segunda-feira, 22 de agosto de 2016

NOVA COMPREENSÃO DO CÉREBRO: uma revolução na aprendizagem

Gilson Lima
Pesquisador industrial e cientista independente, Músico, inventor. 



Os avanços significativos dos estudos do cérebro começam com SANTIAGO RAMON Y CAJAL: a abordagem neuronal! No final do Século XIX com o isolamento do neurônio.. (desenho ao lado). Apresentado em um Congresso da Sociedade Anatômica em Berlim em outubro de 1889. Cajal expôs seus desenhos feitos em papel com tinta colorida e a unidade básica do cérebro - o neurônio -   foi formalmente isolada. (Não retículo contínuo – rede indissociada - proposto por Camilo Golgi no mesmo período).

Cajal expôs evidências para hipóteses sobre o sistema nervoso – os axônios das células são as saídas para os impulsos nervosos e os dendritos as entradas - “Lei da Polarização Dinâmica” e em 1906 um discípulo de Cajal cunhou a palavra -sinapse- para descrever a junção entre uma célula nervosa e outra.


A novidade atual é poder observar o cérebro em funcionamento. Isso ocorre ha pouco tempo.
Há 100 anos sabemos que vemos com a parte de trás do cérebro, mas somente ha pouco tempo têm-se obtido uma luz de como funciona essa parte cruzada e todo o processo de informação cruzada em nosso cérebro.

O neurônio é uma célula ramificada construída para produzir e gerar impulsos e ao mesmo tempo transmitir conteúdos químicos.
São de tamanhos pequenos ou com dendritos muito grandes (com maior capacidade de cooperar e atuar de modo mais amplo). A parte elétrica é mais simples – tipo digital (ligado ou desligado. As sinapses químicas são mais lentas, tem conteúdos e altera as informações. Sabe-se das sinapses, mas não se explica o porquê (plexo mental complexo) o cérebro é um complexo que aprende quando transmite conteúdo. ISSO É MUITO SIGNIFICATIVO. Muda sempre. Está sempre mudando.

POR QUE DAS SINAPSES?

São conteúdos transportados que são transmitidos. Por que o conteúdo vai adiante? Com toda uma logística de eletricidade, íons, mas por que toda essa logística. Por que das sinapses?
É simples. Os impulsos elétricos são apenas digitais (ligados ou desligados), mas o funcionamento do cérebro é bem mais complexo do que um computador.

Para muitos reducionistas, o cérebro é apenas uma central telefônica, com cabos e transmissões de dados e impulsos... Esse é um dos maiores equívocos das abordagens cognitivistas e computacionais que movem toda a indústria da inteligência artificial e o imaginário da ficção científica motivada por um futuro que não precisará mais de nós (humanos), pois criamos e replicamos máquinas pensantes, superiores a nós mesmos.

A SINAPSE SURGE PARA MUDAR O QUE ESTÁ SENDO TRANSMITIDO.
Não para transmitir.... Isso é muito mais complexo.

Quanto maior o número de sinapses, maior o número de informações (duas sinapses são mais simples). A mesma bioquímica acontece (no neurônio inicial), mas não será a mesma no próximo neurônio.
O EFEITO LÍQUIDO É O SEGUINTE: “A ESTRUTURA DA PRÓPRIA MORFOLOGIA SE MODIFICA QUANDO NÓS A UTILIZAMOS”.
Uma grande descoberta.

AGORA SABEMOS: que o cérebro muda o tempo todo e a todo instante em que acontecemos no mundo. Só se não usar. Células nervosas estão nesse momento crescendo e o stress, mata as células e a precisão das novas lembranças (esquecemos mais estressados).
Células nervosas mudam a cada ligação.
Usar pouco o cérebro é ruim. Como usar uma louça de porcelana apenas no domingo quando se tem visita, para não quebrar. O cérebro é o contrário, tem que se usar muito para ele ficar cada vez melhor.

Se não usá-lo, ele se fragiliza. É como se ter um supercomputador apenas para assistir TV. Isso nos deixa burros, doentes e bestializados. São 23 bilhões de células nervosas apenas no córtex, mais as sinapses que se estima ser em torno de um milhão de bilhão. Um número e tanto.
Cada uma delas são impulsos que modifica a si mesmo quando utilizadas.


Gilson Lima - Doutor em Sociologia das Ciências. Professor CNPQ (aposentado). Pesquisador Industrial. Pesquisador do CEDCIS – Centro de Estudos e Difusão de Conhecimento, inovação e sustentabilidade e pesquisador do LaDCIS - Laboratório de Difusão de Ciência, Tecnologia e Inovação Social. Colaborador do Núcleo de Violência e Cidadania do Programa de Pós-Graduação em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Dr. em Sociologia das ciências. Pesquisador da Rede Nanosoma – nanociência, nanotecnologia e sociedade.  Pesquisador do Research Committee Logic & Methodology and at the Research Committee of the Clinical Sociology Association International Sociological (ISA). Pesquisador colaborador do Núcleo de Robótica Social in http://robotica.udl.cat/ r
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

MATRIX 1 - Uma análise


 O texto a seguir sobre o Filme MATRIX 1 é uma transcrição de uma palestra-análise realizada no evento Filocine em Porto Alegre por Gilson Lima.

