalidades emotivas".
A explicação causal é relativizada por Weber, pois a adequação causal surge quando afirmamos que uma sucessão de fatos, segundo as regras de experiência, tem a probabilidade de transcorrer sempre de igual maneira. Uma interpretação causal deve ser conectada entre o sentido e a ação concreta investigada. Uma interpretação causal assim é sempre típica, ou seja, tipo de ação compreensível.
Assim, para Weber, o cientista social capta e interpreta o sentido ou conexões de sentido elaborando um tipo de um fenômeno frequente. Então o método científico procede a construção de tipos, que é derivado de conexões subjetivas condicionadas ou não por fins racionais. O modelo de análise político-social de Weber sintetizado no conceito de tipo ideal é devidamente complexo e contraditório. Muitas vezes é utilizado e defendido como apenas um recurso metodológico para ensejar a orientação do cientista no interior da inesgotável variedade de fenômenos observáveis na vida social, retendo suas expressões mais puras e que não se apresentam de imediato pelas situações observáveis. De outro lado, aparece também como recurso de análise comparativa na busca do que é comuns e do que é específico das configurações históricas estudadas.
Muito próximo as atuais teses do novo paradigma científico defendido pela física quântica, o próprio Weber assinala que o “motivo” é uma conexão de sentido, que se apresenta como o “fundamento” de uma conduta para o ator ou para o observador. A “causa” é explicada nos seguintes termos: de acordo com uma determinada regra de probabilidade – qualquer que seja o modo de calculá-la e só em casos raros e ideais ela pode ser traduzida segundo absolutos dados mensuráveis, pois a cada um determinado processo (interno ou externo) observado segue-se outro processo determinado (ou aparece junto com ele).
Weber instaura na sociologia e nas ciências sociais, uma efetiva ruptura com o naturalismo determinista. Para ele, os fenômenos sociais e as atividades humanas são relações sociais e não coisas, são produtos de sentido e são conhecimentos baseados na internalização da percepção sensorial, ou seja, são fundamentalmente fenômenos subjetivos a serem compreendidos.
Entretanto, para Weber, o tipo ideal não deve ser uma pura ficção subjetiva, precisa ser confrontado com o desenrolar do real (procedimentos causais dos acontecimentos) e sua relação com uma situação histórica que para Weber é sempre parcial e estritamente delimitada. Assim a relação da investigação com a realidade para Weber jamais poderá abarcar, como em Marx e Durkheim, a totalidade.
Para ele, como um bom seguidor do filósofo alemão Emanuel Kant, o investigador somente conseguirá reter uma porção da realidade. Essa é, inclusive, uma das razões do porque ele é conhecido como um pensador neo-kantiano. Mesmo uma pretensa análise da realidade infinita que uma mente humana finita pode realizar repousa na presunção tácita de que somente uma porção finita dessa realidade constitui objeto de investigação científica.
Assim, muito próximo da física quântica de hoje, Weber combateu resolutamente a ideia de que a ciência possa engendrar concepções de mundo de validade universal, fundadas no sentido objetivo do discurso histórico. Weber sempre esteve mais preocupado em descobrir as peculiaridades  dos fenômenos estudados. A marca do estilo weberiano segundo Gabriel Cohn é a de “combinar tomadas de posições muito firmas em face dos problemas práticos do dia, com reflexões bastante amplas sobre temas teóricos”.
Entretanto, seria incorreto afirmar que Weber rompe com o mecanicismo, apenas que ele o dota de uma dimensão mais compreensiva e menos totalizante. Porém, esse pensador, estava muito à frente dos outros fundacionistas, no âmbito da compreensão metodológica, que mais tarde foi precisada pela física quântica. A seletividade, para Weber, indicava um foco finito, e somente ele, (o finito segmentado) é 'importante' no sentido de ser 'digno de ser conhecido.
Weber, conclui, de modo revolucionário na época, de que não existe neutralidade objetiva num processo de investigação nas ciências sociais. Isso implicou termos com Weber uma nova modalidade de realização da "objetividade", aquela que não repousa apenas no objeto, mas na indagação da "peculiaridade do tipo de conhecimento por meio do qual se conhece", por meio do se realiza um determinado ato investigativo.
Vejamos mais detidamente a aproximação da metodologia compreensiva de Weber com os atuais postulados do paradigma da complexidade e, sobretudo, da física quântica. A física quântica assim como Weber não estava interessado numa totalidade e numa ordem dada na natureza. Para os quânticos também, o mundo não tem mais uma estrutura implícita. A natureza física é para a física quântica uma estruturação sem estrutura. É organizada, mas como já vimos, não é dado como organizado, pois é também vir a ser organizado ascendente como possibilidade e desorganização descendente em tensão.
Também para a física quântica, como já dissemos, o observador não é um espectador que decifra a natureza, sua observação é um ato de escolha, ele cria junto o mundo no mundo quando o observa. Werner Heisenberg nos apresentou nesse sentido, um dos mais significativos dessa ilustração, O Princípio da Incerteza, onde se conclui que: não se podem reduzir simultaneamente os erros da medição da velocidade e da posição das partículas; o que for feito para reduzir o erro de uma das medições aumenta o erro da outra. É como se ele tivesse apontasse o dedo da mão direita para baixo indicando o local de um elétron e com a outra mão ele aponta o dedo para cima indicando também a onda de seu impulso. O mais certo é que nós não sabemos e não temos como localizar a qualquer momento o local exato do elétron, o mais seguro para nós é tentarmos localizar o impulso de um quantum, identificamos apenas sua órbita, mas não temos segurança de seu local exato. Isso implica o princípio da idéia de que não conhecemos do real senão o que nele introduzimos, ou seja, que não conhecemos do real senão a nossa intervenção nele.
Este princípio e, portanto, a demonstração da interferência estrutural do sujeito no objeto observado, tem implicações de vulto. Por um lado, sendo estruturalmente limitado o rigor do nosso conhecimento, só podemos aspirar a resultados aproximados e por isso as leis da física são tão-só probabilísticas. Por outro lado, a hipótese do determinismo mecanicista é inviabilizada uma vez que a totalidade do real não se reduz à soma das partes em que a dividimos para observar e medir. Por último, a distinção sujeito/objeto é muito mais complexa do que à primeira vista pode parecer. A distinção perde os seus contornos dicotômicos assume a forma simbiótica de um continuum.
Também, Niels Bohr, um dos principais criadores da física quântica, indicou através de experimentos uma dualidade classificatória da natureza complementar do quantum. Um quantum é simultaneamente uma onda e uma partícula, mas qualquer experiência pode medir apenas só um aspecto ou o outro.
No reino quântico, a dualidade onda-partícula não é uma dualidade que pode ser tomada como aspectos de importância maiores ou menores, ou seja, nenhuma propriedade de onde onda ou partícula tendem a ser mais ou menos importante ou real nas criativas relações quânticas. Também a quântica demonstra que a realidade física tem sempre mais do que podemos experimentar ou expressar em qualquer tempo, é sempre mais complexa.
Tanto quanto defendia Weber, Bohr verificou também que o Universo da observação têm que incluir um fator importante para considerar para os efeitos da sua mensuração ou de qualquer medida do quantum pretendida, ou seja, a influência do observador. Assim, Heisenberg e Bohr demonstram que não é possível observar ou medir um objeto sem interferir nele, sem escolha a tal ponto que o conhecimento engendrado do objeto que sai de um processo de medição não é o mesmo se a escolha tivesse sido outra. Isto fez o Einstein declarar espantado que ele não poderia acreditar que Deus joga dados com o Universo.
