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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OPERADORES TRANSVERSAIS EM POLÍTICAS PÚBLICAS

 
A utilização de operadores transversais nas políticas públicas anunciados pelo novo governo estadual do Rio Grande do Sul é uma novidade muito bem vinda. Trata-se do que de mais avançado podemos encontrar em modelagens organizacionais complexas ausentes até mesmo nas grandes agências de pesquisa do país.
Esses novos operadores são a essência de organizações contemporâneas envolvidas num permanente agenciamento informacional. É o caso de organizações como o Google, o Feceboock apenas para citar algumas.
No decorrer dos últimos anos a ciência rompeu suas limitações disciplinares e descobriu novas relações transdisciplinares. Encontramos novos sistemas complexos, abertos e auto-organizáveis compreendidos como inseparáveis de seu ambiente e em interação constante, com permanente comunicação por redes de trocas em diferentes planos: do âmbito molecular, ao microfísico (eletromagnéticos) até o âmbito molar, corporal, social.
Podemos então olhar a gestão de políticas públicas por outro ângulo? Sim. Não é tarefa fácil. Para tanto, é preciso primeiro destacar o centro de todas as atividades e energias organizadoras e dissipativas sistêmicas, ou seja, precisamos definir o agenciamento e da produção processual da informação e do conhecimento como a atividade fim.
Operadores transversais são típicos de sistemas dinâmicos (sejam eles discretos, contínuos ou híbridos). São sistemas eventualmente assíncronos e de baixa uniformidade ou de simplificação causal. São sistemas abertos e envolvidos com a dissipação e não apenas com a organização. Seus processos são baseados em operações e não em funcionalidades mecanizadas, não decorrem apenas de controles racionais com regras escritas, mas de procedimentos e insigths que permitam a recursividade.
Os operadores transversais são baseados em propriedades como invariância, criticidade, complexidade algorítmica, convergência, similitudes e que descartam as análises estatísticas clássicas. Seus instrumentos são qualitativos e quantitativos envolvidos em sofisticadas técnicas de mineração de dados, lógica fuzzy (lógica de borramento de conjuntos) e, sobretudo, sistemas aprendentes e auto-construcionais.
Nada fácil de dominar e difícil de encontrar até mesmos nas próprias gestões das universidades, mas desejável para ser de algum modo perseguido na esfera pública.


Gilson Lima – Sociólogo da Ciência – IPA.
Pesquisador do Research Committee Logic & Methodology and at the Research Committee of the Clinical Sociology Association International Sociological (ISA).

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