Gilson Lima. Sociólogo da Ciência. Pesquisador CNPQ. Sócio proprietário da NITAS: tecnologia e inovação. Pesquisador do Research Committee Logic & Methodology and at the Research Committee of the Clinical Sociology Association International Sociological (ISA).

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Matrix, no dicionário quer dizer:

O útero. O que dá forma, origem ou fundamento de algo que envolve ou contém. Substância intercelular de um tecido. Substância terrosa ou rochosa em que se encontra um minério ou mineral. Molde para fundição de peça de bronze e em matemática quer dizer: arranjo de símbolos num quadro retangular que, desenvolvidos, resultam num determinante.

PRELIMINARES!

Da cabeça dos irmãos Wachowski Andy e Larry Wachowski (escritores e desenhistas) saiu MATRIX.
Eles produziam desenhos em quadrinhos e tudo começou com uma encomenda para uma história em quadrinhos. Eles foram se concentrando na ideia de Matrix e segundo Larry “todas as ideias que os dois tiveram na vida estão no filme desde quadrinhos, kung-fu e livros de ciência e ficção científica.
É perceptível além da dinâmica dos quadrinhos a simbiose entre oriente mais japonês com o ocidente. Eles sempre tiveram uma curiosidade maior: as lições da ficção científica sobre o que eles chamaram do problema da natureza da realidade.
Os dois enviaram o roteiro para Hollywood e que mandaram chamá-los e eles disseram. Tudo bem gostaram, mas somos nós que vamos dirigir escolher os autores e executar tudo.
Claro que tiveram que fazer quase tudo sozinhos e criaram também uma revolução no modo de produzir cinema de ficção na indústria cinematográfica. Como a de realizar cenas de 10 a 15 segundos com 12 pessoas simultâneas, lutas e perseguição de carros e animá-las com programas de imagens de movimento.
Os atores utilizavam uma roupa específica com sensores espalhados pelo corpo. A câmera capturava o movimento das pessoas com base nesses sensores. É uma roupa colada ao corpo (similar a de mergulho), com velcro para os sensores, colocados nas articulações (foram usados cerca de 50 sensores por ator). Cada sensor era como se fosse uma bolinha. Quando se abria a imagem no computador, só se via aqueles pontinhos. Tínhamos o trabalho de identificá-los e ligá-los, formando um esqueleto. Depois, era só adaptar a roupa e o rosto do ator a este esqueleto.
As marcas dos sensores eram capturadas por câmeras de motion capture[1] (em Matrix, foram utilizadas 32 delas). O Matrix não foi o primeiro filme a usar motion capture e, atualmente, todos os videogames de esporte são feitos com esse sistema. Pode-se modelar um brócolis, e ele vai se portar da forma desejada. Para os movimentos faciais do King Kong quando ele fala, por exemplo, foram postos sensores na boca de uma pessoa para capturar a sua expressão labial
A técnica de motion capture também foi utilizada nas cenas em que câmera e ator estavam muito próximos a carros - durante perseguição na auto-estrada principalmente em Matrix Reloaded. Nessa série de Matrix, as partes da sequência de Morpheus (personagem de Laurence Fishburne) em cima de um caminhão, por exemplo, foram construídas em 3D
No computador, esses pontos eram lincados, formando um "homem de palitinhos". Como se fosse um molde. Depois, esse esqueleto é texturizado em um software 3D (em Matrix, foi utilizado o Filme Box, da Kayadara). Chama-se de texturização da cena quando se aplica a imagem do ator esse tipo de molde (por exemplo, o rosto do agente Smith em vários personagens). Ou seja, o software dá vida aos esqueletos em movimento. Para isso, foi feito um escaneamento da superfície facial - desde tamanho do nariz a poros e pelos - e do corpo do ator. E os agentes Smith ainda foram duplicados depois, para se chegar à centena deles presente em algumas sequências.
Nesse programa, modela-se no esqueleto corpo e rosto desejados (é feito um escaneamento da superfície facial e corpo desses personagens que serão modelados). No ambiente 3D, tudo pode ser animável, inclusive a câmera. A técnica permite que o ator faça uma cena inviável com película. É possível, então, fazer com que objetos fiquem estáticos e a câmera continue em movimento. Isso pode ser visto nas cenas de briga com coisas paradas no ar e as câmeras passando.
A técnica expressa bem um mundo atual onde, em nosso mundo, todos os habitantes são cada vez mais nômades, conectados a uma realidade abstrata expandida, onde, depois de cada curva surgem novas curvas, depois de cada parada ou nódulo, surgem novos fluxos, novas e múltiplas bifurcações.
Somos nômades simbólicos. Vivemos ema a situação de estarmos ou não, com os nossos corpos inertes e fixos, não nos impede de experimentar a sensação de que sempre somos alguém no lugar, mas não inteiramente do lugar.
Encontramos no filme Matrix essa ideia, no qual corpos inertes de humanos, deitados sobre uma cadeira reclinável, navegam numa intensa simbiose por lugares, conexões e simulacros tão abstratamente autônomos da matéria corpórea como efetivamente reais.