Bohr e Heisenberg discutiram que as predições do quantum não podem ser limitadas às descrições estatísticas exatas do comportamento destes pacotes de energia. Alguns anos antes, Gödel (1906-78), um conhecido e atualmente muito citado matemático, tinha demonstrado essa questão. Criador do teorema que levou o seu nome, o teorema de Gödel, é considerado um dos paradoxos mais notáveis da história da ciência, com repercussões em todas as manifestações do saber e mudando os próprios paradigmas da lógica, da matemática, da teoria da informação e do pensamento científico em geral.
Nesse teorema Gödel demonstra a incompletude formal do próprio rigor da medição, abalando o sólido do alicerce da modulação formal sem as dimensão do tempo e das certezas provenientes do inquestionável veículo formal do próprio rigor explicativo em que a medição é expressa, ou seja, o rigor da matemática.
Gödel e seu teorema da incompletude demonstra a impossibilidade de: em certas circunstâncias, encontrar dentro de um dado sistema formal a prova da sua consistência vieram mostrar que, mesmo seguindo à risca as regras da lógica matemática, é possível formular proposições indecidíveis, proposições que se não podem demonstrar nem refutar, sendo que uma dessas proposições é precisamente a que postula o caráter não-contraditório do sistema.
Assim, concluímos com Boaventura de que se as leis da natureza fundamentam o seu rigor no rigor das formalizações matemáticas em que se expressam, as investigações de Gödel vêm demonstrar que o rigor da matemática carece ele próprio de fundamento. A partir daqui é possível não só questionar o rigor da matemática como também redefini-lo enquanto forma de rigor que se opõe a outras formas de rigor alternativo, uma forma de rigor cujas condições de êxito na ciência moderna não podem continuar a ser concebidas como naturais e óbvias. A própria filosofia da matemática tem vindo a problematizar criativamente estes temas e reconhece hoje que o rigor matemático, como qualquer outra forma de rigor, assenta num critério de seletividade e que, como tal, tem um lado construtivo e um lado destrutivo.
Como já dissemos, porém, seria incorreto afirmar que Weber rompe com o mecanicismo. A negativa de Weber em não dotar os fenômenos espirituais, culturais de uma explicação física demonstra que sua busca pela especificidade do mundo social, para ele, estava, implicitamente conectado ao dualismo mecanicista: ciências do espírito x ciências da natureza. Também muitas vezes suas pesquisas tinham como resultado contraditório, uma visão extremamente racional, mesmo dotada de elementos estranhos e contaminados por uma busca de compreensão, estava ainda muito preso a uma compreensão da causalidade, mesmo sendo essas dotadas de sentido.
É o caso da burocracia, sua genial descrição e profunda análise da manifestação desse poder racional, não permitiu a Weber se dar conta que da concepção física de fundo do próprio fenômeno burocrático, que é maquínico e, do qual seus processos podem, portanto, serem praticamente e totalmente substituídos por artefatos cognitivos computacionais tomados pela simples programação numérica. Faltou a Weber a integração com uma abordagem física, onde a incerteza inerente à realidade quântica, seu caráter tanto/quanto, substitui a conhecida fixidez do mundo mecanicista. As máquinas e os seus desempenhos estão sujeitos a alterar-se ligeiramente em determinado ambiente, elas podem enferrujar, caso haja umidade, ou emperrar quando contaminada por sujeiras, porém, não mudam eternamente. Porém as máquinas, cognitivas ou não, são muito definidas, permanecem as mesmas em qualquer circunstância. É o caso do conceito de rotina lógica funcional na burocracia. Enquanto não necessitar de um novo parâmetro o processo da rotina deve ser repetido. Não transformam em outra coisa.
Weber, acreditava que esse modelo de dominação burocrática que é racional, enquanto um novo exercício institucional do poder era o mais avançado e, certamente o foi, por quase todo o Século XX, Weber, porém não conseguiu compreender de modo complexo, que sua abordagem física, de que esse modelo organizacional era produto de uma tecnologia típica de uma época que precisava transformar homens e mulheres em peritas máquinas cognitivas. Hoje máquinas físicas que são também fisicamente cognitivas podem liberar a atividade humana quase totalmente dos procedimentos matemáticos tomados por programações predeterminadas.
A metáfora da maquinaria racional subsiste ainda hoje em dia através de práticas e expressões como "a máquina administrativa" e "o aparelho do Estado e nas implicações filosóficas da inteligência artificial que insistem em nos ver como "máquinas cognitivas de pensar, as quais podem estar "ligadas" ou "desligadas" e que podemos ser programados para o sucesso ou o fracasso na vida, no mercado... Até aqui nenhuma novidade, foi o mecanicista Thomas Hobbes que tornou esse princípio famoso. Hobbes definiu em Leviatã, que vivemos uma guerra de todos os homens contra todos os homens. Ainda hoje os economistas e sociólogos adeptos da teoria da escolha racional argumentam que os indivíduos sempre preferirão agir na defesa de seus interesses.  Trata-se da busca de um meio de equilibrar todos os interesses em conflito na sociedade como a base da democracia adversativa e do conhecido estilo confrontador dos partidos políticos modernos.
Tanto como para Newton, as pedras angulares do mundo físico eram como átomos tão numerosos e impenetráveis que se atropelavam, girando no espaço, e colidiam entre si como minúsculas bolas de bilhar. Os únicos atores do drama espaço-tempo eram essas partículas e as forças de atração ou repulsão que entre elas operavam. Os pensadores políticos da época compararam esses átomos em colisão e as forças que interagiam entre eles com o comportamento e as interações dos indivíduos na sociedade à medida que estes se confrontavam na defesa de interesses próprios.
Na física quântica, então, como já vimos, até mesmo a matéria, se torna consciência (auto-organizada) ela se integra a dois movimentos contraditórios e intrínsecos: uma flecha ascendente (vir a ser evolução) e uma flecha descendente (desagregadora, não vir e ser). Dessa tensão nasce a sustentabilidade da auto-organização, que como vimos, integra uma nova compreensão da organização da matéria incorporando a decomposição, inclusive, a entropia complexa, deve ser a supremacia da flecha descendente sobre a ascendente leva a morte de uma estruturação complexa, da vida e até do Universo. Como afirmou Alvin Tofffler, num prefácio do livro de Ilya Pregogine e Isabelle Stenders: “A idade da máquina está cantando os pneus para parar”.  Ela já não nos alimenta, já não funciona como um símbolo que une a nossa cultura e lhe dá significado.
A matéria se auto-organiza. É uma nova percepção. Sistemas se auto-organizam no tempo. No paradigma moderno a organização está praticamente banida da ciência. A partir dos anos 50 que os cientistas começam a falar da auto-organização, inclusive do mundo físico.
Novos padrões de relação social e política ocupam o centro de nossa atenção hoje em dia. Os conhecidos padrões de família, comunidade, negócios e até de nação estão ruindo. Os antigos sistemas políticos e econômicos se desmancham ou se encontram no limite da ruptura. Já não têm resposta para as nossas necessidades e indagações mais profundas, já não nos inspiram com uma visão nem nos motivam à ação. A nossa relação com a natureza atingiu um ponto de urgência global. Todo o conjunto do paradigma mecanicista da sociedade já não consegue lidar com a realidade contemporânea.

