sábado, 11 de maio de 2013

NOVA POLÍTICA DE DROGAS E A CONTRA REFORMA MORAL


Gilson Lima


A tentativa de implementar decisões em bases moralistas sobre as drogas transforma-os em sócios de uma indústria mundial de armas e atividades de um desastroso estopim de violência. A economia auto organizada do crime impuro torna-se lenha de signos morais e certezas de milícias de Deus e de forças repressoras armadas em favor do povo, pelo povo e para o povo. O terror religioso, o terror político e o moralismo no trato de uma temática tão complexa deslocam os operadores atuais da economia auto organizada das drogas ilícitas no jogo da clandestinidade muito útil aos corruptores de caráter duvidoso. Também transformam milhares de jovens vendedores e consumidores de algumas substâncias ativas em prisioneiros condenados de porões insalubres gradeados, lotados e que são efetivamente, verdadeiras escolas do crime.
Enquanto isso, assassinos que sequestram, matam e tiram a vida humana estão soltos ou - como mestres - encontram-se em presídios lotados recrutando suas milícias e novos recrutas.
A população planetária envelhece e a maioria de nossas elites políticas e religiosas continua presa em suas cadeias morais.
Princípios ativos presentes em plantas que consumimos legalmente ou não são específicos e cada um derivam seus sistemas organizacionais de mercados (sejam legais ou tornados criminosos).
Existem venenos produzidos como crack ou o pó colorido e fino de dioxina que penetraram nas peles humanas dos inimigos de guerra. Essas substâncias devem ser perseguidas desde a sua produção e comercialização, mas o combate deve ser feito na legalidade, como estamos fazendo com o crack que transformam almas livres em sombras de si mesmo sem alma. O álcool (do árabe-kohul) é uma classe de compostos orgânicos que possui na sua estrutura um ou mais grupos de hidroxilas - OH, ligados a carbonos saturados. O álcool implica em alterações motoras graves a canabbis sativa, por exemplo, não. A cocaína acelera como a cafeína, a canabbis sativa não. Aliás! nossos avós não consumiam canabbis no século passado? Era possível compra-la no comércio livre. Claro que os moderníssimos republicanos mobilizados pelo moralismo racional proibiram o comércio da canabbis em quase todo o século XX e até hoje a tratam como droga do diabo. Claro que maconha era coisa de negros escravos foram eles trouxeram a planta da África para esses trópicos.
Não é de espantar que os mesmos moralistas perseguissem a capoeira. Essa mesma capoeira que gestou no Brasil a imensa habilidade que herdamos dos negros de jogarem tão criativamente bola com os pés. Bem diferente do futebol americano que se joga até hoje com as mãos. Claro que com as mãos é mais fácil.
Muitos consumidores de drogas não legais são trabalhadores consumidores, apenas isso. Muitos “bandidos” são meros atores que exercitam atividades comerciais de mercado jogados pela moralidade na escuridão do crime e da violência. Até quando?
O excesso de morfina mata. O da cocaína também. Tomar alvejante industrial encontrado nas prateleiras dos supermercados também é fatal. A divulgação massiva e a motivação para fazermos exercícios físicos é vida pura.
A poesia não é nem verdadeira, nem falsa. Os conservadores em tratar o comércio e o consumo de argumentos morais também não. A insistência de muitos e por anos a fio em criminalizar algumas drogas e tratá-las como um problema moral tem levado ao desastre incalculável para milhares de vidas. São séculos e séculos febris de defesas morais encarnadas no verbo da verdade moral.  A contra reforma moralista torna os conservadores devoradores de suas próprias mensagens, prisioneiros de suas ciladas e o diálogo do tema um delírio de paixão coletiva.

Pesquisador, professor.
Ps. Esse artigo foi enviado para a grande imprensa, mas não surtiu efeito. Sem grande publicação!


GILSON LIMA.
"O que em mim sente está pensando" (Fernando pessoa)
Dr. Pesquisador - CNPQ - Porto Alegre.E-mail: gilima@gmail.com

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