EM BUSCA DE REFERÊNCIAS => Sobre Matrix na ficção científica: Realidade é um sonho!

É claro que a primeira fonte explícita influenciadora dos escritores e roteiristas de Matrix é Neuromancer.
Em 1984, o escritor norte-americano Wiliam Gibson lançou uma obra de ficção para adolescentes, chamada Neuromancer.[2] Poucos anos mais tarde, o autor transformou-se numa celebridade, por ter sido o primeiro a perceber o surgimento de uma realidade imaginária compartilhada nas redes dos computadores e que ele denominou cyberspace. Para Gibson, o cyberspace (ou ciberespaço, como o termo é conhecido na versão brasileira da obra) não é um espaço físico ou territorial, ele compõe-se de um conjunto de redes de computadores através das quais todas as informações (sob as suas mais diversas formas) circulam. O ciberespaço gibsoniano é uma “alucinação consensual” em que podemos nos conectar através de “chips” implantados no cérebro. A Matrix, como chama Gibson, é a mãe, é o útero da civilização pós-industrial onde os “cibernautas” vão penetrar. Ela será povoada pelas mais diversas tribos nômades que circulam em busca de informações vitais para as suas empresas ou para as suas vidas. A Matrix de Gibson, como toda a sua obra, constitui-se numa caricatura do real, do cotidiano pós-industrial. [3]
Na busca de suas referências teóricas de Matrix os irmãos Wachowski Andy e Larry Wachowski declararam explicitamente algumas. Eles exigiram da indústria hollywoodiana, eles mesmos roteirizar e escolherem os atores. Quando Keanu Reeves foi chamado para fazer o papel de Thomas Anderson de dia e de “Neo”, que de noite era hacker.
A primeira tarefa que os irmãos Wachowski Andy e Larry Wachowski deram ao ator Keanu Reeves foi a de ler antes do roteiro três livros:

1. O livro de Jean Baudrillard: Simulacro e Simulação[4]. As idéias de Baudrillard nesse livro são um realmente um argumento importante para esse filme. Os ícones religiosos passam a representar Deus (simular) estabelecer a simulação da ligação com ele possível com o próprio ícone. É simulação do ícone. Ele vira a medalhinha do painel do carro. Degrada o significado e acaba se tornando o próprio simulacro uma nova realidade em si mesma.
Numa cena inicial do filme com o hacker Neo os irmãos Wachowski querem explicitamente demonstrar suas influências teórica. 

A imagem acima é uma "foto" tirada de uma cena inícial do filme Matrix I. Nessa cena um grupo de pessoas bate na porte de "Neo". O hacker "Neo" atende a porta e vai buscar uma encomenda que está dentro de um livro. Ele vai na prateleira pega o livro e algo dentro dele, trata-se de um programa pirata (um disco) ali guardado. A surpresa é que nessa "foto" torada do filme podemos identificá-lo. Trata-se de Simulacro e Simulação de Jean Baudrillard.

 Vamos ver o que disse o próprio Baudrillard antes de morrer sobre essa questão e homenagem:
Perguntado se ele gostou de Matrix sabendo que os autores atribuem uma grande influência dele sobre os personagens da trilogia Matrix ele respondeu que:

Baudrillard – “É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade”.

2. Out of Control. (Fora do controle – descontrolado. Livro de ficção científica de Kevin Kelly que fala dos sistemas de evolução de robôs.

3. Introducing Psycology. (introdução à evolução da psicologia onde na capa do livro vemos um primata com um cérebro humano moderno exposto em destaque). Autores Dylon France e Oscar Zarate.

Uma cena significativa entre o andróide e o Matrix. O agente Smith é produto da Matrix que aprendeu a dominar com sucesso as tecnologias da Inteligência artificial. O ódio de Smith pela humanidade foi programado pela IA. O discurso do agente com Neo apresenta claramente sua programação:

... os humanos são mamíferos obviamente (... um mamífero, que diga de passagem continua a mamar leite depois de ser desmamado pela sua mãe a custa de outros mamíferos). Todo animal procura instintivamente o equilíbrio com seu meio. Todo animal se vê a competir com outras formas animais. Os humanos são os únicos, dentre todas as espécies, capazes de sobrepujar os competidores”.
Smith chama os humanos de um câncer.