FÍSICA QUÂNTICA E CIÊNCIAS HUMANAS: um elogio à física

Somos uma gota no oceano o que quer que aconteça com o oceano, acontecerá com a gota, o que aconteça com a gota acontecerá com o oceano. Paramahansa Yogananda.

A física mecanicista tornou-se a pedra de toque de toda uma visão de mundo, o paradigma central do mundo moderno. E foi-nos de grande utilidade em muitos aspectos. Tornou possível a nossa cultura industrial e tecnológica e foi intelectualmente compatível com o florescimento tanto do individualismo ocidental quanto da democracia liberal. Contudo, a extensão do paradigma mecanicista à nossa percepção geral da realidade, seja física, seja social, trouxe consequências que só agora começamos a questionar.
O mecanicismo abre um abismo intransponível entre os seres humanos e o mundo físico. A consciência humana não tem função nem lugar na vasta máquina do mundo de Newton. Como citou Donah, o que escreveu o biólogo francês Jacques Monod, nós vivemos"como ciganos... nos confins de um mundo estrangeiro.”  Tal ideia de um reino físico estranho, associada à influência cristã, estendeu-se ao mundo mais amplo da natureza. Esta é percebida como totalmente" outra" em relação a nós, uma força a ser conquistada e usada. Podemos ver nessa percepção distorcida a origem da crise ecológica atual.
O mecanicismo enfatiza o absoluto, o imutável e o certo. A ambiguidade é a sua grande inimiga. As coordenadas espaço e tempo absolutos de Newton são o arcabouço de um universo fixo, previsível e sujeito a leis inflexíveis. A sociedade mecanicista ressalta o centro absoluto: o poder a irradiar-se rumo à periferia. Realça os papéis fixos e a organização burocrática rígida.
O mecanicismo pressupõe partes isoladas, separadas e intercambiáveis. Tudo no universo de Newton é, em última instância, redutível aos múltiplos átomos individuais e às forças que atuam entre eles. O atomismo estimula um modelo de relações baseado no conflito e no confronto: uma parte contra a outra. Em nossos dias, a mecanicista "guerra de todos os homens contra todos os homens" de Hobbes assume literalmente a forma de um conflito derradeiro. É mais do que óbvio, diz Richard Falk, de Princeton, "que as armas nucleares, enquanto instrumentos de luta de uma parte contra outra, condenam a todos e destroem toda e qualquer possibilidade de sanidade modernista”.
O atomismo subjaz ao culto moderno do especialista, do indivíduo isolado que muito conhece fragmentos isolados de informação ou de experiência, mas ignora o todo do qual esses fragmentos são parte. As partes se alienam entre si e do todo. Este fica sujeito à fragmentação. O especialista aliena-se da situação ou da comunidade na qual pratica sua especialidade.
A Revolução Industrial e a produção em massa que ela engendrou estenderam tal alienação a nossa própria compreensão dos seres humanos e da natureza do nosso trabalho. Na vasta máquina industrial (ou na imensa organização empresarial), o trabalhador individual converte-se em um "fator de produção", em uma unidade objetivada do processo de produção padronizado. Suas relações pessoais ou sociais, e também tudo que se possa definir como suas qualidades espirituais, ficam isoladas do totalmente separado e rigidamente burocratizado mundo do trabalho. Os empregados do mecanismo são, como indicou Marx, alienados tanto de si mesmos, como seres mais amplos, quanto do produto de seu trabalho.
O mecanicismo enfatiza o ponto de vista único. Em uma estrutura espaço-tempo absoluto, só há uma maneira de enxergar as coisas. Na física newtoniana, existe apenas uma realidade por vez. O ou/ ou da escolha absoluta torna-se a maneira predileta de lidar com a realidade. Uma afirmação é falsa ou verdadeira, uma ação é boa ou má. Só pode haver uma verdade, uma maneira de agir. Nada de nuança ou paradoxo, nem a multiplicidade nem a diferença nem a pluralidade podem se acomodar.
O mecanicismo se molda na máquina. O universo constitui-se de partes fixas em funcionamento, suas leis de interação são rigorosamente determinadas. As máquinas são coisas pesadas e incapazes de reação. Não se podem ajustar à mudança. Não dão espaço à flexibilidade. O "aparelho do Estado" e as "engrenagens da organização" sofrem das mesmas limitações. A burocracia excessiva, que encara as pessoas como unidades sem rosto a serem tratadas com regulamentos impessoais, tem sido vista cada vez mais como alienante e, ao mesmo tempo, ineficiente.
Na própria ciência, há muito que o mecanicismo é coisa do passado. As leis rigorosamente deterministas de Newton ainda se aplicam a uma faixa estreita da realidade física, mas já não estão no centro do pensamento físico. Também como modelo mais geral da realidade, o mecanicismo revela-se hoje extremamente limitado. Nas palavras do escritor dominicano Thomas Berry, atualmente julgamos que, sob a sua influência, a mente humana viveu nos limites mais estreitos que já experimentou”.
A ausência de qualquer referência ao lugar que a vida e a consciência ocupam no universo deixa os seres humanos sem noção do nosso lugar no esquema das coisas. O atomismo nega a realidade e a importância do relacionamento, abrindo um precedente para o conflito, o confronto e a luta pela satisfação dos interesses próprios. Enquanto modelo, o mecanicismo não pode explicar por que as pessoas agem em favor das outras nem nenhuma sorte de coesão social. E essa separação radical entre o mental e o físico estimula uma divisão entre nós e o mundo natural, colocando-nos em oposição à natureza e o natural dentro de nós. O rápido Século XX desbancou, não apenas as instituições, mas o velho paradigma moderno da ciência. Desbancamos o velho modo de conhecermos as coisas e nos relacionarmos no mundo. No entanto, nossa maneira de entendermos a sociedade continuou marcadamente presa ao moderno mundo industrial e cada vez menos permite compreendermos e explicarmos o mundo em que nele acontecemos. O nosso mundo.
Os últimos insights da física e das dinâmicas quânticas, da teoria do Caos, das estruturas dissipativas da bioquímica, das teorias do infinitamente pequeno da nanotecnologia, das teorias da informação, das ciências da vida e da mente, todas cada vez mais convergentes num novo paradigma, o paradigma da complexidade, são também cada vez mais integradas a nova sopa do grande caldeirão da física quântica e nos fornece um imenso tecido tomado por uma fina malha, da qual, os sociólogos e pensadores sociais comprometidos em entender a vida presente no mundo contemporâneo devem sujar suas mãos e mentes e arregaçar suas mangas para começar a tecer os nós que ligam e religam esses insights a novos insights que se relacionam com preocupações cotidianas, com o eu e a sociedade. Trata-se de novos nós e ligações que emergem de uma também nova consciência humana no mundo. Um tecido que vai construindo nossa inserção no mundo físico de modo mais íntimo e intenso, redefinindo e compondo também uma nova visão social que esteja em conformidade com a realidade presente.
A ideia de uma "sociedade quântica" procede da convicção de que todo um paradigma novo está surgindo e esse paradigma pode estender-se a ponto de alterar radicalmente nossa percepção de nós mesmos e do mundo social no qual queremos viver.
Uma apreciação mais ampla da natureza revolucionária da realidade quântica e dos possíveis vínculos entre os processos quânticos e os processos cerebrais e sociais podem nos oferecer os fundamentos conceituais de que necessitamos para realizar novas aliança da humanidade com um mundo físico, essa é a minha pretensão, pouco modesta, quando proponho a teoria simbiogênica da sociedade. Ela está integrada nesse macro programa paradigmático e nesse imenso e denso desafio de um longo agora. O cérebro humano é o elo natural entre nossos valores e percepções e a "dança cósmica" da realidade física. É a base física de nossa vida consciente. Uma visão mais clara de como ele engendra a mente pode nos dar uma melhor compreensão do potencial latente do pensamento.
Como vimos, a noção de uma sociedade quântica procura também sugerir a imagem de uma sociedade firmemente enraizada na natureza. Enraizada não só na natureza das árvores, dos rios e da ecosfera, como também na da própria realidade física: uma sociedade que extrai suas leis e princípios, suas autoimagens e metáforas, das mesmas leis e princípios que regem tudo quanto existe no universo, como inicialmente nos brindou outro brilhante e desbravador físico, David Bohm .
Segundo Danah, a palavra "sociedade" é empregada de diversas maneiras para descrever arranjos sociais bem diferentes: Estados nacionais como a "sociedade brasileira" ou a "sociedade norte-americana", subculturas religiosas ou étnicas como a "sociedade cristã" ou até padrões culturais de agrupamentos de classe como a "sociedade da classe média" ou a "alta sociedade". O próprio  sociólogo e francês Émile Durkheim (1858-1917), um dos criadores da sociologia, que nos ensinou pensar as relações sociais devem ser pensadas à semelhança dos fenômenos físicos afirmava que a idéia de sociedade se tratava de um termo muito genérico e designou sociedade como "padrões coletivos de pensamento, sentimento e ação". Nesse sentido, podemos estender esse conceito desde o mundo mais particular do relacionamento íntimo até o cada vez mais global das relações econômicas, políticas e de poder. Nesse sentido, qualquer princípio que indique estar envolvido ou envolver-se numa relação numa relação - ou estar até sujeito a ela - significa conviver em sociedade.

A SOCIEDADE SIMBIOGÊNICA ATUAL É UMA SOCIEDADE QUÂNTICA

A tarefa é simples não consiste tanto em ver o que ninguém até hoje viu, mas em pensar o que ninguém até agora pensou sobre aquilo que todos veem. Arthur Schopenhauer.

Como já disse, não há nada há de novo em propor uma ligação direta entre a nossa compreensão do mundo físico e as ideias que temos sobre os padrões sociais e as relações políticas. Porém a ligação entre a teoria social integrada a física quântica e ao paradigma da complexidade indicam algumas problemáticas surpreendentes a serem resolvidas para que isso possa ocorrer. Por exemplo, a questão da diferenciação entre ciências naturais e as não naturais.
O paradigma da complexidade nas ciências da natureza e da vida, como vimos, se aproxima cada vez mais da abordagem weberiana. No entanto, Weber sempre defendeu o devido afastamento e a devida especificidade das ciências sociais frente às naturais. Por outro lado, o novo paradigma das ciências da natureza e da vida se afasta dos sociólogos que sempre defenderam a aproximação e a identidade da ciência social com a velha ciência da natureza e, mais especificamente, a da vida como, por exemplo, Durkheim.
Os últimos desenvolvimentos na física e da biologia parecem apontar na direção da unificação do saber e do conhecimento diante da complexidade, entendendo cada vez mais que todas as ciências são sociais. E que a dualidade simétrica: vida x corpo, matéria x espírito, são desprovidas de complexidade.
Assim, os avanços recentes da física e da biologia põem em causa a distinção entre o orgânico e o inorgânico, entre seres vivos e matéria inerte e mesmo entre o humano e o não humano. As características da auto-organização, do metabolismo e da auto-reprodução, antes consideradas específicas dos seres vivos, são hoje atribuídas aos sistemas pré-celulares de moléculas. E, quer num quer noutros, reconhecemos propriedades e comportamentos antes considerados antes específicos dos seres humanos e das relações sociais.
Todas as recentes teorias científicas mencionadas introduzem na matéria os conceitos de historicidade, de liberdade, de autodeterminação e até de consciência que antes o homem e a mulher tinham reservado para si.  Isso implica uma nova e ainda mais radical conclusão se o saber e a matéria estão intimamente ligados na complexidade, então, as ciências naturais e as sociais estão também interligadas, assim, não existe na complexidade, a possibilidade de uma ciência não social e como nos lembra Boaventura de Sousa Santos, na complexidade: todas as ciências são sociais.
No entanto a polêmica continua na sociologia e essa questão está longe de ser resolvida. Por exemplo, Alexander, em seu estudo sobre a importância dos clássicos na sociologia adota a abordagem clássica weberiana de defesa da especificidade do saber social sobre o natural:

Minha distinção entre ciência natural e ciência social só pode ter, é claro, um caráter de tipo ideal. Meu propósito é articular condições gerais e não explicar situações disciplinares especificas. Em geral, é decerto apropriado dizer que as condições pró e contra os clássicos correspondem amplamente à divisão entre ciências da natureza e ciências que tratam das ações dos seres humanos. A análise especifica de qualquer disciplina exigiria a especificação das condições gerais em cada caso. Assim, a ciência natural se fragmentou em ciência física e ciência da vida. Menos sujeita a matematização, esta é menos consensual e menos vulnerável a disputas extra empíricas explicitas. Em alguns casos isso pode fazer com que o debate sobre os clássicos desempenhe um papel científico constante, como na polêmica darwiniana em biologia evolucionista. Também nos estudos sobre o homem as disciplinas diferem segundo o grau... Nos Estados Unidos, por exemplo, a economia é mais independente dos clássicos que a sociologia ou a antropologia, e a relação da história com os clássicos parece flutuar continuamente. A variação, nestes casos empíricos, pode ser explicada em termos das condições teóricas...”.

