Gilson Lima
A tentativa de implementar decisões em bases moralistas sobre as drogas
transforma-os em sócios de uma indústria mundial de armas e atividades de um
desastroso estopim de violência. A economia auto organizada do crime impuro
torna-se lenha de signos morais e certezas de milícias de Deus e de forças
repressoras armadas em favor do povo, pelo povo e para o povo. O terror
religioso, o terror político e o moralismo no trato de uma temática tão
complexa deslocam os operadores atuais da economia auto organizada das drogas
ilícitas no jogo da clandestinidade muito útil aos corruptores de caráter
duvidoso. Também transformam milhares de jovens vendedores e consumidores de
algumas substâncias ativas em prisioneiros condenados de porões insalubres
gradeados, lotados e que são efetivamente, verdadeiras escolas do crime.
Enquanto isso, assassinos que sequestram, matam e tiram a vida humana
estão soltos ou - como mestres - encontram-se em presídios lotados recrutando
suas milícias e novos recrutas.
A população planetária envelhece e a maioria de nossas elites políticas
e religiosas continua presa em suas cadeias morais.
Princípios ativos presentes em plantas que consumimos legalmente ou não
são específicos e cada um derivam seus sistemas organizacionais de mercados
(sejam legais ou tornados criminosos).
Existem venenos produzidos como crack ou o pó colorido e fino de dioxina
que penetraram nas peles humanas dos inimigos de guerra. Essas substâncias
devem ser perseguidas desde a sua produção e comercialização, mas o combate deve
ser feito na legalidade, como estamos fazendo com o crack que transformam almas
livres em sombras de si mesmo sem alma. O álcool (do árabe-kohul) é uma classe
de compostos orgânicos que possui na sua estrutura um ou mais grupos de
hidroxilas - OH, ligados a carbonos saturados. O álcool implica em alterações
motoras graves a canabbis sativa, por exemplo, não. A cocaína acelera como a
cafeína, a canabbis sativa não. Aliás! nossos avós não consumiam canabbis no
século passado? Era possível compra-la no comércio livre. Claro que os
moderníssimos republicanos mobilizados pelo moralismo racional proibiram o
comércio da canabbis em quase todo o século XX e até hoje a tratam como droga
do diabo. Claro que maconha era coisa de negros escravos foram eles trouxeram a
planta da África para esses trópicos.
Não é de espantar que os mesmos moralistas perseguissem a capoeira. Essa mesma
capoeira que gestou no Brasil a imensa habilidade que herdamos dos negros de
jogarem tão criativamente bola com os pés. Bem diferente do futebol americano
que se joga até hoje com as mãos. Claro que com as mãos é mais fácil.
Muitos consumidores de drogas não legais são trabalhadores consumidores,
apenas isso. Muitos “bandidos” são meros atores que exercitam atividades
comerciais de mercado jogados pela moralidade na escuridão do crime e da
violência. Até quando?
O excesso de morfina mata. O da cocaína também. Tomar alvejante
industrial encontrado nas prateleiras dos supermercados também é fatal. A
divulgação massiva e a motivação para fazermos exercícios físicos é vida pura.
A poesia não é nem verdadeira, nem falsa. Os conservadores em tratar o comércio e o consumo de argumentos morais também não. A insistência de muitos e por anos a fio em criminalizar algumas drogas e tratá-las como um problema moral tem levado ao desastre incalculável para milhares de vidas. São séculos e séculos febris de defesas morais encarnadas no verbo da verdade moral. A contra reforma moralista torna os conservadores devoradores de suas próprias mensagens, prisioneiros de suas ciladas e o diálogo do tema um delírio de paixão coletiva.
Pesquisador, professor.
Ps. Esse artigo foi enviado para a grande imprensa, mas não surtiu
efeito. Sem grande publicação!
GILSON LIMA.
"O que em mim sente está
pensando" (Fernando pessoa)
Dr. Pesquisador - CNPQ - Porto
Alegre.E-mail: gilima@gmail.com
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