As células cancerígenas nos humanos são humanas assim como os seres humanos são mamíferos. Matrix tinha sido infectada pelo vírus da humanidade e o filme deixa claro que o agente Smith quer se libertar também de Matrix e que quer ter acesso aos códigos de Sião, não para aniquilar os revolucionários para se libertar.
Assim de modo quase bíblico o filme deixa demonstrar que a nossa escravidão tecnológica é uma servidão criada pela própria humanidade, produto do livre arbítrio precisamos de um novo renascimento para por fim a escravidão. No universo judaico cristão escravidão é pecado. No Éden, nosso primeiro útero era perfeito, mas os humanos se definiram pelo pecado. A primeira versão tecnológica do pecado é a roupa uma das nossas primeiras utilidades da tecnologia, por isso o renascimento de Neo se faz nu. Para libertar-se da escravidão da matrix.
Porém no filme a Salvação humana não está na humanidade e nem no andróide da Matrix e sim na simbiose.

Matrix I pode gerar um oceano de DEBATES e reflexões POSSÍVEIS de possibilidades de Matrix fazer sentido filosófico, científico, acadêmico: ficção científica e realidade com um conjunto de laços que a rede reflexiva de Matrix 1 pode nos levar. Vejamos:

NÓ (1)  MATRIX: Da abordagem computacional da mente

Da abordagem computacional da mente: computadores, cavernas e oráculos! Inteligência e inteligência artificial.
Memória, Cognição e cognitivismo: ABORGAGEM COMPUTACIONAL DO CÉREBRO E DA INTELIGÊNCIA DE MATRIX ESTÁ MUITO EQUIVOCADA. No filme encontramos uma reducionista abordagem computacional do aprendizado e da inteligência tal como em Matrix. É uma abordagem de modelo computável do cérebro humano que, de algum modo, já comentamos.
Tem uma cena em Matrix que relaciona-se muito com essa abordagem. No primeiro Matrix, quando os dois jovens protagonistas (Neo e a bela italiana Trinity) tentam fugir para um lugar seguro, eles se deparam com um helicóptero. Neo pergunta a Trinity: "Você sabe pilotar isso?”. E ela responde: “Ainda não". Então ela pega o celular, liga para alguém na central e pede para que o sujeito carregue o programa que a faria aprender a pilotar o helicóptero em alguns poucos segundos. Com o programa na mente, ela assume o controle e voam em segurança em busca de novas aventuras.

Essa cena de educação instantânea traduz muito de nossa atualidade, tomada pela hegemonia cognitivista-computacional e da ideia de que podemos programar as pessoas, de que podemos ter acesso instantâneo aos dados (realidade fisicalista) e de que isso até se estende para programações infogenéticas (genes), capazes de indicar automaticamente comportamentos e atitudes. Um mundo que nos levou ao beco sem saída onde os homens se tornam programas ou extensões de máquinas computacionais.
As informações são processadas por Trinity e ela, a seguir, entra no helicóptero e com muita maestria passa a pilotá-lo como se tivesse mais de 40.000 horas de voo no aparelho.
Trata-se de uma visão simplificada e equivocada da aprendizagem cerebral. Nosso cérebro não é um imenso cabo de redes telefônicas, formado por sinais elétricos que perpassam sinais de um ponto a outro como ocorre no computador. Um computador limita-se a acessar, trocar, estocar e transportar dados, informações, e isso está muito longe da complexa expansão do nosso aprendizado humano.
Se considerarmos a dinâmica neural (isto é, a maneira como os padrões de atividade do cérebro se modificam ao longo do tempo), a característica especial mais impressionante dos cérebros dos vertebrados superiores é a existência de um processo que denominamos reentradas. Trata-se do constante e recorrente intercâmbio de sinais em paralelo entre áreas reciprocamente interconectadas do cérebro, um intercâmbio que coordena constantemente a atividade dessas áreas, tanto no espaço como no tempo. Uma característica impressionante dessas reentradas é a sincronização ampliada da atividade de diferentes grupos de neurônios, ativos e distribuídos entre as muitas áreas especializadas do cérebro.
O cérebro, com suas SINAPSES, é um sistema aberto que está sempre de modo ou outro se auto organizando, quando acontecemos no mundo. Quando surgem acontecimentos que apresentam um resultado melhor do que esperávamos, isso chama a nossa atenção, não é um programa, mas uma predisposição também para aprendermos algo novo.
O cérebro é uma máquina de extração de regras. Um cientista do cérebro, Spitzer, conta-nos uma história bem simples para entendermos esse processo. Diz ele que certamente você já viu (ou comeu) milhares de tomates na sua vida; contudo, de forma alguma pode lembrar-se das características específicas de cada um dos tomates isoladamente. Essas características seriam completamente inúteis para o cérebro toda vez que você observasse um novo tomate, pois só iria utilizar o que o leitor soubesse sobre tomates em geral, para poder saber o que fazer com este. Podemos comê-los, cheirá-los, utilizá-los em ketchup, atirá-los, etc.
A aprendizagem de fatos ou acontecimentos isolados não só é na maioria dos casos pouco importante, como inoportuna. Esses conhecimentos de acontecimentos isolados são de pouca ajuda. A informação isolada da experiência é muito limitada.
Nosso cérebro, com exceção do hipocampo, que é especializado em conteúdos isolados, é muito bom com extração geral de regras, pois é especializado na aprendizagem de generalidades.
Tal generalidade, porém, não é adquirida ao aprendermos regras gerais? Não! Ela é aprendida porque construímos exemplos. É a partir desses exemplos e imitações que aprendemos a produzir as próprias regras.
As centenas de milhões de conexões que compõem a estrutura conectiva íntima do cérebro não são conexões exatas. Se indagarmos se as conexões são idênticas em quaisquer dos cérebros de tamanho semelhante, como ocorreria nos computadores de construção similar, a resposta é não. Isso está equivocado.