Encontramos também esse dualismo presente tanto nos tecnólogos como em alguns sociólogos que estão estudando e pesquisando a informação computacional mantendo a velha dualidade assimbiótica entre realidade virtual e realidade vital.
Por exemplo, Manuel Castells apresenta em sua imensa pesquisa  um enorme catálogo de dados e fenômenos vinculados à emergência das tecnologias de informação nas diferentes sociedades do planeta. Apesar de refletir e pesquisar sobre este fenômeno informacional contemporâneo, o sociólogo situa a sua abordagem numa perspectiva macrossocial, desconsiderando o determinismo tecnológico. Porém, ele encontra-se envolto na metáfora da rede, dando-nos a entender que há uma dificuldade de distinção entre redutor/rede, como representação da realidade e o entendimento dessa mesma realidade. Para Castells , vivemos uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação, o que está remodelando a base da sociedade em ritmo acelerado. Em suas próprias palavras, “Nossas sociedades estão cada vez mais estruturadas em uma oposição bipolar entre Rede e Ser”.
Ao contrário desses autores, cujas abordagens acabam por se vincular num determinismo tecnológico, uma sociedade complexa, integrada ao paradigma da complexidade se faz necessário que se entenda profundamente a perspectiva entre simbiogênese e tecnologia, é necessário romper com a velha abordagem dualista: realidade úmida (orgânica) versus realidade seca (inorgânica), que nos acompanhou no entendimento e no entrelaçamento das coisas do mundo com a vida, envolvendo-nos em simplificadoras versões entre realidade vital versus realidade virtual.
Ao mesmo tempo, há algo novo "no ar", uma nova ênfase na unidade e na integração, fala-se em uma nova política, em uma nova sociedade, em uma nova espiritualidade. Tanto na vida privada quanto nos papéis públicos, estamos à procura de um arcabouço inteiramente novo que nos permita compreender e realizar nosso potencial de seres sociais. Buscamos meios de articular e institucionalizar um novo tipo de.realidade social.
Tomemos um outro exemplo que indica uma conexão intercambiante significativa entre teoria social e complexidade: a teoria do caos. O caos é também uma série de atitudes em relação à complexidade, uma nova maneira de ver o mundo e nos vermos e inserirmos nele. Todos os avanços obtidos pela significante e fascinante teoria da sociedade de risco do alemão Ulrich Beck,  são devedores da sua integração com a Teoria do Caos. Não são poucas as implicações da teoria do caos para a sociologia. Por exemplo, Boaventura de Sousa Santos chama atenção de que o distingue neste domínio a sociologia funcionalista de uma sociologia crítica é o fato de a primeira pretender a ordem da regulação social e a segunda pretender a ordem da emancipação social, porém para ambas, o conhecimento totalizante é um conhecimento da ordem sobre o caos.  Um conhecimento que toma as bases produtivas e não apenas dissipativas do Caos é um conhecimento que busca universalidades múltiplas sem totalidade.
Uma grande implicação da integração da nova física e da Teoria do Caos para a sociologia é o reforço das ideias de estruturação não-lineares, ou seja, a ideia de que nos sistemas complexos as funções não são lineares e, por isso, ao contrário do que ocorre nas funções lineares, uma pequena causa social pode produzir um grande efeito. Ora, como os indivíduos e as sociedades não podem produzir consequências senão através de causas e como estas, segundo as teorias do caos, não ocorrem na mesma escala dos seus efeitos, não é possível partir do pressuposto de que o controle das causas acarreta consigo o controle das consequências. Pelo contrário, a falta de controle sobre as consequências significa que as ações empreendidas como causas têm, não apenas as consequências intencionais (lineares) da ação, mas uma multiplicidade imprevisível (potencialmente infinita) de consequências. O controle das causas, sendo absoluto, é absolutamente precário.
Uma das últimas grandes tentativas de produzir uma teoria crítica moderna coube a Foucault, tomando precisamente como alvo o conhecimento totalizante da modernidade pela ciência moderna. Foucault representa ao mesmo tempo o clímax e, paradoxalmente, a derrocada da teoria crítica moderna. Levando até às últimas consequências o poder disciplinar do panóptico construído pela ciência moderna, Foucault mostra que não há qualquer saída emancipatória dentro deste “regime da verdade”, já que a própria resistência se transforma ela própria num poder disciplinar e, portanto, numa opressão consentida porque interiorizada.
Um dos grandes méritos de Foucault foi ter mostrado as opacidades e os silêncios produzidos pela ciência moderna, conferindo credibilidade à busca de “regimes da verdade” alternativos, outras formas de conhecer marginalizadas, suprimidas e desacreditadas pela ciência moderna. Assim, Boaventura conclui que, o nosso lugar é hoje um lugar multicultural, um lugar que exerce uma constante hermenêutica de suspeição contra supostos universalismos ou totalidades ou mais precisamente, não podemos parcelar a realidades em segmentos independentes, elas serão sempre versões também universais e holográficas, mas sem totalidade. Até mesmo porque a soma das partes, na complexidade é maior do que o todo.
E, como se trata de uma realidade social, tem de ser necessariamente uma realidade compartilhada. A exclusão dos padrões sociais e políticos tradicionais, assim como a justaposição desordenada do conhecimento e da experiência de toda uma panóptica de culturas outrora distintas e localmente enraizadas, deixaram-nos apenas as migalhas estilhaçadas pela fragmentação característica da vida moderna. Carecemos de um consenso sobre a integração complexa e não meramente funcional os significados, os valores, os costumes e os "símbolos". Devemos aprender a re-experimentar essa realidade como um todo integrado.
Parafraseando Danah Zohar, e pequena carona na sua caracterização geral da sociedade quântica dizemos também que a sociedade simbiogênica tem que ser: holística, tem que dar respostas, tem que ser também emergente, tem que ser verde, tem que ser espiritual e tem que ter um profundo diálogo com a ciência.

A sociedade simbiogênica também tem que ser holística

SYMBIOS = fazer tudo junto. Simbiogênese. Sem negar o conflito e a luta darwiniana temos como premissa de que a evolução é fruto de uma rede de cooperação a longo prazo.
Sendo nós construtores e consumidores de uma sociedade no mundo e que acontecemos no mundo juntos sempre a sociedade quântica tem que ser holística por que vivemos num mesmo cosmos, num mesmo lar planetário e assim somos seres globais que vivem em sociedades globais. Vivemos em um mundo ao mesmo tempo global e de crescente interdependente do local, tanto social, como política e econômica. Porém, mesmo os pequenos desvios no interior da sociedade ou de uma parte da sociedade se fazem sentir em todo o mundo. As turbulências no mercado de ações de Tóquio refletem-se em Londres e Nova York. Uma revolução em Beijing suscita esperanças e expectativas na Europa e nas Américas. Os processos de produção das indústrias particulares ou mesmo os hábitos domésticos no lar têm efeito direto e duradouro sobre o meio ambiente da Terra. Até o mais privado comportamento dos indivíduos afeta e é afetado pelos padrões sociais em larga escala na sociedade como um todo.
A noção mecanicista segundo a qual a sociedade consiste em unidades isoladas, onde cada um de seus membros devem perseguir cegamente seus interesses próprios, não consegue lidar com a interligação. Compostos desordenadamente de partes separadas, não coordenadas e, sem embargo, impostos de todas as direções, os sistemas mecanicistas tornaram-se pesados e instáveis. Os antigos modelos de conflito e confronto precisam ceder o passo a novas estruturas de integração dinâmica: estruturas que preservem a identidade dos membros participantes ao mesmo tempo em que os integrem a um todo operante mais amplo.
Nesse sentido, precisamos romper com os velhos padrões estruturantes e sistêmicos concebidos pelas estruturas sociais onde o agenciamento coletivo para ser realizado precisa anular completamente o agenciamento individual. Falamos agora em individuação, ou seja, em um processo complexo onde o agenciamento coletivo fortalece a medida em que se aprofunda o próprio agenciamento individual. Isso implica em rompermos com a atrofia, fordista, sistêmica, tão presentes nas estruturas e organizações modernas e industriais. A sociedade quântica enfrenta e rompe com o paradoxo tão bem expressado por Joël de Rosnay:

“Os seres humanos quanto mais se complexificam menos aptos se tornam para resolver os problemas coletivos complexos que eles mesmos criam. Diferentemente das formigas, que se comportam como geniais agentes coletivos e profundas idiotas individuais, os humanos estão se transformando em geniais agentes individualizados e cada vez mais um profundo idiota coletivo”.