O mundo não se apresenta ao cérebro como uma fita magnética de computador que contém uma série de sinais claros e inequívocos. Ao contrário, o cérebro é capaz de categorizar e classificar os padrões de uma enorme série de sinais variáveis.

NÓ (2)  MATRIX: Da Realidade

O paradoxo da Realidade. Boudrilhard + desrealização vital. Da “natureza” da realidade. Simulacro e simulação (pós-modernidade).O dualismo das cenas do verde (Matrix) e do azul (fora da Matrix).
Baudrillard – “A noção de pós-modernidade não passa de uma forma irresponsável de abordagem pseudocientífica dos fenômenos. Trata-se de um sistema de interpretações a partir de uma palavra com crédito ilimitado, que pode ser aplicada a qualquer coisa. Seria piada chamá-la de conceito teórico”.
Vivemos na Matrix”O argumento da simulação e do simulacro. Ela existe? Gênero Real e Filosofia Virtual.  (pós-modernidade – de novo).
Baudrillard – “Os signos evoluíram, tomaram conta do mundo e hoje o dominam. Os sistemas de signos operam no lugar dos objetos e progridem exponencialmente em representações cada vez mais complexas. O objeto é o discurso, que promove intercâmbios virtuais incontroláveis, para além do objeto”.

NÓ (3).  MATRIX: Da simbiogênese:

Fusão corpo e máquina = estamos no rumo de Matrix? Corpo e Máquina (neomaterialismo – morte do corpo – morte do sujeito – o pós-humano). Ou por que o futuro não precisa de nós (humanos). Marx, materialismo e a infraestrutura virou energia sedentárias ou nômades em movimentos e baterias localizadas. Nilismo e Matrix. Destino s Liberdade. Religião: Somos nós os escolhidos? Aprender a manipular a Matrix para ilusões próprias? Matrix. Budismo, mitologia e Matrix. Estamos na Matrix. Sabemos alguma coisa? Imortalidade e reencarnação. Felicidade Os postulados de Deus.

 O homem, a cultura, a técnica e a tecnologia. Homem nú (apenas a linguagem). Cultura x tecnologia. (dualismo) Quanto mais conhecemos o homem como um animal nu, desprovido de qualquer prótese instrumental mais sabemos de sua extinção. Existe razão nas máquinas? Sentimento e máquinas. Prótese simula o humano ou o humano é simulado pela prótese? No tempo em que as máquinas usurpam as atividades criadoras a pouco a fazer além de filosofar sobre a nossa própria impotência. Diagnósticos, preconceitos e auto defesa.  Catastrofismo e opositores do futuro sem nós.
Um dos problemas mais significativos da simbiogênese envolta na era da explosão criativa possibilitada cada vez mais pelos avanços da moderníssima indústria eletrônica e de outro o repasse da criação, do verdadeiro movimento criador para sistemas e programações pré-configuradas e o homem tornando-se funcionário da máquina. A prótase da máquina no homem transmuta o homem numa verdadeira prótese da máquina (não é a máquina que se torna extensão do homem (McLuhan, mas o homem, ao contrário que torna a extensão das potencialidades da máquina – um funcionário da máquina).


NOTAS:

[1] Motion capture (movimento de captura) é uma técnica em que os movimentos das pessoas são capturados a partir de sensores fixados em seus corpos. No esqueleto formado a partir desses sensores é feita a modelagem e texturização do corpo desejado. Origens: A técnica foi adaptada da medicina, onde era utilizada nos anos 70 para reconstruir as articulações de pacientes mutilados ou deficientes físicos. Em meados da década de 80, um amigo do médico italiano que desenvolveu a técnica a apresentou em uma feira de animação gráfica em Las Vegas.
[2] GIBSON, Willian. Neuromancer. São Paulo: Aleph, 2003.
[3] A criação da ideia de sociedade pós-industrial foi ampla e originalmente difundida em BELL, Daniel. O avento da sociedade pós-industrial: uma tentativa de previsão social. São Paulo: Cultrix, 1977.
[4] JEAN BAUDRILLARD. Nascimento Reims, na França, em 1929. Sociólogo, filósofo e fotógrafo. Em 1966 começou a lecionar na Universidade de Paris X-Nanterre. Baudrillard refutou o pensamento científico tradicional, e baseou sua filosofia no conceito de virtualidade do mundo aparente. Além de criticar a sociedade de consumo e considerar as massas como cúmplices dessa situação, o francês desenvolveu nas últimas décadas uma crítica radical aos meios de comunicação. Faleceu em março de 2007 com 77 anos. Baudrillard, foi um dos fundadores da revista "Utopie", publicou além de Simulacro e Simulação (ainda não traduzido pelo português falado no Brasil) mais de 50 livros ao longo de sua carreira, dentre os quais: O Sistema dos Objetos (1968), A Sociedade de Consumo" (1970), À Sombra das Maiorias Silenciosas (1978), Simulacros e Simulação (1981), América (1988), Cool Memories I (1990), A Troca Impossível (1999), O Lúdico e o Policial (2000).

Gilson Lima - Doutor em Sociologia das Ciências. Professor CNPQ (aposentado). Pesquisador Industrial. Pesquisador do CEDCIS – Centro de Estudos e Difusão de Conhecimento, inovação e sustentabilidade e pesquisador do LaDCIS - Laboratório de Difusão de Ciência, Tecnologia e Inovação Social. Colaborador do Núcleo de Violência e Cidadania do Programa de Pós-Graduação em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Dr. em Sociologia das ciências. Pesquisador da Rede Nanosoma – nanociência, nanotecnologia e sociedade.  Pesquisador do Research Committee Logic & Methodology and at the Research Committee of the Clinical Sociology Association International Sociological (ISA). Pesquisador Colaborador do Núcleo de Robótica Social in http://robotica.udl.cat/ r

sábado, 30 de julho de 2016

O CÉREBRO EM FORMAÇÃO (o cérebro adolescente). Neurogênese? Hormônios?

                                                                              Gilson Lima
Cientista, inventor, compositor, professor universitário e pesquisador industrial



Diálogo da simbiogênese (Gilson Lima) com Suzana Herculano-Houzel


A mente, os estados de mentitude estão envolvidos numa simbiose complexa com nosso encéfalo[1].
Nosso encéfalo é uma estrutura física complexa. É uma realidade biofísica que é orgânica, molhada, úmida, não é uma realidade seca e morta. Quando está vivo e em plena atividade (vitalidade) nosso encéfalo é também envolvido por uma sofisticada rede elétrica de circuitos e de comunicação informacional e de pensamentos que fluem numa velocidade impensável para nossos medidores atuais, apesar de operar em baixa frequência medida em hertz, mas é também uma rede de comunicação química e, o mais interessante não é um órgão estático.
Assim como no Universo, muito do ingrediente básico da vitalidade de nosso encéfalo é a energia, uma energia em constante movimento, gerando atividade elétrica. No entanto, mesmo sendo a velocidade do pensamento atualmente imensurável, como disse: nosso encéfalo produz um sinal eletromagnético razoavelmente de baixa frequência medida em hertz num eletroencefalograma. 
O mais forte dos sinais eletromagnéticos do corpo humano é gerado pelo coração. A intensidade do sinal do coração é 40 a 60 vezes mais intensa do que a do cérebro. O entanto a simbiose energética em nossos estados de mentitude é bem complexa. Emoções negativas como medo, frustração, raiva ou tensão diminuem intensamente a coerências das ondas eletromagnéticas do coração. Isso faz com que o sistema mente-corpo perca energia. Emoções positivas como amor, cuidado, compaixão e estima, ao contrário, aumentam a sequência dessas ondas. O equilíbrio e o desequilíbrio entre apenas esses dois subsistemas (encéfalo e coração) é extremamente significante também para a geração das memórias de longo prazo.
Nosso encéfalo nasce, cresce, desenvolve. Mesmo quando fisicamente passa de crescer, não para de complexificar-se.[2] Viver em estado permanente de embrião é termos sempre presente a deformação no próprio embrião. Isso nos torna, ao mesmo tempo, fragilizados e potentes na escuta do sensível diante dos atravessamentos do mundo. Os adultos são supostamente pessoas acabadas, fechadas, construídas. Os adultos são tentados pelos jovens com as suas imperfeições, com as suas irresponsabilidades e com as suas capacidades de se aventurarem frente ao novo – até mesmo ao leviano.[3]
É na metamorfose da forma – que tenciona mudar a própria forma – que encontramos o segredo da escuta do sensível. Ao estarmos colados à nossa própria forma, o mundo reduz-se e submetemos nosso viver a uma constante escassez de mundo.