Donah afirmou que o físico Leo Esaki, laureado com o Prêmio Nobel, segundo Zohar, foi talvez, o primeiro a sugerir que a física quântica oferece uma linguagem útil para descrever as características da sociedade japonesa onde nasceu. Opondo o individualismo ocidental ao que ele chama de "modo coletivo" do Japão, diz que deve ser útil vincular a sociedade japonesa a um "estado quântico coerente" ou a um "superfluido espaço-temperatura", um fenômeno físico de muitos corpos, no qual os indivíduos constituintes modificam-se em seu comportamento e o todo é mais que a mera soma das partes.
Até que ponto tipos de fenômenos quânticos representados pelos superfluidos podem nos indicar um compreensão mais profunda das interações humanas, ainda deve e muito ser discutidos e validados, porém, mesmo apenas nos servindo de analogias, as derivações quânticas certamente nos fornece um complexo instrumental e recursos de modelagens muito mais sofisticados para as pesquisas sociológicas que visam descrever a coesão grupal e o sentido de objetivo comum que distingue, por exemplo, a sociedade e a indústria japonesas.
Porque na verdade, não deixa de ser uma coesão que permite membros "trabalhem em conjunto sem fricção" e que conferem ao grupo uma identidade suplementar, além e acima das identidades de seus membros individuais, e que lhe fornece uma vantagem criativa que os indivíduos, isoladamente, não possuem. Todas essas são propriedades características de um superfluido (ou de qualquer outro estado quântico muito coerente). Quem conhece as práticas da administração japonesa há de saber que a "modificação do comportamento individual" descrita por Esaki torna-se possível fazendo com que os trabalhadores individuais funcionem "em sincronia" ou "na mesma frequência" - por meio de um rigoroso código de obediência, mediante a "busca da conformidade" com ogrupo, entoando em conjunto o hino da empresa todas as manhãs, pela segurança de um emprego para o resto da vida, a instigação de um alto nível de orgulho coletivo e a ênfase na importância do desempenho grupal. Certamente que nesse aspecto, haverá importantes diferenças entre a sociedade quântica ocidental e a japonesa, altamente (e quase unicamente) orientada para o grupo, porém, ainda mais radical será a diferença entre ela e o exagerado individualismo dos nossos conhecidos modelos mecanicistas ocidentais
Assim, em virtude de seu inerente dinamismo, a modernização reflexiva está acabando com as camadas sociais mais estruturadas, não apenas com as estruturas de classe na modernidade simples que são abstratas e impessoais como muito das ocupações diversas de sentido industrial do trabalho, mas também com os papéis precisos e definidos dos sexos, da família nuclear, da agricultura, do mundo empresarial e institucional. É visível que nesse contexto em ruptura com a modernidade simples e industrializada, a sociedade reflexiva exige uma maior individualização que liberte o ser humano das estruturações coletivas e normativas, tais como conhecemos na sociedade industrial presente em conceitos quase naturalizados como o de classe, de nação, de família nuclear e o da crença incondicional na validade da ciência como verdade racional.
Essa abordagem encontrou e ainda encontra muito trânsito ente sociólogos e cientistas sociais que não romperam com sua imersão na sociedade industrial. Por exemplo, a noção de “sociedade” vista com um sistema integrado numa totalidade de partes funcionais, como um simples sistema mecânico caracterizado não somente pelos relacionamentos concretos e particulares da vida, mas por relacionamentos abstratos, impessoais, onde reina a realização instrumental de interesses e universalismo, é o que definiu Talcott Parsons com suas normas institucionais no seu Sistema Social.
A física quântica destronou a certeza moderna numa estrutura social dada do mundo físico e desbancou o princípio da separabilidade, muito explicitamente proposto na regra cartesiana. A matéria expande, não linearmente, mas de modo caótico integrado a duas realidades simultâneas: ordem e desordem. Para o paradigma cartesiano tanto do positivismo e até mesmo do racionalismo de Bachelard, de Einstein, de Heisenberg e Niels Bohr a ordem no universo, na natureza era dada.
Agora estamos descobrindo que os sábios antigos do oriente, bem antes da hegemonia do paradigma cartesiano, estavam muito mais próximo da complexidade do mundo pois já tinham a visão de que a natureza é caótica, de quer o universo brotava da desordem e que o Universo e a matéria se auto-organizava.
A palavra quantum refere-se a uma discreta parcela de energia, a menor unidade de energia possível de associar-se a qualquer evento subatômico isolado.  Nos átomos, os elétrons passam de um estado de energia (órbita) a outro mediante “saltos quânticos” descontínuos, sendo o tamanho do salto dependente da quantidade de energia quântica que absorveram ou liberaram. Em um átomo estável, cada elétron “reside” em uma órbita particular, a qual depende da energia à qual essa trajetória está associada. Todavia, começam a acontecer coisas estranhas quando o átomo se torna instável - quando seus padrões de energia interna passam a mudar.
Para começar cada átomo pode tornar-se instável sem nenhuma razão aparente. Não há causas ou “porquês” necessários nos fatos e nos acontecimentos da realidade quântica. As coisas simplesmente acontecem.  De repente, os elétrons de um átomo anteriormente estável podem começar a mover-se em órbitas de energia diferentes. Quando isso ocorre, não há como saber que caminho um determinado elétron vai percorrer nem por que finalmente “resolve” instalar-se em outra órbita. O máximo que se pode dizer é que essa trajetória será em saltos descontínuos e que a distância (a diferença de energia) que ele percorre será medida em tantos quanta inteiros ou “punhados” de energia. Cada viagem possível e cada eventual destino associa-se a uma probabilidade, porém nada é determinado. A indeterminação - a ausência de qualquer base física que permita prever o resultado dos fatos - caracteriza o reino quântico.
O pior de tudo é que os experimentos quânticos demonstraram que, além dessa indeterminação previsível, os elétrons segue por todos os caminhos possíveis ao mesmo tempo. Comporta-se como se houvesse espalhado em todo o espaço e em todo o tempo e estivesse em toda parte simultaneamente. O físico quântico Niel Bor, considerado por muito como o pai da física quântica em seus primórdios fez uma conhecida observação: “qualquer um que não tenha ficado aturdido ao pensar a teoria quântica não a compreendeu”.
Na linguagem da física quântica, os elétrons jogam essas múltiplas possibilidades de trajetórias possíveis como sondas conhecidas como transações virtuais - são as possíveis viagens que o elétron faz antes que aconteça uma coisa efetiva (uma coisa mensurável). A viagem efetiva, a que resulta em que o elétron acha uma nova residência e lá permaneça, chama-se de transição real. Mas a diferença entre o virtual e o real no mundo quântico é desconcertante e não significa nada do que geralmente derivamos de uma dualidade no senso comum.
David Bohm deixa isso mui explícito, vejamos com suas próprias palavras:

“Às vezes, as transições permanentes (as que conservam energia) são denominadas transições reais para distingui-las das assim chamadas transições virtuais, que não conservam energia e, por conseguinte, precisam retornar antes que tenham se afastado demais. É uma terminologia infeliz (a virtual) porque pressupõe que essas últimas não tenham efeitos reais. Ao contrário, com muita frequência as chamadas transições virtuais são importantíssimas, pois delas resultam um grande números de processos físicos”.