Como o Cérebro aprende? Neurônios Espelhos?....
Reprodução (espelhamento) x Criação (insigth – criatividade aplicada).
Estabelecendo conexões entre o plano da realidade micro e macro.

Aqui sugiro uma leitura do artigo sobre neurônios espelhos (como o cérebro aprende) e uma leitura para problematizar os processos de criação de duas prosas de meu livro: 1) Por que o novo é novo (pagina 331-336) e, principalmente, o texto Racionalização x Insigth (pgs. 303-324).

Como nos diz, Penroese abordagem da mente indissociável e inseparável da sua dimensão física é fundamental para entendermos a consciência e a complexidade. Nenhuma variável é separada da outra. Nossos cérebros não são computadores. Nossos biofótons se encontram em esboroamento de sistemas e não se reduzem a variáveis isoladas. O pensamento é um sistema complexo não separado da auto-organização da matéria, ou seja, a imaginação pensante não se reduz à energia mental elétrica e mecânica produzida por seus processos de ligações e religações ondulatórias subjacentes. Pensar é exercitar trocas e lutas em auto-organização produtiva do pensamento também integrado no mundo e na natureza.
As ondas captadas e radiadas pela matéria cerebral permitem interpretar e auto-organizar a realidade pela consciência, isto implica que o vir a ser da auto-organização não é separado da matéria cerebral. A linguagem não pode ser separada das partículas e corpúsculos de ondas e biofótons geradores de consciência. O cérebro é matéria formada por ondas que pela complexidade auto-organizada dessa mesma matéria e espírito torna-se consciência. O cérebro permite a matéria se auto organizar em consciência é uma gênese complexa do processo organizacional (sociologia, ecologia, física,...).

Todavia, é necessário estarmos atentos ao que nos lembra Baudrillard que o novo também assume máscaras para se camuflar, de que vivemos num mundo onde cada vez mais existe informação disponível e cada vez menos sentido[4]. Por que então uma forma se esconde? Camufla-se? O que a forma aprisiona? Aqui se encontra um dos maiores desafios da imaginação criativa: liberar a vida e não deixá-la ser novamente aprisionada, ensurdecida e cega – onde ela se encontra escravizada; devolver a criação estética da existência e não apenas enclausurar aprisionar a arte de viver em locais que expressam muito bem o que nos lembrou o falecido músico e poeta Cazuza: “num museu de grandes novidades”. Clausuras que querem nos retiram do espaço público efetivo e nos impõe a convivermos em novas ou em velhas instituições de prisões, como shopping centers, condomínios fechados, guetos e novas tribalizações plastificadas onde multidões enchem “templos” de consumo em ajuntamentos protegidos dos reais e efetivos ruídos e choros de um mundo industrial que ao mesmo tempo em que se decompõe e precariza seu tecido social permite que de sua crise de realização complexa não emerja o novo e que apenas nos impele a aderir e emoldurar o “novo” em novos  petrificadas subjetividades que são muito artificialmente fabricadas.[5]
Enfim, para preservar um estado de inacabamento embrionário, temos que romper a segurança das fortalezas que nos aprisionam e reencontrarmos a significância da fraqueza reveladora da força criadora. É preciso enfrentar, para isso um tipo específico de gorda saúde cognitivista, conteudista, auto-suficiente, pronta, construída que é uma doença que nos deixa cegos e surdos, ou seja, nos torna em seres escassos dos ruídos do mundo.[6]

Se conseguires estabelecer pontes entre as duas questões (aprendizagem –espelhamento e produção do conhecimento novo) seria interessante. Caso encontre dificuldades, concentre no processo do espelhamento e faça conexões com o livro do Cérebro em transformação.



[1] Importante: Falar em encéfalo em vez de cérebro aqui é proposital, pois por um problema de tradução para o português o encéfalo foi reduzido ao cérebro, deixando de lado assim quase um terço do encéfalo que é composto também pelo cerebelo.
[2] Alguns neurocientistas defendem e tentam demonstrar também o fenômeno da neurogênese. Trata-se da possibilidade de mesmo quando adulto o encéfalo criar até mesmo novas células neuronais. Já sabemos que os caminhos e os trajetos de conectividade especialista que envolvem as intrincadas conexões neuronais podem ser alteradas, mas trata-se, nesse caso, de uma idéia onde neurônios que padecem, possam ser também substituídos pr novos, o que dotaria o encéfalo de ainda mais complexidade e os estados de mentitude de um elevado e permanente estado embrionário.