A existência de estados virtuais mostram, então que podemos experimentar mais de uma realidade ao mesmo tempo, cada uma representa seu drama individual, simultaneamente com as outras. Na linguagem quântica essas múltiplas realidades são conhecidas como “superposições”, como realidades que são desdobradas uma encima da outra. No reino quântico as superposições são um dos axiomas fundamentais. Essa função de potência de superposicionar se efetiva, sobretudo, a partir de ondas. A onda pode ser calculada e expressa claramente em construção matemática (equação da onda de Schrödinger). Trata-se de uma expressão matemática que contém, por conseguinte, uma gama de possibilidades, todas igualmente reais e muitas reciprocamente contraditórias que se convergiram num calapso (um colapso da função onda).
O colapso é o momento da observação em que muitas possibilidades quânticas se condensam em uma só realidade. Ninguém sabe ao certo o porque as funções da onda entram em colapso, apenas parece haver uma conexão entre o colapso e o fato das ondas estarem sendo observadas (medidas).
Uma das questões mais fundamentais da nova física quântica contribui para uma nova sociologia e uma nova teoria da sociedade simbiogênica é a sua concepção revolucionária de relações e interações. A simbiogênese é, sobretudo, relações. Qual seria, então a diferença da simbiose quântica tão imprescindível para a teoria e a compreensão da sociedade simbiogênica?
No mundo da física clássica, toda a realidade é, em última instância redutível a suas bases não analisáveis (os átomos). Partes inerentes e separadas uma das outras, um grande universo de trocas entre força e energias localmente reconhecidas. Quando duas porções separadas se encontram, colidem, e a força do impacto as impulsionam em direções opostas. O conceito de relação entre quaisquer identidades mecânicas é sempre o de uma conexão externa.mediada por uma força ou sinal exterior. Os átomos newtonianos não podem entrar uns nos outros; são unidades individuais impenetráveis. Não tem relação interna. Na física quântica, tanto a natureza do ser, na qualidade de dinâmico dualismo onda-partícula, como na noção de transformação, enquanto processos mediante elétrons e fótons se espalham o tempo todo em superposições tem implicações enormes nas relações fundadas entre eles. O reino quântico é o reino da relação, relações revolucionárias e de difícil compreensão.
Quando dois sistemas quânticos se encontram, seus aspectos de partículas tendem a permanecer algo separados e a manter vestígios da identidade original, ao passo que os aspectos de onda se fundem, dando origem a um sistema inteiramente novo que engloba os originais. Os dois sistemas se relacionam internamente, um entra no outro e ambos evoluem juntos. O novo sistema surge da superposição dos outros dois tem seus próprios e novos aspectos de partículas e onda e uma nova identidade associada. Ele não se reduz à soma das partes. Não é uma soma de A + B. Trata-se de algo novo, uma realidade emergente.No mundo físico, tal emergência é uma particularidade do mundo quântico.  Enfim os sistemas quânticos são superpostos, são uma forma interna de relação fundada na realidade quântica, todavia não são de modo algum a mais dinâmica.
Ao considerarmos as implicações das coisas como elétrons e fótons a espalhar-se em todas as direções no espaço-tempo é que descobrimos um tipo decisivo de relação que retira da palavra “separado” seu sentido usual e nos levas a repensar completamente o significado de “partes” e de “todo”. Como indaga Donah, “se todas as coisas potenciais estão espalhadas infinitamente em todas as direções, como poderemos falar em distância ente elas ou conceber qualquer separação? –se todas as coisas e todos os momentos se tocam em todos os pontos, a unicidade do sistema geral é uma espécie até agora inimaginável. Para os físicos quânticos, cada coisa pode correlacionar-se com outra instantaneamente, sem nenhuma troca aparente de força ou sinal entre elas. Conhecida como “não localidade” ou correlação na ausência de qualquer forças locais, essa interconexão misteriosa é um dos maiores desafios conceituais lançados pela realidade quântica.
Foi Einstein o primeiro a mostrar que as equações da mecânica quântica implicavam uma espécie de conexidade instantânea entre coisas aparentemente separadas, sugerindo que isso era um absurdo. Esse paradoxo ficou conhecido como Paradoxo Einstein-Podolsky-Rosen ou paradoxo EPR, eles questionavam a possibilidade de existir algo, tipo um sinal que viaje no limite máximo na velocidade da luz conter casualidade instantânea. Sem causas e influências, a não localidade só podia ser absurdamente fantástica.  Esse paradoxo levantado inicialmente por Einstein só foi resolvido anos mais tarde por um físico irlandêz, John Bell. Seu teorema – o teorema de Bell – conduziu experiências que finalmente solucionaram a questão. Por exemplo, experiências de correlação feitas com raios laser, demonstraram que dois fótons separados, de dois raios laser separados, disparados em tempos diferentes por duas aberturas em uma barreira, embora só um fóton possa atingir a tela detectora em um tempo determinado (o nosso tipo de tempo), observou-se um padrão de interferência na tela, indicando que ambos estão simultaneamente presentes.
A não separabilidade tão pretendida pelo esfacelamento moderno e a busca de interconexão instantânea (não localidade),  intensificou ainda mais a busca de uma divisão inseparável da matéria até o microcósmico do quantum e da genética numa perspectiva holística.
O holismo no paradigma da complexidade integra natureza, com natureza humana e não pode mais ser visto de modo separado (inseparabilidade: tecnologia, homem, cultura e natureza) e como um sistema auto-organizativo com entropia e dispersão, mas impossível de separarmos e isolarmos como pretendia o cartesianismo. A totalidade da realidade quântica é, na verdade, um vasto mar de potencial, no reino físico quântico impera a regra do tanto/quanto. No entanto, há diferenças profundas entre a quântica holística e o holismo que tem sido tão excessivamente difundido como lema da Nova Era.
Zohar, lembra que o holismo da Nova Era do tipo de um suposto tapete com seus fios separados de uma espiritualidade de uma só peça. Mesmo o holismo do desenvolvimento sustentado ou da metáfora da Terra como Gaia (que caso existissem, seriam um verdadeiro fenômeno holístico emergente) seria para um holismo físico simplificado onde uma unidade viva e dinâmica com todos os biossistemas planetário, pressuporia uma totalidade onde ao conhecermos ou tivéssemos suficiente capacidade de análise adquirida, poderíamos prever todas as suas propriedades fixas e o conhecimento de todas as suas interações poderíamos então prever.
No holismo quântico, essa redução é impossível. A holística quântica indica que um emergente fenômeno novo, um novo universal em estruturação, que possui qualidades e uma identidade própria que surge unicamente mediante da relação das partes previamente indefinidas, indeterminadas. Na realidade quântica, a relação é verdadeiramente criativa.
Não há variáveis isoladas na complexidade. Como ilustra Wigner em seu exemplo: “a medição da curvatura do espaço causada por uma partícula não pode ser levada a cabo sem criar novos campos que são bilhões de vezes maiores que o campo sob investigação”.  Assim, também a própria consciência é matéria transformada onde a noção de totalidade é menor que a soma das partes, pois não se reduz em saber e em conhecer e analisar a matéria e o objeto visual apenas, mas em complexidade de auto-organização e autocompreensão.
Vivemos, também hoje, uma crise de percepção do velho itinerário cartesiano-newtoniano da mente. Percebe-se uma crise atual da ciência moderna. As facetas desta crise podem ser descritas resumidamente como uma crise de percepção do mundo. As explicações agora devem buscar a gênese.  Também a ciência já descobriu que temos dois tipos de memórias genéticas, a filogenética e a ontogenética.
A filogenética é um legado da histórica da evolução física e dos nossos antepassados, que está presente desde o nosso nascimento. A memória filogenética não é determinista, mas está lá, na nossa mente, pronta para ser ativada e nos acompanha durante a vida. Por exemplo: somos atualmente seres programados filogeneticamente para a oralidade.  Todos os humanos nascem aptos para falar qualquer língua do planeta, porém ele dominará as línguas que serão produtos de suas interações vivas em seu meio e habitat cultural. No entanto, nenhum ser humano normal precisa ir para a escola para aprender a falar. A memória ontogenética é a que produzimos recriamos no curso de nossa existência em interação com o mundo e as pessoas. Por exemplo, não nascemos com uma memória filogenética e escrevemos. Escrever é uma herança civilizatória, que se conserva e se reproduz num complexo exercício simbiótico de aprendizagem que realizamos na vida e em relação com os outros no mundo. Até hoje, salvo raras exceções, para apreendermos a dominar a escrita precisamos de ir a escola.
As duas memórias se relacionam conflituam e, sobretudo, cooperam entre si no curso de nossas vidas. Então a complexidade pergunta como as partes manipuladas de um fragmento genético vão se auto-organizarem-se também depois da intervenção e ou introdução das novas informações genéticas. De imediato nada pode ser necessariamente mal nem drasticamente bom.
Assim também como nos diz, Penroese a mente não física deve ser inseparável da mente física para entendermos a consciência e a complexidade. Nenhuma variável é separada da outra. Nossos cérebros não são computadores. Nossos biofótons se encontram em esboroamento de sistemas e não se reduzem a variáveis isoladas. O pensamento é um sistema complexo não separado da auto-organização da matéria, ou seja, a imaginação pensante não se reduz a energia mental elétrica e mecânica produzida por seus processos de ligações e religações ondulatórias subjacentes. Pensar é exercitar trocas e lutas em auto-organização produtiva do pensamento também integrado no mundo e na natureza.
As ondas captadas e radiadas pela matéria cerebral permitem interpretar e auto-organizar a realidade pela consciência, isto implica que o vir a ser da auto-organização não é separado da matéria cerebral. A linguagem não pode ser separada das partículas e corpúsculos de ondas e biofótons geradores de consciência. O cérebro é matéria formada por ondas que pela complexidade auto-organizada dessa mesma matéria e espírito torna-se consciência. O cérebro permite a matéria se auto organizar em consciência é uma gênese complexa do processo organizacional (sociologia, ecologia, física,...).
Essa mente, entendida como uma mente quântica, também permite enfrentarmos a crise da interpretação mecanicista e dual vigente que separa o corpo da mente (desconstituindo-a de uma abordagem física) e nos permite integrar de modo muito mais complexo o enfrentamento da crise do sujeito e a posição do sujeito na observação e explicação do mundo. Na explicação quântica da mente temos também o atrator (atração) + entropia (dispersão), que auto-organiza e permite a produção da imaginação mental. Pensar é imaginar num processo de auto organização do mundo, mas também no mundo. A energia imaginante mental é continuada e requer trocas nucleadas até a criação de sistemas complexos (auto-organização produtiva).
Isto só é possível se não mantermos o sujeito fora do objeto. O vir a ser do objeto é também do criativo sujeito integrado emitindo suas micro ondas materiais. O sujeito não é uma fabricação subjetiva e a realidade física não é um objeto em si mesmo, está integrada numa complexa simbiose, por exemplo, hoje insistem em impor de modo exógeno o mercado como um sujeito e como uma variável independente e determinante proveniente do mundo físico sobre a vida social.