[3] LIMA,Nômades de Pedra,  2005, 329.
[4] BAUDRILARD, Jean. Simulacro e Simulação. Lisboa: Relógio d’ Água. 1991, p. 104.
[5] LIMA, Nômades de Pedra,  2005: 308-309.
[6] PALBEART, Peter Pál. A Vertigem por um fio: políticas da subjetividade contemporânea. São Paulo: Iluminuras, 2000, p. 63-65.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O QUE CHAMAMOS DE STRESS É UMA DOENÇA DAS SOCIEDADES DA MODERNIDADE E ECONOMIA INDUSTRIAL



“Festina Lent”
(provérbio italiano = apressa-te lentamente).

Gilson Lima[1]

O Stress é algo natural, de vital importância e criado na evolução para defender o nosso corpo dos perigos e ataques de predadores. Diante de ameaças nosso cérebro prepara nosso corpo para enfrentar: ejeta adrenalina para diminuir ou zerar a dor, cortisol para aumentar nossa agilidade e resistência e intensifica a ação da amigdala (um núcleo interno cerebral responsável pelas emoções como medo e ameaças).
Aquilo, porém que chamamos de stress é uma doença social adquirida e inventada, principalmente, a partir da economia industrial. Uma tensão nervosa permanente, uma patologia que ativa, os mesmos processos primários de defesa do corpo, mesmo quando não estamos sendo atacados ou submetidos por um determinado perigo ou ameaça. Uma doença histórica, cultural e inventada e que só pode ser curada socialmente, não apenas individualmente.
Não se trata de um problema moral, mas um problema social, econômico que descapitaliza a criatividade aplicada, a bondade, a solidariedade, a atração social entre o mundo e as pessoas e injeta a violência e o desespero sutil  ou bárbaro.
Nenhuma ideia, dessas antes da modernidade industrial, o homem viveu. Essa tamanha obsessão de medir e se submeter cientificamente o controle do tempo. De valorizar, premiar quem conseguisse otimizar cientificamente o seu tempo, de produzir ou consumir mais com a menor quantidade de segundos.
Segundo Domenico de Masi “Nem mesmo os escravos da Grécia e na Roma pagã, trabalhavam mais do que seis horas por dia. Salvo casos excepcionais, como a construção de muros de defesa ou a preparação de festas, a corrida pertencia ao mundo da ginástica; já a dedicação em regime de tempo integral, pertencia à guerra”.  (DE MASI, 2003: 600)[1].
Nós, os humanos, na era industrial, vivemos a ânsia da velocidade, a hipnose de conexão em tempo real, a alucinação do tempo sem espaço. Uma aceleração sem trégua, um auto-acelerar-se permanente.   
Domênico de Masi, nos lembra dum episódio interessante: no começo do Século XX, um chefe indígena das ilhas Samoa – Tuiavii de Tiavea – teve a oportunidade de realizar uma viagem a Europa e de escrever uma espécie de reportagem antropológica sobre usos e costumes dos brancos europeus que ele chamou de Papalagi. Vejamos:

 “O Papalagi está sempre descontente com seu tempo e se lamenta com o Grande Espírito porque não lhe deu tempo bastante... Nunca entendi bem essa coisa e penso que se trata e penso que se trata mesmo de uma grave doença. `O tempo me escapa ´, `O tempo corre como um potro enlouquecido!´, `Me dê um pouco de tempo´. Essas são as queixas habituais que fazem os homens brancos... Suponho que seja uma doença porque o homem branco tem vontade de fazer algo que seu coração deseje de verdade, por exemplo, andar ao sol, ou passear no rio com uma canoa e queira amar sua menina, assim estraga toda sua alegria, atormentando-se com o pensamento: `Não tenho tempo de estar contente.´... Há  Papalagi que afirma nunca ter tempo. Correm em volta como desesperados, como possuídos pelo demônio e onde quer que estejam fazem o mal e provocam mal-estar e criam espanto porque perderam seu tempo”.

Continuamos a repassar essa doença as crianças e jovens, naturalizamos que o mal estar embrutecedor que sabotam nossa inteligência, onde viver e conviver se torna apenas um instante, nada mais que um instante que já se foi. Podemos inventar uma nova e mais radical modernidade reflexiva, onde podemos nos apressar para que possamos conviver e viver lentamente.




[1] Cientista, inventor, escritor, compositor, cantor, professor universitário e pesquisador industrial.
(2) MASI, Domenico. Criatividade e Grupos Criativos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.