A sociedade simbiogênica também tem de dar respostas

A sociedade quântica também tem de dar respostas. A nova sociedade precisa ser flexível e menos hierárquica. Respostas as organizações cada vez mais líquidas e de um poder cada vez menos relacionada com as forças materiais e institucionais normativas da sociedade moderna e industrial. Respostas ao enfrentamento de uma economia cada vez mais simbólica, respostas a reinvenção da família e do desafio do aumento da jornada média de vida conquistada cada vez mais pela ciência. Respostas a mutação simbiótica do mundo do trabalho humano com a inserção cada vez mais complexa da tecnologia e da ciência no mundo do trabalho. Respostas a novos processos de aprender e ensinar nas sociedades onde o conhecimento torna-se uma centralidade societal de poder e riqueza, numa sociedade com uma população pós-trabalho que envelhece aos passos largos envelhecimento.
Respostas também cada vez mais complexas ao mundo povoado por interações imateriais eletromagnéticas com seus satélites, suas complexas malhas de redes informacionais cada vez mais integradas a velocidade da luz. A pr´pria moeda se torna informação eletromagnética. Respostas ao novo processo simbiótico da evolução humana orgânica e inorgânica conquistada pelas novas descobertas das ciência da mente e da biotecnologia e do alcance do conhecimento sobre as diferentes realidades de escala newtonianas, microfísica, nanofísicas, macro-cósmicas,...
A ambiguidade, a mudança rápida e a maior complexidade dominam cada vez mais os antigos padrões de relacionamento tanto na vida doméstica quanto na pública. Alterar os limites de responsabilidade e de identidade (pessoal, cultural, nacional, sexual e de gênero), modos de vida e estruturas familiares experimentais, novos sistemas tecnológicos, novas fontes de informação, mercados novos e cambiantes, tudo exige respostas flexíveis. Os padrões mecanicistas de papel fixo e as estruturas rigidamente organizadas de administração e controle são incapazes de utilizar plenamente o vasto potencial latente nas reações e na imaginação humana. Nós não somos meras máquinas cognitivas funcionais, somos seres extremamente complexos integrado num mundo e num universo que é também muito complexo. Os sistemas vivos destinam-se cada vez mais a lidar com a ambiguidade e o desafio criativo e o futuro exige que usemos e abusemos da criatividade aplicada.

A sociedade simbiogênica também tem de ser também emergente

A sociedade quântica tem de ser também "de baixo para cima" ou emergente. No mundo subatômico dos elétrons, apesar de serem absolutamente idênticos eles se diferenciam em elétrons spin-para cima e elétron spin-para baixo. Cada vez mais nós nos tomamos impacientes com as estruturas sociais e políticas "de cima para baixo", estruturas impostas pela tradição, a hereditariedade, impostas pela revelação ou a autoridade externa. Já não aceitamos tão facilmente autoridades sem contestação. Temos por necessidade criante de trairmos a história, rompermos com a tradição para sermos apanhados na emersão do novo.
Podemos e devemos usar o passado como lição e guia, mas ele já não tem condições de ser o árbitro definitivo da conduta ou da crença. Há alguma coisa profundamente radical na consciência social e política contemporânea. Muitas vezes ouvimos afirmações etapistas de que é necessário passarmos primeiro por fases de base, antes de atingirmos, pela acumulação, um determinado “objetivo”. É o que também entendia também Karl Marx com sua teoria de saltos evolutivos seguros entre o capitalismo, o socialismo e o comunismo. Ou como entende os positivistas e os neopositivistas funcionalistas com a ideia de desenvolvimento que integram fases do tradicional para o moderno. Assim, uma sociedade agrária deveria passar pela sociedade industrial para tornar uma sociedade do conhecimento. A natureza quântica, ao contrário, é sempre circunstancial, mas sempre quântica e muito menos linear e desenvolvimentista, progressista. Isso é típico de uma sólida estrutura mecânica. É necessário, sempre, na complexidade, articularmos uma nova visão que está emergindo de dentro, a partir das raízes de uma individuação, do que o agente individual pensa, sente e age.
Nesse sentido é importante também nos ater o que nos ensinou Einstein em sua profunda lição sobre a relatividade, indagando sobre a questão de que o espaço e o tempo absoluto não existem enquanto entidades isoladas, não podem ser entendidos como entidades isoladas de um sistema de referência inicial qualquer e que coisas e acontecimentos podem ou não ocorrer em simultaneidades no tempo-espaço. Bertrand Russel explica a ideia da relatividade com muita precisão e profundidade. Russel afirma que na relatividade, por exemplo, dois eventos podem ocorrer em lugares diferentes no mesmo instante. Para o autor também, a expressão espaço-tempo que evita os equívocos da física clássica residia na pseudo-independência do tratamento do espaço e tempo. Para Russel, essa foi a mais importante de todas as contribuições introduzidas por Einstein. A partir da teoria da relatividade e da ideia espaço-tempo, não podemos mais dizer que um evento ocorre seguindo apenas a risca as “coordenadas cartesianas” e as quatro quantidades como: latitude, longitude, altura e tempo. Precisamos agora incorporar a noção de que espaço e tempo não são independentes, com qualidades que também tornam as dimensões independentes do espaço.

A sociedade simbiogênica também tem que ser ecológica, mas produtivista

A sociedade quântica pode até ter que ser verde, diversa e não como os modernos supunham uma prepotente natureza racional que transformaria a “natureza” apenas num estoque manipulatório de nossos modernos interesses.
Nesse sentido, devemos aprender através da história. Não podemos repetir o que foi feito com as descobertas da ciência moderna nos Séculos XIX e XX. Por exemplo, quando se descobriu que se podia transformar os limitados recursos naturais e fósseis do planeta em energia (o petróleo), passou-se, quase que de imediato, a produzir-se múltiplas e massivas máquinas poluentes, que alteram a composição da atmosfera, super aquecem o planeta e alteram, de forma danosa e significativa, o clima no nosso lar cósmico.
Vamos dar um exemplo mais contemporâneo que nos conduza ao atual extremo da transformação da natureza realizada pela inteligência humana: a nanociência e a nanotecnologia. Essa complexa área de pesquisa do conhecimento científico gerará impactos profundos sobre a vida social e novas simbioses da vida humana com a natureza. Muitos cientistas entusiastas da nanotecnologia ainda montados no mecanicismo racional  preveem que, em escala “massiva”, poderemos mexer nas estruturas subatômicas do carvão, por exemplo, reorganizá-los como um diamante, transformar átomos de carbono em nanotubos de transistores ou gotas de silício em laminas de vidro. Na teoria, ainda que só na teoria, se poderia transformar uma sola de sapato num suculento bife. O computador estará na caneta, no botão das roupas e não será um simples computador, mas um supercomputador comparado ao modesto PC existente em nossas mesas e escritórios. Esses nanocomputadores estarão munidos também de nanoprocessadores que serão rápidos o suficiente, para realizarem trilhões de cálculos por segundo, e armazenar todos os livros de uma biblioteca num mesmo celular. Ótimo, mas somos também seres tomados por energia química e não apenas celerados pontos de interação elétrica como postulam os cognitivistas.
A natecnologia gerará impactos profundos, por exemplo, a relação da nano com as ciências da vida (biotecnologia e genética, ciências cognitivas, a velha medicina - inclusive), ou seja, emergirão novas questões sobre na integração inorgânica com a simbiose orgânica como o uso de nanochips para, em simbiose com glóbulos orgânicos que aumentarão nossa carga de defesa aos ataques de estranhos predadores em nossos corpos.... A nanotecnologia e a nonociência tenderá a receber muitos frutos e desafios para medicina e a saúde.
No entanto, por mais avançado que conquistemos nosso processo de interação com o mundo natural nós sempre estaremos nele, seremos também e simbioticamente parte dele, somos no mundo.Nos Estados Unidos e nos Países onde essas questões estão mais avançadas, existe muitos recursos disponíveis para que com a nanotecnologia e a geração de seus impactos. Os empreendedores mais vinculados ao nanomercado, num recente congresso norte americano no ano passado afirmaram aos ventos de que precisam se antecipar para que não aconteça com a nano o mesmo que ocorreu com os transgênicos  ou seja, os cientistas empreendedores da biotecnologia, deixaram aberto espaços demais para as resistências "conservadoras" do senso comum, etc... e que isso deve ser entendido como um aviso aos empreendedores desse novo e produtivo campo do conhecimento.
Uma visão quântica da sociedade é também física, não determinística e o que emerge como novo luta contra sua dissipação sempre. Nesse sentido, mesmo sem desejarmos tornarmos um fundamentalista conservador contra a ciência, bem longe disso, o caso específico do exemplo da nanotecnologia é muito importante também o alerta sobre os novos e mais complexos dilemas sociais que ela nos impõe, pois nem tudo é promissor nas promessas da nanociência. Muito menos pesquisados e alardeados são alguns dos novos perigos significativos que a nanotecnologia nos exporá. Não falo apenas sobre o potencial de dominação militar que a nanotecnologia abre, tanto para as grandes potências tecnológicas movidas pela ganância do domínio bélico, como pelo uso dela por  grupos terroristas menores, porém potencialmente tão destrutivos quanto fundamentados por crenças e dogmas irredutíveis. Falo, sobretudo, de que além do conforto e melhoria na qualidade de vida, tomada pela máxima de Lavoisier (tudo se transforma), também, a simbiose e a fusão nanogênica possibilitarão novas contaminações químicas reagentes frente aos seus novos processos reestruturantes. A nanotecnologia não é, apenas, uma novidade mecânica de engenharia sub-molecular, ela também produz e pode vir a produzir novos efeitos químicos e tóxicos, muitos, inclusive, sequer existentes antes da manipulação subatômica na escala do nanômetro pela ciência. Ela pode permitir, inclusive, o surgimento de novas espécies de vírus simbióticos que podem ser bem mais letais à vida no planeta.
A sociedade quântica tem que enfrentar os desafios emergentes de um modo complexo, através de uma pluralidade aberta, trans disciplinar potente de conquistas e de desafios. Para enfrentar a terrível ameaça ao meio ambiente constituída pelos resíduos da civilização mecanicista moderna é necessária uma realidade social reciclada e em harmonia com o mundo natural não humano que nos cerca. Desde nossas bactérias amigas até mesmo a biodiversidade complexa que herdamos. Tanto o cristianismo quanto o mecanicismo pressupõem uma dicotomia entre ser humano e mundo material e entre cultura e natureza. Devemos transcender isso com a noção de que os objetivos sociais humanos podem e devem desenvolver-se em harmonia com o contexto vivo e geofísico mais amplo no qual a sociedade está incrustada.

A sociedade simbiogênica também tem de ser espiritual

A sociedade quântica tem de ser espiritual. Se quisermos provar uma satisfação profunda em nossa vida social, precisamos ser capazes de encarar a sociedade em um contexto mais amplo de significado e valor, em um contexto que transcenda as preocupações tanto do materialismo (ou consumismo) quanto do interesse próprio limitador. Nossa visão social precisa ter uma dimensão teológica, isto é, devemos ser capazes de responder a perguntas como: para que existe a sociedade? Qual é seu objetivo e seu significado? Em que dimensões de realidade subjacente encontramos suas raízes, seus sistemas de valores, seus fundamentos morais? Trata-se, em última instância, de questões espirituais profundas. Elas têm a ver com a maneira como compreendemos o sentido último e a sanção de nossos atos e projetos. Foram tais preocupações que motivaram a fundação da maior parte das religiões; contudo, a espiritualidade é menos organizada que a religião, menos presa a um dogma ou a uma prática institucional específica. A dimensão espiritual na sociedade não precisa (aliás, em uma sociedade pluralista, não deve) se identificar com nenhum grupo ou organização particular.

A sociedade simbiogênica também tem de dialogar com a ciência

A sociedade quântica tem de dialogar com a ciência. Vivemos cada vez mais o impacto da centralidade do conhecimento complexo no construto societal. A antiga ciência e as religiões tradicionais organizadas veem-se em conflito com a história e a natureza do universo e com a natureza dos seres humanos. Na pior das hipóteses, a ciência mecanicista contradiz abertamente a fé religiosa, e vice-versa. Na melhor, ambas concordam em que são diferentes e seguem caminhos separados, cada qual declarando a outra irrelevante para os seus interesses. No entanto, os avanços do conhecimento científico tornam esse divórcio contínuo cada vez mais insatisfatório. Com as nossas lealdades divididas entre a visão científica e as afirmações da religião, carecemos de um conjunto claro de princípios que nos oriente o comportamento.
Devemos redescobrir as raízes morais e espirituais da sociedade, devemos fazê-lo de modo a espelhar, estender e desenvolver - não a contradizer - o conhecimento que a ciência nos fornece da natureza do mundo físico e vivente dos quais fazemos parte. Tal diálogo perde o sentido se a ciência que temos em mente é a mecanicista; porém, a ciência radicalmente nova do século XX é mais compatível com as nossas intuições espirituais. Levar em conta seus insights pode nos ajudar verdadeiramente a articular uma visão espiritual e moral mais contemporânea e complexa.
Muitas qualidades que esperamos, uma vez mais, encontrar no interior de nossa realidade social são características de sociedades passadas, mais tradicionais. Por esse motivo, há uma forte sensação de nostalgia ligada a diversas ideias sociais "avançadas" da atualidade. O movimento verde reporta-se com muita frequência a modelos rurais, pré-industriais, em seus ideais econômicos e sociais, do mesmo modo que os arquitetos pós-modernos e os tradicionalistas aspiram a reconstruir as cidades do passado, e vários pensadores sociais da nova era exaltam o redescobrimento da sociedade tribal.
Devemos valorizar muito o passado e suas lições. Isso não significa que simplesmente repetir o passado, mas enraizar-se nele a fim de reinventarmos o mundo incessantemente. Devemos entrar num diálogo mais criativo com a tradição. Todavia, para satisfazer as necessidades sociais de hoje, retroceder não é avançar. São necessárias algumas dimensões novas. Porém, para sair dos nossos modelos ainda predominantemente mecanicistas do eu e da sociedade, assim como de todas as atitudes e padrões de comportamento que os acompanham, visando uma coisa genuinamente nova, com características como as da nova visão simbiótica, será necessária uma revolução em nossa perspectiva da realidade social. Como todas as grandes revoluções sociais, exigirá um sólido fundamento conceitual. Ela requer que adotemos nada menos que uma vida inteiramente nova e toda uma simbiose com uma metafísica nova e mais complexa.

PALAVRAS FINAIS

A resposta ”certa” vem apenas depois que cometemos todos os erros possíveis.

Podemos certamente, como pretende vários físicos e alguns sociólogos servir dos princípios e da dinâmica da realidade quântica a fim de derivar um novo modelo para as nossas relações sociais e políticas. Acredito que esse modelo é capaz de estender-se a uma nova visão da realidade social apta a abarcar todos os aspectos da vida cotidiana: nosso senso de identidade pessoal, nossas relações com os outros e com a natureza, nossas decisões políticas e morais, a maneira como planificamos nossas cidades e educamos nossos filhos, as práticas administrativas com as quais dirigimos nossas indústrias e organizações, nossos valores e objetivos fundamentais que inspiram nossos atos.
Um grande número de sociólogos, filósofos e escritores manifestaram insatisfação com a ciência mecanicista e a cultura que ela gerou. Refiro-me, por exemplo, a homens como Hegel, Max Weber, Jung, Sartre, Thomas Berry e Peter Berger. Houve muitos outros. Todavia, com demasiada frequência essas críticas ao mecanicismo tendem a não fazer caso da ciência em geral ou a desconhecer as descobertas radicalmente novas e as alteradas percepções que a nova ciência tornou possíveis. Preferem, ao contrário, uma coexistência desconfortável com a ciência, postulando muitas vezes outro reino mais humano, mais espiritual ou mais sagrado que, de certo modo, estando a pensar além da ciência. Geralmente, isso lhes priva a intuição da fundamentação mais sólida que a ciência pode oferecer. Às vezes, conduz a um conflito sem solução entre as afirmações da intuição e as da ciência, um conflito que enfraquece a ambas.  Espero ter podido mostrar que tal conflito é desnecessário quando a intuição está informada pelos insights da física.
Enfim, como muitos físicos não cansam de afirmar, a física não é um campo separado e remoto do conhecimento. Como tudo que a mente humana concebeu, ela é um produto da consciência e também da sua evolução. Muitas das grandes mudanças conceituais que abalaram a física neste século refletiam alterações similares na biologia, na política, na filosofia, na arte e na literatura. Parece, como observou o romancista britânico Nicholas Mosley, parece ocorrer um ímpeto de mudança em todos os níveis, um ímpeto que sugere que pode haver conexões entre tais ordens de coisas aparentemente diferentes. Na física, porém, encontramos essas mudanças altamente articuladas. A física possui uma linguagem muito precisa e um conjunto claro de categorias com que descrever a realidade. É também uma visão "testável" da realidade. Por intermédio das imagens precisas e "testáveis" da física, podemos aprender uma nova linguagem com que descrever outros domínios relacionados de nossa experiência mais cotidiana.
Segundo Zohar, há ainda outra razão pela qual a física pode ser um modelo conceitual muito apropriado para a nova visão social. Trata-se da nova dimensão global de nossa vida, do fato de que nos vemos cada vez mais face a face com gente das mais diversas culturas e tradições. Precisamos encontrar nossas raízes comuns em uma estrutura conceitual da qual todos possamos compartilhar, sejam quais forem às diferenças.
A física é uma linguagem universal. O conhecimento que ela nos dá e as imagens e metáforas associadas a esse conhecimento são moeda corrente entre todos os povos da Terra como também nos lembra Zohar, muito adequadamente, termino essa incursão da sociologia com a física quântica com um convite singelo e ao mesmo tempo profundo feito pelo físico Werner Heisenberg para que possamos caminhar num novo e grande orquestramento simbiótico do conhecimento:

A física moderna é (...) uma parte muito característica de um processo histórico que tende à unificação e à ampliação do nosso mundo presente (...) mediante a sua abertura a todos os tipos de conceito, ela dá esperança de que, no estado final de unificação objetiva. Isso pode nos Ajudar a imergir numa pluralidade onde muitas tradições culturais diferentes possam conviver e combinar diversos empreendimentos humanos e não humanos num novo tipo de equilíbrio entre pensamento e ação, entre atividade e meditação.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E INCORPORADA EM FRAGMENTOS COOPERATIVOS!

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